Sexto sentido

Data de publicação: 05/04/2013

Jovens mulheres utilizam métodos naturais de planejamento familiar para conhecer sua fertilidade


Por Fernando Geronazzo

A farmacêutica Karina Oliveira Tedesco Mendonça, 24 anos, e o designer gráfico Bruno Henrique de Melo Mendonça, também 24 anos, estão vivendo a fase mais feliz na vida de um jovem casal. Casados há seis meses, eles estão à espera do primeiro filho, Pedro. O herdeiro do casal é fruto de uma experiência pouco convencional, mas que atrai cada vez mais jovens no Brasil e no mundo, os métodos naturais de planejamento familiar e conhecimento da fertilidade feminina.


Trata-se do Método de Ovulação Billings  (MOB) – nome atribuído por causa do seu desenvolvedor, o médico John Billings. O MOB ajuda a mulher a tomar consciência  das sensações diferentes e específicas nas fases do ciclo menstrual.  A partir da observação dessas sensações e o acompanhamento diário, por meio de anotações feitas numa espécie de gráfico, a mulher tem condições de perceber os períodos de ápice da sua fertilidade, bem como os períodos em que não está fértil, aplicando, assim, as regras do método para engravidar ou adiar a gravidez (veja o infográfico).


Este método é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e tem uma eficácia de 99% para os casais que querem adiar a gravidez, também sendo indicado para casais subférteis, ou seja, com dificuldade para ter filhos, tendo uma eficácia de 78%. “O primeiro dia que eu percebi que estava me sentindo diferente, já no primeiro dia de atraso da menstruação, senti as mudanças. Fui fazer o teste e confirmei a gravidez. O método me ajudou até a descobrir que estava grávida”, conta Karina, que sempre sonhou com a maternidade. “Casamos em uma data bem próxima dos dias do seu ápice de fertilidade. Logo, a lua de mel aconteceu nesses dias. Estávamos conscientes de que a Karina iria ficar grávida e não evitamos”, acrescenta Bruno.


 

Auto conhecimento – A enfermeira Heloísa Pereira é diretora-presidente da Confederação Nacional de Planejamento Natural da Família (Cenplafam) desenvolve o trabalho de formar as pessoas para a utilização dos métodos naturais de fertilidade. “Recebemos muitas jovens que querem reconhecer a sua fertilidade porque estão namorando ou noivas, ou simplesmente querem aprender a reconhecer a fertilidade”, afirma Heloísa, enfatizando que, nestes casos, ainda não se aplicam todas as regras do método, destinadas apenas aos casais que querem engravidar ou adiar a gravidez. “Mas essas jovens vão saber sobre a sua saúde reprodutiva”, completa.


Karina foi uma das jovens que procuraram o método ainda noiva de Bruno. A jovem não nega que no começo foi complicado aprender a fazer a observação do ciclo menstrual. “Aos poucos, com o acompanhamento do pessoal da Cenplafam, vamos nos acostumando. O método nos ajuda muito a nos conhecermos enquanto mulher.”


 

Saúde da mulher – Heloísa ressalta que toda mulher deve conhecer sua fertilidade. “Hoje nós vivemos numa realidade em que é comum a ocorrência de ovários policísticos e outras alterações. Com o reconhecimento da fertilidade, poderiam ser evitados muitos problemas.” “É comum uma adolescente no início da vida fértil de uma adolescente, ter ciclos menstruais irregulares, mesmo porque seu organismo está se adaptando à fertilidade”, explica Heloisa, acrescentando que, se essa irregularidade é causada por alguma alteração nos ovários, por exemplo, mais do que se aplicar um medicamento que bloqueie a sua ovulação, é preciso que sejam descobertas as causas dessa alteração. Nesse sentido, o Cenplafam recomenda que o reconhecimento da fertilidade comece já no início da vida fértil da mulher, pois, quando mais cedo ela conhecer o seu corpo, mais condições ela terá de lidar com sua fertilidade.


“Na faculdade, estudamos todos os métodos anticoncepcionais convencionais, e estudamos também a fisiologia da mulher baseada nesses métodos. Nunca pensamos nas alterações dos hormônios na mulher como algo que favoreça para a gravidez, mas apenas algo que evite”, comenta Karina.


Heloísa saliente que “o MOB não é um método contraceptivo, mas um estilo de vida, que transforma o casal e a família, dando condições para que, de forma livre, generosa e responsável planeje sua família”. Deve-se levar em conta que o uso do método também não exclui o acompanhamento médico da mulher.


Mais intimidade – A consciência da fertilidade ajuda a amadurecer o aspecto afetivo-sexual do relacionamento. “Um casal, ao saber que está no período fértil, se pergunta, ‘este é o momento da nossa vida para isso? Estamos prontos para isso?’ A partir do momento em que eles pensam assim, irão refletir se é o momento de um ato conjugal”, ressalta Heloísa, destacando que o método proporciona uma vivência consciente da castidade.


Bruno garante que graças a essa vivência do casal durante o namoro, hoje ele conhece sua esposa melhor. “Eu sei muito bem quando ela está mais sensível, precisa mais da minha atenção. Até no beijo é possível saber como ela está fisicamente e emocionalmente. Aprendi a respeitar e valorizar o que ela tem de mais íntimo e aprender a lidar com isso. Eu conheço mais a Karina como pessoa.”

 

 

Infográfico

  • Logo após a menstruação, não há formação de muco na vagina. Entretanto, ele vai surgindo no decorrer dos dias. Primeiramente, em pouca quantidade e, depois, em maior quantidade e também mais espesso. Esses são os períodos próximos à ovulação: fase mais fértil do ciclo menstrual, que ocorre na metade desse período.
  • Quando este evento ocorre, ela tem uma sensação de umidade na região vaginal e o muco apresenta aspecto e consistência de clara de ovo.
  • O padrão de fertilidade é um padrão que muda. O padrão de infertilidade é um padrão sem mudanças. Estes dois são consequências de padrões hormonais que controlam a sobrevivência dos espermatozoides no interior da mulher e a concepção e, portanto, proporcionam informação confiável para conseguir ou espaçar a gravidez.

 






Fonte: Família Cristã 926 - Fev/2013
Postado por: Família Cristã




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