Concílio Vaticano II

Data de publicação: 09/04/2013

Por Dom Luiz Demétrio Valentini*



A preparação do Concílio Vaticano II contou com a participação de todos os bispos do mundo, dos reitores de universidades católicas e dos superiores gerais de congregações religiosas com mais de mil membros.


Em outubro de 2012 se completam 50 anos da abertura oficial do Concílio Vaticano II, acontecida em 1962. A celebração do jubileu apresenta-se como preciosa oportunidade para recuperar a memória deste acontecimento tão importante para a Igreja em nosso tempo, e para retomar o processo de renovação eclesial que ele desencadeou.

Um primeiro aspecto importante já foi identificado. Não se entende o Concílio sem o contexto eclesial que o precedeu. As décadas anteriores ao Concílio foram marcadas por intensa vivência eclesial, que se expressava, sobretudo, por movimentos que marcaram época, como a Ação Católica, e encontraram depois no Concílio o ambiente ideal para a consolidação dos valores que cultivavam.

A proposta de um concílio ecumênico encontrou a Igreja, providencialmente, preparada e disposta a assumir organicamente muitos valores eclesiais que se estavam manifestando, mas que ainda não tinham encontrado o seu espaço adequado.

Depois de 50 anos do Concílio, é importante fazer esta constatação: o Vaticano II foi uma surpresa para a Igreja, mas na verdade essa surpresa foi produzida pela própria caminhada eclesial em nosso tempo, que tinha encontrado no pontificado de Pio XII a sua expressão mais completa.

O Concílio, portanto, não foi um fato estranho para a Igreja. Ao contrário, podemos agora identificar com clareza o processo eclesial que o precedeu e motivou. Prosseguindo agora a empreitada de “revisitar o Concílio”, para conferir como ele aconteceu, convém lembrar o intenso envolvimento eclesial, que foi se desencadeando rapidamente, a partir do seu anúncio, acontecido no dia 25 de janeiro de 1959, até a abertura oficial, ocorrida em 11 de outubro de 1962.

Foram quase quatro anos de intensa atividade e de firme determinação para viabilizar o sonhado Concílio Ecumênico, cuja causa ia envolvendo sempre mais todas as esferas da Igreja.

Comissão Antepreparatória – O processo era conduzido firmemente pelo papa João XXIII, que demonstrava serenidade em tomar as providências de organização do Concílio, mas, ao mesmo tempo, transmitia o sentimento da urgência em consolidar o processo conciliar, de modo a torná-lo irreversível, também em vista de sua idade avançada, fato que servia de evidente estímulo para concatenar as iniciativas.

Já em maio de 1959, no dia de Pentecostes, João XXIII anunciava a criação da “Comissão Antepreparatória”, incumbindo-a de tomar as primeiras providências de preparação efetiva do Concílio.

Foi a primeira vez, na história da Igreja, que um concílio foi convocado sem ter um problema concreto a resolver. Era, então, necessário identificar os assuntos que deveriam fazer parte do Vaticano II. Esta foi a incumbência confiada à Comissão. Então, ocorreu o primeiro fato que iria compor o clima de abertura e de participação que caracterizaria esse Concílio. A Comissão, em vez de ela mesma elencar os assuntos ela mesma, teve a feliz ideia de pedir a opinião de todos os bispos do mundo, dos reitores de universidades católicas e dos superiores gerais de congregações religiosas com mais de mil membros.

No mês de junho de 1959, a Comissão enviou a esses destinatários uma carta pedindo sugestões. E elas chegaram em abundância. Houve 1.998 respostas, numa porcentagem de 77% dos destinatários, índice que demonstrou o grande interesse suscitado pela proposta conciliar.

Recolhidas as respostas, estas resultaram em 12 volumes, contendo 10 mil páginas. Já no seu início, o Vaticano II tinha desencadeado sua verdadeira dimensão ecumênica. De tal modo que havia abundante material a ser analisado para dele explicitar os assuntos a serem analisados pelo Concílio.

Comissões Preparatórias – Para isto era preciso distribuir tarefas. Foi o que fez o papa João XXIII, ao criar, no dia 6 de junho de 1960, as “Comissões Preparatórias”, que seriam presididas pela “Comissão Antepreparatória”, transformada agora em “Comissão Central” de preparação do Concílio.

Estava desencadeado o processo. As Comissões começaram logo a trabalhar, dedicando-se com constância à tarefa recebida. Tanto que produziram nada mais nada menos do que 75 “esquemas preparatórios”, que foram colocados à disposição do Concílio, quando começou oficialmente o seu trabalho.

De tal maneira que, já no ano seguinte ao início do trabalho das Comissões, no Natal de 1961, o papa pôde convocar oficialmente o Concílio, pela bula Humanae Salutis, estabelecendo que começaria, em 1962, em data ainda a ser indicada. Depois foi confirmado o dia 11 de outubro de 1962.

Tudo somado, é preciso enfatizar: o Concílio envolveu toda a Igreja, de maneira intensa, consciente, organizada, responsável. Este vasto e profundo acontecimento merece agora nosso apreço e nossa atenção.

Concílio em datas

Esquematizando as datas, percebe-se os passos rápidos e firmes da Igreja, conduzida por João XXIII, em direção ao Concílio Vaticano II:
25 de janeiro de 1959 , anúncio do Concílio
Maio de 1959 , no dia de Pentecostes, criação da “Comissão Antepreparatória”
Junho de 1959: envio da carta-consulta a todos
6 de junho de 1960: criação das “Comissões Preparatórias” e constituição da “Comissão Central”
Natal de 1961: convocação oficial do Concílio – bula Humanae Salutis
11 de outubro de 1962: abertura solene do Concílio Vaticano II

* Dom Luiz Demétrio Valentini é bispo de Jales (SP). Participou da 4a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano em Santo Domingo (República Dominicana), em 1992; do Sínodo Especial da América, em 1997; e da 5a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, na cidade de Aparecida (SP), em 2007.




Fonte: Família Cristã 914 - Fev/2012
Postado por: Família Cristã




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