A quadrilha junina

Data de publicação: 04/06/2020

Por: Eduardo D’Amorim
Crédito da foto: Freepik.com




No Brasil temos vários ciclos artísticos culturais, com manifestações características, em que as contribuições indígenas, africanas e europeias se entrelaçam e se evidenciam. Temos mais evidentes os ciclos natalino, carnavalesco, junino, com manifestações distintas e ricas, cada uma com sua história, densidade e localização.

Na realidade, em cada ciclo há uma manifestação carro-chefe, como o pastoril, no Natal, o samba e o frevo, no Carnaval, e a quadrilha, no período junino. Não devemos esquecer que há outras manifestações culturais mais localizadas, de uma riqueza estonteante, como o Bumba meu boi, a Nau Catarineta, os Guerreiros de Alagoas, cada uma com sua história, com sua coreografia, seus personagens, normalmente nascidos de movimentos de resistência de uma comunidade localizada e datada.
Origem da quadrilha – Segundo os pesquisadores, a quadrilha é de origem francesa, precisamente da região da Normandia, e se espalhou pelos salões da Europa. Dançavam, como hoje, aos pares, separados, tocando-se as mãos e os quadris, em momentos e movimentos determinados pela música, com muita delicadeza, gestos fidalgos e passos oriundos da valsa, mas normalmente ao som da polca.

Quando a Família Real portuguesa se mudou para o Brasil, fugindo do inimigo Napoleão Bonaparte, trouxe a quadrilha, dançada nos salões brasileiros tanto pelos nobres quanto pelos fidalgos, que, em geral, compravam a peso de ouro essa condição. Bem perto dali, a senzala via e ouvia a festa nos salões da casa grande. E trouxeram para o terreiro a festança, com outra música, normalmente untada de batuque do tam-tam africano.

E a alegria reinava. As vestes eram uma imitação pobre das saias das sinhás. Colocavam tranças postiças sobre seus cabelos muito crespos e, em geral, curtos. Maquiavam-se com tintas da terra, em geral o tucum, de cor amarela ou vermelha. E faziam sobre as faces, assim maquiadas, as sardas das mulheres da sociedade branca, muitas vezes também artificiais. Com o tempo, houve uma evolução das danças dos salões, com outros ritmos, outros passos.

E, num dado momento, as festas dos salões perderam seu brilho e, logicamente, a alegria. E essa sociedade, agora quase nostálgica, começou a olhar e admirar a festa junina que crescia nos terreiros. Admiravam, sobretudo, o ritmo e a alegria reinante nesses espaços. E levaram para o salão novamente a manifestação junina, agora transmutada, imitando o povo pobre e, em geral, negro ou já mestiço. Calças rasgadas, camisas de cores fortes e remendadas. Sardas no rosto acentuadas. E, mais, a desconstrução do corpo, imitando, então, o homem do campo, o matuto ou caipira, no seu andar característico, seu jeito tímido, seus dentes estragados, e chapéu de palha desfiado. Certa caricatura do povo do terreiro, do pobre. Acentuaram as histórias, criando o “senhor de engenho”, o matuto que embarrigava a moça ingênua e era obrigado a casar, o padre dominado pelo poder e outras figuras, todas caricatas.

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Fonte: Revista Família Cristã, edição 1014, junho de 2020
Postado por: Família Cristã




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