O diabetes no mundo

Data de publicação: 03/04/2013

Por Letícia Martins

Há pelo menos três motivos suficientemente fortes que levam a pensar e debater a questão do diabetes. O primeiro é o número crescente de diabéticos. De acordo com os dados atualizados pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês) e divulgados em dezembro de 2012, são cerca de 370 milhões de diabéticos no mundo. Para se ter uma ideia, se todos eles formassem um país, seria o terceiro mais populoso depois da China e da Índia. No Brasil, a estimativa é que sejam mais de 12 milhões.
O diabetes tipo 2, que representa 90% do público atingido, age silenciosamente e passa anos sem manifestar nenhum sintoma. É caracterizado pela resistência à insulina, levando a um desarranjo nos níveis de glicose no sangue. Geralmente, está associado à obesidade, sedentarismo e alimentação desregrada. Por isso é tão importante fazer anualmente exames de prevenção, sobretudo quem se encaixa nos grupos mais propensos a desenvolvê-lo.



Segundo a IDF, o desconhecimento, a falta de adesão ao tratamento e as complicações da disfunção provocaram a morte de 4,8 milhões de diabéticos em 2012 – uma pessoa a cada 7 segundos –, configurando a segunda principal preocupação dos profissionais e autoridades da área da saúde. Quando não mata, traz sérios danos à saúde. “O portador de diabetes corre risco maior de ter doenças cardiovasculares” – afirma a endocrinologista Denise Reis Franco, diretora da ADJ Diabetes Brasil. Outras consequências do mau controle durante anos são lesões nos nervos (nefropatia), cegueira (retinopatia) e problemas renais que resultam em hemodiálise.

A fim de que o diabetes não se torne uma epidemia, a Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda que todos os países desenvolvam um programa de detecção e controle. “Diversas ações já estão sendo desenvolvidas no País, como educação continuada a distância, para formar profissionais mais especializados em diabetes”, explica dra. Denise Reis Franco. A médica destaca a importância do papel dos pais e dos filhos na prevenção. “É preciso conscientizar e educar as famílias, para que adotem hábitos saudáveis de vida.”

O terceiro motivo que coloca o diabetes na pauta familiar é a obesidade infantil. Hoje, um público cada vez mais jovem está desenvolvendo a resistência à insulina. “Até pouco tempo atrás, o diabetes tipo 2 era comum em pessoas com mais de 40 anos. Hoje há várias crianças menores de 10 anos com pré-diabetes” – alerta Nicole Trevisan, nutricionista da ADJ. Quando bem tratado, com atividade física, alimentação balanceada e, em alguns casos, medicamentos, o quadro pode ser revertido, e o adolescente não chega a ficar diabético.

Alimentação

Como um dos fatores de risco do diabetes tipo 2 é o excesso de peso, a balança é um bom moderador, mas o que colocamos dentro do nosso organismo também. Evitar o consumo exagerado de produtos industrializados, com alto teor de sódio, gordura e açúcar é essencial para não desenvolver hipertensão, colesterol e triglicérides elevados. “Saber quando comer é tão importante quanto a quantidade a ser consumida” – explica a nutricionista Nicole Trevisan. A recomendação é fazer cinco a seis refeições por dia, encaixando pequenos lanches entre elas.

Aquela velha concepção de que pessoas com diabetes têm que abolir o açúcar já não combina com o avanço do tratamento. Até os carboidratos, considerados grandes vilões na década de 1920, quando a insulina tinha acabado de ser descoberta, precisam constar no cardápio, pois são fontes de energia rápida para as células. O segredo está na escolha: prefira os complexos, como pães e massas integrais. O processo de digestão e absorção é mais lento e não causa picos de glicose no sangue. Uma das opções é adotar o método de contagem de carboidratos, pois flexibiliza o cardápio sem abrir mão dos pratos que lhe dão prazer.

Diabetes juvenil

Existe outra parcela da população que desenvolve o chamado diabetes tipo 1, antigamente conhecido como juvenil. Ele manifesta-se principalmente em crianças e adolescentes, e trata-se de um processo autoimune. Isso significa que o sistema de defesa da pessoa começa a agredir as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção da insulina. Sem conseguir fabricar esse hormônio fundamental na captação de glicose no sangue, o paciente com diabetes fica dependente pelo resto da vida das aplicações diárias de insulina.

Até hoje a medicina ainda não chegou a uma conclusão sobre as causas do tipo 1. Entre as teorias, uma delas acusa a exposição precoce do bebê ao leite de vaca, enquanto outras apontam efeito colateral provocado por vacinas. O que se sabe é que os sintomas são comuns em 95% dos pacientes: sede excessiva, vontade de urinar frequente, perda de peso, mas sem diminuição do apetite e hálito cetônico (com cheiro de fruta cítrica). Ao medir a glicemia, os valores são altos – bem acima de 126 miligramas por decilitros, e o tratamento é iniciado com insulina, dieta nutricional e atividade física.

Avanços no tratamento

No caso dos diabetes tipo 1 e 2, os avanços proporcionam qualidade no dia a dia dos pacientes; e a expectativa de vida é semelhante à de uma pessoa sem o distúrbio. A primeira e mais importante descoberta foi a da insulina, feita em 1921 por médicos canadenses. No início, ela era extraída do pâncreas de animais. Em 1980 vieram os primeiros modelos humanos. Hoje elas são sintetizadas em laboratório.

Os instrumentos para aplicação da insulina foram aperfeiçoados. As grossas seringas de vidro deixaram de ser usadas e hoje há versões descartáveis. Existem também acessórios mais práticos, como canetas de aplicação e bomba contínua de infusão de insulina, que fica presa ao corpo do diabético tipo 1 e libera o hormônio automaticamente.

No entanto, todas as inovações geram resultados satisfatórios se houver comprometimento do paciente. Com o controle bem feito não há motivo para privações. O consultor de empresas aposentado, Sérgio Metzer, 68 anos, conhece, por experiência própria e familiar, a importância de ser fiel à terapia. Uma de suas filhas foi diagnosticada com diabetes tipo 1 na adolescência, quando se preparava para o vestibular. Sem histórico familiar de diabetes, ele e a esposa tiveram que buscar informação e ajuda. Mas as adaptações na rotina e aplicações de insulina não a impediram de alcançar seus objetivos. “Ela sempre controlou muito bem o diabetes e pôde engravidar; e me deu a felicidade de ganhar duas netas” – conta Sérgio Metzer.

Cuidar da saúde

Ele, porém, reconhece que foi descuidado com a saúde. Depois dos 60 anos, aposentado, deixou-se acomodar e engrossou o número de diabetes tipo 2. “Estou tentando mudar meus hábitos alimentares, parar de ‘assaltar a geladeira’ à noite e substituir alimentos que são muito calóricos, mas sei que exige força de vontade” – diz ele.

O acompanhamento com especialistas na associação de diabéticos rendeu dicas valiosas no processo de readaptação: trocar o carro por caminhadas pelo bairro na hora de ir ao banco ou ao supermercado ou optar por um tipo de dança, se não gosta de frequentar a academia. “É uma forma de você se movimentar, sem ficar o dia inteiro na frente do computador ou sentado no sofá vendo TV” – justifica. De fato, não há segredo. “São ajustes na alimentação, somados às atividades físicas e ao uso do medicamento que ajudam a controlar o diabetes e manter a saúde” – salienta a endocrinologista Denise Reis Franco.

Fatores de risco para o diabetes tipo 2

• Adultos com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 25 Kg/m2. O cálculo para descobrir o IMC é dividir seu peso em quilos pela altura em metros ao quadrado.
• Sedentários, que não praticam atividades físicas regularmente.
• Quem tem familiares de primeiro grau (pai, mãe, irmão) com diabetes.
• Mulheres que tiveram filhos com mais de 4 quilos ao nascer ou diabetes gestacional.
• Pessoas com ovários policísticos.
• Indivíduos com hipertensão, colesterol e triglicérides altos.
• Pessoas acima de 45 anos, mesmo que não apresentem os fatores acima, devem realizar os exames preventivos; e, se o resultado for normal, repeti-los a cada três anos.

Diabetes gestacional

Pode acontecer durante a gravidez em mulheres com peso pré-gestacional elevado ou que ganhem quilos exageradamente na gestação. “Outros fatores são a história de familiares de primeiro grau com diabetes, hipertensão arterial, idade avançada, gestações prévias com bebês acima de 4 quilos” – explica a endocrinologista Rosane Kupfer, chefe do Serviço de Diabetes do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione, no Rio de Janeiro (RJ).
Nesses casos, a futura mãe requer cuidados redobrados para garantir a sua saúde e a do bebê. A prevenção da obesidade e do sedentarismo reduz a chance de ter diabetes gestacional – condição que passa após o parto.

Onde buscar ajuda

Se algum parente, amigo ou até mesmo você se identificou com os fatores de risco do diabetes, procure um endocrinologista e faça os exames de glicose. Quanto antes começar o tratamento, melhor. As chances de desenvolver complicações são menores.
Caso conheça alguém que já seja diabético, não importa o tipo, oriente-o a buscar apoio nas associações. São várias espalhadas pelo Brasil. Elas desenvolvem trabalhos de assistência jurídica, cursos de culinária, atendimento com psicólogos e grupos de terapia, dentre outros serviços.

Saiba mais

www.adj.org.br – ADJ Diabetes Brasil
www.anad.org.br – Associação Nacional de Assistência ao Diabético
www.diabetes.org.br – Sociedade Brasileira de Diabetes
www.endocrino.org.br – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

Reportagem publicada na edição de janeiro de 2013 da Revista Família Cristã.




Fonte: Família Cristã 925 - Jan/2013
Postado por: Família Cristã




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