A Mulher do perdão

Data de publicação: 15/05/2013

Por Simone Ramos, especial de Cássia,  Itália


No dia 22 de maio se celebra o dia da esposa, mãe, viúva e depois religiosa Santa Rita de Cássia, que se tornou popular pela sua intercessão em casos impossíveis

Cássia, em italiano Cascia, uma cidade italiana da região da Umbria, província de Perugia, com cerca de 3.250 habitantes. Hoje é conhecida como a cidade de Santa Rita de Cássia.  A casa natal da então Margherita Lotti, que viria a ser Santa Rita, está perto de Cássia, entre as montanhas, em torno de 65 quilômetros da cidade de Assis, região do centro da Itália que deu muitos santos à Igreja: São Benedito, Santa Escolástica, São Francisco, Santa Clara, Santa Ângela, São Gabriel, Santa Clara de Montefalco, São Valentim.

Ao chegar ao vilarejo, nota-se uma atmosfera de silêncio e de paz que envolve quem se aproxima. Todos os olhares se voltam para a Basílica de Santa Rita de Cássia, local em que se encontram o corpo da santa e o Mosteiro das Monjas Agostinianas, morada de Rita por 40 anos. A simplicidade do local contribui ainda mais para a oração. O interior da basílica preserva a beleza artística e, naturalmente, leva à contemplação.

Tudo isso faz pensar na vida de Rita de Cássia. Uma jovem que aprendeu a amar o esposo mesmo diante das diferenças que entre eles existiam. Afinal, na visão do seu esposo, o fraco sempre é vítima do mais forte. Uma filha que aprendeu a rezar com seu pai e ouviu mais de uma vez de sua mãe: “Não julgue! Perdoe! Ame!”.

Esse testemunho vindo de seus pais foi decisivo na maneira como ela foi tomando as decisões de sua vida, como foi compreendendo o mundo ao seu redor e enraizando a sua fé na pessoa de Jesus Cristo.

Como mãe, Rita continuou colocando em prática seus valores, confiante de que seus filhos teriam outra personalidade, diferentemente da família do pai, pois almejavam poder, domínio e honra. De acordo com a história, o esposo de Rita foi assassinado e, para não ver os filhos vingarem sua morte, suplicou a Deus que os levasse para junto d’Ele.

O sofrimento desses acontecimentos podem ter ferido seu coração, mas não o suficiente para a impedir de continuar amando e servindo. Após o necessário período de luto, Rita tornou-se monja e, mais do que nunca, se dedicou exclusivamente ao amor a Jesus Cristo e ao próximo até o fim de sua vida.

De geração em geração, ela foi sendo reconhecida como a Santa das Causas Impossíveis, e muitas são as pessoas que devotam a ela suas preces, pedindo sua intercessão junto a Deus.

Essa santa, que tão bem conheceu a realidade humana, e saboreou internamente as dificuldades e as alegrias do casamento, da maternidade, da vida religiosa monástica, lança agora sobre nossas famílias uma pista de como podemos fortalecer os vínculos nas relações entre pais e filhos, entre casal, nas comunidades, na vida eclesial e social.

Ainda que a paciência e a resiliência para enfrentar os problemas sejam elementos pouco vistos nos relacionamentos atuais, uma pausa para reflexão pode salvaguardar muitos matrimônios. O diálogo nunca foi tão necessário, embora os discursos sejam muitos. A família precisa encontrar seu ponto de consenso, seu equilíbrio, um “lugar” para chamar de seu, para reunir e congregar. A doação e a postura de escuta esclarecerão as diferenças, outrora intermináveis, mas que por agora podem ser vistas apenas como maneiras de se exprimir sentimentos, ações, jeito de pensar diferente.





O perdão na família

Numa entrevista exclusiva com madre Maria Rosa, Priora das Agostinianas, do mosteiro onde viveu Santa Rita, a madre ressalta que o maior ensinamento que Santa Rita deixa às famílias é o perdão. Afinal, até o assassino de seu esposo foi por ela perdoado. Certamente para o relacionamento entre a família, o exercício do perdão se dá no cotidiano, nas pequenas e grandes coisas que, se não trabalhadas, podem virar um amontoado de rancores, ódio, vingança...

Interrogada sobre o cultivo do silêncio numa sociedade ruidosa, madre Maria Rosa foi direta, “é fácil desligar os aparelhos que produzem som e até ficar calado”, salienta. Para ela, o desafio consiste em “acalmar o interior para ouvir Deus que constantemente fala e quer um pouco de nossa atenção”. Segundo a priora, aí está segredo: o silêncio do coração, prática que deve ser constante para acalmar todos os desafetos que nascem a partir do egoísmo ferido e que gera a raiva, o ciúme e o desamor.

Madre Maria chama a contemplar cenas em família: “Já imaginaram o filho que observa os pais serenos, em oração ou conversando amigavelmente sobre as atividades do lar, contas a pagar e todas as implicações do cotidiano? Pais que pedem e dão a palavra e verdadeiramente escutam o que está sendo dito? Esse é outro elemento que podemos cultivar no ambiente familiar, lembrando que uma atitude pode cativar e convencer muito mais do que palavras. Essa postura ficará marcada como um registro e, constantemente, determinará as ações dessa criança, constituindo sua identidade jovem e sua personalidade adulta”, alerta a priora agostiniana.

Associar a figura de Santa Rita à realidade das famílias de hoje soa um tanto distante, contudo, ela pode iluminar muito. Os problemas de uma família com certeza mudarão de endereço, mas relacionamentos sempre carregam os mesmos dilemas e precisam ser encarados com honestidade, amor e respeito.

A monja Maria Rosa, afirma com convicção de que o estilo de vida de Santa Rita envolve jogar luzes plenamente à vida hoje. Diz ainda que há uma vocação comum para todos: a santidade, essa compreendida por Santa Rita desde o princípio de sua vida. Ela continua afirmando que não há um estilo de vida que não se possa viver a santidade e que Deus oferece todas as oportunidades para alcançar esse objetivo. “Se o Senhor pedir alguma coisa para você faça porque Ele é muito mais generoso do que se possa imaginar”, conclui a religiosa.

Ainda na Basílica de Santa Rita, soubemos que o maior milagre que ocorre em Cássia é o da reconciliação. A procura por esse sacramento é tanta que, no subsolo da basílica, se encontra uma sala espaçosa reservada para o atendimento pessoal dos cristãos que chegam e decidem fazer um exame de consciência, pedir perdão e recomeçar a sua jornada. Sem dúvida, essa é a maior graça que Rita pode nos conceder, o de nos tornar sensíveis ao divino que habita em nós, que se manifesta na natureza e no rosto de nossos amados familiares. Santa Rita, ensina-nos a viver uma vida com mais sabor, mais sentido, mais abundância.




Fonte: Família Cristã 929 - Mai/2013
Postado por: Família Cristã




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