Igreja, sacramento de Cristo

Data de publicação: 03/04/2013

Por Frei Luiz S. Turra, ofm Cap. *

A Igreja sempre foi considerada sacramento de Cristo, porém, o tempo e a prática foram deixando na sombra esta realidade sacramental da Igreja enquanto “Corpo de Cristo”. O Concílio Vaticano II veio despertar a atenção dos cristãos, identificando a Igreja como sacramento, a partir do mistério pascal de Cristo: “Do lado aberto de Cristo na cruz nasce o admirável sacramento de toda a Igreja” (SC 5).

Sem deixar o lado humano da Igreja, que muitas vezes causa tantos ranços à sociedade, o Concílio apresenta seu rosto luminoso e animador, identificando-a com a vida e missão de Cristo Ressuscitado: “A Igreja caracteriza-se, ao mesmo tempo, como humana e divina, visível, mas ornada de dons invisíveis... Nela o humano se ordena ao divino, o visível ao invisível... o presente à cidade futura que buscamos” (SC 5).

Igreja, mediação visível

Não tiramos a razão a Santo Agostinho, quando diz que “não há outro sacramento de Deus a não ser Cristo”. Nenhuma conquista poderá ser maior do que a de Cristo. É por este motivo que se confirma que Cristo é o “sacramen- to original”. Após a sua ascensão ao céu, nós permanecemos no mundo e somos necessitados da mediação visível, histórica e real como possibilidade de encontro com Deus em Cristo.

A mediação é uma necessidade humana que não pode ser dispensada para podermos relacionar o mundo imanente ao transcendente. Neste caso, a mediação se torna transparência que nos possibilita o encontro. A resposta a esta necessidade nos é dada por Cristo na Igreja. A Igreja é o primeiro sinal sacramental de Cristo para a humanidade. Se Cristo é o “sacramento original”, a Igreja passa a ser o “sacramento principal. Toda a sacramentalidade que nos vem de Cristo passa para nós na mediação da Igreja.

A igreja é sacramento por seu ser

A Igreja se identifica no mundo como uma realidade bem concreta que se mistura com o cotidiano dos humanos, porém justifica o seu ser em vista do invisível e espiritual. A categoria de sacramento evidencia a realidade em seu aspecto físico material e em sua dimensão de mistério. Como Cristo, a Igreja é divina e humana simultaneamente. Porém, diferentemente de Cristo, a Igreja, como humana, é pecadora e Cristo não foi pecador. Daí a necessidade que a Igreja tem de estar em permanente conversão para “ir se tornando o que deve ser”. A Igreja configura-se no mun- do com formas terrestres, ao mesmo tempo em que é dotada de bens celestiais. Nela convive o Já do que está para vir e o ainda não de nossas demoras humanas.

A igreja é sacramento por sua ação

Aqui vale o testemunho de vida e a coerência entre as obras reais e o seu mistério. As palavras, os compromissos com a vida, as organizações externas e as instituições são chamadas a responder a sua identidade como “sacramento de Cristo no mundo”. Neste caso não podemos distanciar a sua preocupação pela educação da fé, a celebração litúrgica e a caridade organizada. A Palavra e os sacramentos devem ser a alma de toda a ação da Igreja em favor da humanidade.

A igreja é sacramento por sua palavra

Se o Pai fez ouvir a sua voz, tor- nando-a a “voz da Palavra”, e o Filho tornou visível o “rosto da Palavra”, a Igreja tem por missão ser a “casa da Palavra”. Como “casa da Palavra”, a Igreja necessita cul- tivar o cuidado com o tesouro re- velado, com a interpretação da Escritura, para que a sacramentalidade da Palavra não fique jogada na indiferença, ou no desprezo. Na própria identidade da Igreja está a Palavra que a impregna e a torna responsável para que se torne viva na caminhada humana.

Perguntas

O que nos deixa claro que a Igreja é o “sacramento de Cristo”?

Por meio de que a Igreja é sacramento?

Como nossa comunidade pode viver melhor esta realidade de “Igreja sacramento”?



* Frei Luiz S. Turra, pertence à Ordem dos Frades Menores Ca­puchinhos.

Publicado na edição de fevereiro de 2011 da Revista Família Cristã.




Fonte: Família Cristã 902 - Fev/2011
Postado por: Família Cristã




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