A criança cresceu

Data de publicação: 10/04/2013

O adolescente que durante a infância manteve com os pais um vínculo e relacionamento adequado, com afeto, segurança, limites e valores, tende a apresentar uma adolescência mais tranquila

Por Thiago de Almeida*

Muitas pessoas confundem adolescência com puberdade. Em linhas gerais, a puberdade é o período do desenvolvimento humano que ocorre a partir da primeira década de vida. É caracterizado pelas transformações físicas e biológicas, como a aquisição de caracteres sexuais secundários, como mudanças de voz, pigmentação dos pelos axilares e do rosto, no caso do gênero masculino. Nas meninas, a primeira menstruação e o desenvolvimento de mamas. No corpo dos meninos e meninas que levarão a criança a se tornar adulta, acrescida da capacidade de reprodução.

A adolescência é o período que ocorre por volta dos 12 anos até a segunda década da vida, uma transição entre a infância e a fase adulta. É também um notável período de desenvolvimento social e pessoal, para além das modificações físicas que acompanham a puberdade. Enquanto o fenômeno da puberdade é universal, considerando-se, claro, a diferença individual de cada ser humano, a adolescência pode ser considerada um recente produto ocidental e relacionado aos valores de cada cultura. Para ilustrar: um adolescente japonês da contemporaneidade, não pode ser comparado a um adolescente paulistano da década passada e nem mesmo dessa década. Dessa forma, independentemente da idade que são iniciadas ou concluídas as mudanças corpóreas, o processo de crescimento físico, que ocorre na puberdade, apresenta o mesmo perfil para os diferentes indivíduos, isto é, todas as pessoas são normais do ponto de vista maturativo e há muitas maneiras de ser normal.

Preparação para a vida adulta − O fenômeno da adolescência pode ser analisado sob os mais variados prismas, na tentativa de se compreender melhor a dinâmica envolvida na mesma, pois se faz necessário compreendê-la no âmbito de uma totalidade, pois não se pode compreendê-la estudando separadamente os aspectos biológicos, psicológicos, sociais ou culturais. De um modo genérico e pouco representativo, a adolescência é vista como um período preparatório para a fase adulta, pois, seguramente, esta fase não é apenas um momento de iniciação para a vida adulta, muito menos, um instante de recapitulação da infância passada, de toda a experiência acumulada e agora posta em ordem.

Por se tratar de uma fase difícil para os adolescentes, é importante que haja compreensão por parte de pais, professores e outros adultos. O acompanhamento e o diálogo neste período são fundamentais. Em casos de mudanças severas, comportamentais ou biológicas, é importante o acompanhamento de um médico ou psicólogo. Por vezes, com a boa intenção de educar, pais e professores se tornam muito rígidos e exigentes com os jovens que então se afastam pela própria característica da idade de não tolerar a sensação de serem dominados. Os pais podem não perceber, não reconhecer ou não aceitar as dificuldades emocionais em seus filhos, o que retardará frequentemente a atenção ao problema.

O histórico anterior do adolescente, sua infância, determina basicamente o que vai ocorrer nesta fase da vida. O adolescente que durante a infância manteve com os pais um vínculo e relacionamento adequado, com afeto, segurança, limites e valores, tende a apresentar uma adolescência mais tranquila.

É bom que os pais procurem observar como está se desenvolvendo a sexualidade dos seus filhos. Esse é um assunto embaraçoso para a maioria dos adolescentes. No entanto, é bom também que procurem entender que filhos adolescentes têm necessidade de conversar sozinho com seus amigos e até profissionais especializados – médico, psicólogo – acerca desse assunto, o que não significa que os pais serão excluídos do processo de crescimento, mas que o jovem terá espaço e privacidade para manifestar seus receios e esclarecer suas dúvidas num ambiente onde procura ser acolhido no momento e da forma que achar mais apropriada.

Não compare seus filhos entre eles e com filhos dos outros. Comparação gera competição. Cada filho possui suas virtudes e suas dificuldades. E, acima de tudo, os pais não devem ter medo de impor limites. Como encaminhamento para a prevenção, vale a pena lembrar que a disciplina e os limites, embora necessários também para os jovens, são basicamente tarefas a serem desenvolvidas por pais e educadores com maior ênfase na infância. Para finalizar, vale a pena reforçar algumas características do adolescente e a atitude preferencial a ser mantida por pais e educadores. Regras claras e ponderadas são fundamentais para a incorporação de uma disciplina saudável.

Não compare seus filhos com filhos dos outros, comparação gera competição, cada filho tem suas virtudes e suas dificuldades. E, acima de tudo, os pais não devem ter medo de impor limites

* Thiago de Almeida é psicólogo, mestre pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), professor universitário e consultor para os temas: amor, relacionamentos amorosos, dificuldades em relacionamentos amorosos, ciúme, timidez, problemas sexuais.




Fonte: Família Cristã 918 - Jun/2012
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Um gigante no sertão
Estátua dedicada a padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), completa meio
Um olhar que viu
Tatiana Belinky, nome importante no mundo da literatura no Brasil, celebra centenário de nascimento.
Marco Frisina no Brasil
O Brasil recebeu a visita do Monsenhor Marco Frisina, compositor e Maestro de música Sacra
Os doze profetas que encantam
As esculturas de Aleijadinho, em Congonhas do Campo (MG), fazem parte do maior museu a céu aberto
Arte e natureza
Visitantes têm experiências múltiplas em um dos maiores centros de arte contemporânea a céu aberto do mundo
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados