Idosos x convivência familiar

Data de publicação: 08/04/2020

Crédito: Luciana Rocha
 

Divisão de tarefas é fundamental para cuidar de um idoso; casas de convivência podem ser uma solução viável

Daqui a dez anos, o Brasil terá a quinta população mais idosa do mundo, de acordo com o Ministério da Saúde. Muitas são as famílias que já convivem com idosos em casa. Mas como é essa realidade? A convivência, com toda certeza, é modificada e há muitos casos de brigas familiares.

Na casa de Victor da Piedade Pinto, 96 anos, isso não acontece. Ele é “superlúcido”, tem sete filhos (um já falecido), ficou viúvo duas vezes e mora com um dos irmãos. Para cuidar dele, os filhos se revezam, de forma a não ficar pesado para ninguém. “Todos levam ao médico, aos compromissos em geral. E isso é organizado de acordo com a disponibilidade de cada um dos filhos. Claro que algumas vezes uns ajudam mais que os outros. Sempre há alguém que assume a missão...”, relata uma das filhas, a professora Gecilda Andréa Pinto.

Ela diz que o pai gosta de ver a família reunida e, aos domingos, acontecem os rodízios para o preparo do almoço. “Somos quatro mulheres e revezamos esse trabalho. Além disso, os filhos ajudam a pagar a empregada, o plano de saúde, a alimentação e os remédios. Os cuidados aumentaram com a idade, mas é tudo muito tranquilo e acordado”, comenta Gecilda.

O que acontece na casa do Victor poderia ser algo comum nas famílias. Mas, em alguns casos, o cuidado com os idosos causa desacertos e brigas. Andréa Silva Vidigal que o diga. Ela é a filha mais nova e toma conta da mãe com Alzheimer, Avani de Almeida e Silva, 80 anos. A mãe morava no interior de Minas Gerais, sob os cuidados do irmão, e Andrea achava que estava tudo bem. Porém, alguns fatos chamaram atenção da filha. Em uma das visitas, em junho de 2019, a mãe estava pesando 33 quilos, tinha caído e quebrado oito costelas. Diante de tal situação, Andréa levou a mãe para o hospital, onde ficou internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Depois, a mãe foi para sua casa em Belo Horizonte. Desde então, “sobra tudo para mim. Mudamos nossa vida por completo. De um apartamento, fomos para uma casa para ter mais espaço e conforto para minha mãe. As despesas aumentaram consideravelmente. Tenho uma irmã que me dá suporte para eu não surtar. E meu irmão não quis mais colaborar”, conta.
                                                                                                                                Crédito das fotos: Freepik.com

Reações diferentes – Andréa diz que, com o diagnóstico, percebeu as diferentes percepções que a doença causa em cada membro da família: uns choraram, outros não aceitaram, e teve também aqueles que se afastaram. “Todas as famílias que conheci, inclusive a minha, passaram por essas fases de negação, aceitação e resiliência. Acordo todos os dias e encaro os problemas, sempre tentando ver o lado positivo de tudo isso. Tenho na memória o otimismo da minha mãe. Mesmo quando passávamos por alguma dificuldade, ela nunca reclamava ou esmorecia. Sempre erguia a cabeça e continuava lutando. Eu me apego a este bom exemplo para continuar seguindo”, reflete Andréa.
De acordo com Claudia Helena Nunes Reis, proprietária da Fazendinha da Vovó e do Vovô, casa de convivência para idosos, a realidade de quem tem idosos para cuidar na família, diverge muito do que era há alguns anos. Ela ressalta que o idoso pode ter dez filhos, mas há sempre um que assume os cuidados. “Antes, as mulheres não tinham papel tão importante no mercado de trabalho e, normalmente, a filha mais velha não se casava para cuidar dos pais. Essa dinâmica familiar mudou: a mulher hoje trabalha e não tem com quem deixar o idoso. Surge a figura do cuidador, mas o custo desse profissional geralmente é alto. A casa de convivência é uma solução viável para algumas famílias”, lembra.

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Fonte: Revista Família Cristã, edição 1012, abril 2020
Postado por: Família Cristã




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