Formação litúrgica

Data de publicação: 10/07/2013

Frei Luiz Turra*

Sacramento e Sacramentos

No imaginário popular, quando se fala em sacramento, de imediato se pensa nos sete Sacramentos da Igreja, ou em algum Sacramento específico, como o Batismo, a Crisma, a Eucaristia etc... A prática religiosa católica está marcada por uma tradição de raiz que se identifica fortemente em torno da busca dos sete Sacramentos. Esta realidade não deixa de ser um valor, porém necessita, sempre mais, ser permeada pela evangelização e um processo de formação. Mesmo pessoas iniciadas custam entender que antes dos sacramentos existe O Sacramento.

Cristo, sacramento fonte − Deus Pai sacramentou seu amor criador e salvador por nós, de modo pleno, em seu Filho Jesus: “Ele é a imagem do Deus invisível, o Primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas... Ele é a Cabeça do corpo, que é a Igreja... Ele é o Princípio... n’Ele habita toda a plenitude” (Cl 1,15-19).

Sabemos que a religião é essencialmente diálogo e relação. No cristianismo, essa relação-comunicação se expressa como adesão à vinda de Deus em nossa direção. Cristo é o centro e a plenitude. Ele é o rosto humano de Deus e o rosto divino dos humanos. É assim que o Cristo se constitui do sacramento primordial do encontro com Deus. Graças aos acontecimentos da Páscoa, Ele se tornou o Sacramento fonte da nossa salvação.

O que Cristo conquistou por meio de sua humanidade glorificada tornou-se graça adquirida, de modo permanente, para toda a humanidade. É aqui que os sete sacramentos da Igreja se tornam atos do Cristo glorioso, invisível em formas visíveis.

Cristo, comunicação perfeita − Por ser Deus e homem simultaneamente, Cristo foi constituído o melhor meio de comunicação e relação entre Deus e nós, nós e Deus. Na sua humanidade está a divindade e na sua divindade está a humanidade. Por ser Deus, Ele revela de modo perfeito os projetos do Pai em relação à vida; por ser homem, Ele nos representa de modo pleno diante de Deus.

Esta comunicação sacramental de Cristo acontece pelo seu ser, porque Ele é... Não veio entre nós como um ilustre representante do Pai: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós e nós vimos a sua glória” (Jo 1,14). “Manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens” (Tt 2,11).

Na eloquente expressão dos gregos que subiram a Jerusalém para adorar a Deus durante a festa: “Queremos ver Jesus!” está presente o desejo mais profundo do coração humano. Felipe e André que estavam com Jesus não frustraram a busca dos gregos. A seu modo os ajudaram a entrar em comunicação com Aquele que veio para ser o Sacramento do encontro com Deus.

A comunicação sacramental de Cristo também acontece por suas ações. Por seus atos manifesta-se o amor e a presença salvadora de Deus, assim como acontece nos milagres e curas, no perdão dos pecados, em dar seu corpo a comer e seu sangue a beber e, sobretudo, no dom de sua vida na paixão-morte e ressurreição. Tudo o que Ele faz vai sacramentando a ação amorosa do Pai, que enviou seu Filho “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10). Quando o povo acompanhou a ação de Jesus junto ao surdo-mudo e presenciou o milagre da cura, exclamou: “Ele fez bem todas as coisas. Fez ouvir os surdos e falar os mudos!” (Mc 7,37). O povo simples, a quem Deus revela seus segredos, logo percebe nos gestos, ações e ritos de Cristo a comunicação de Deus.

Cristo, sacramento do encontro com Deus, também revela a comunicação perfeita, através de suas palavras. Quando os guardas dos sumos sacerdotes foram interrogados, porque não lhes tinham levado Jesus, responderam: “Ninguém, jamais, falou como esse homem” (Jo 7,46). Quando Jesus indagou dos apóstolos, se também queriam deixá-lo, Pedro respondeu: “Senhor, a quem iríamos nós? Só tu tens palavras de vida eterna!” (Jo  6,68). Realmente, em Jesus, a voz da Palavra tornou-se o rosto da Palavra: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...” (Jo 1,14).

Conclusão − Concluindo esta lição básica para a caminhada dos sacramentos, acenamos para o conteúdo significativo do Prefácio do Sagrado Coração de Jesus: Elevado na Cruz, entregou-se por nós com imenso amor. “E de seu lado aberto pela lança fez jorrar, com a água e o sangue, os Sacramentos da Igreja, para que todos, atraídos ao seu coração, pudessem beber, com perene alegria, na fonte salvadora”.

Esta síntese feliz da liturgia da Igreja nos situa de forma clara e precisa diante da missão de Cristo, como Sacramento do encontro de Deus com a humanidade e da humanidade com Deus. Cristo é o Sacramento fonte.

Perguntas
  1. Por que Jesus Cristo é o Sacramento fonte dos demais sacramentos?
  2. Como Jesus se faz Sacramento do amor do Pai por nós?
  3. O que o Prefácio do Sagrado Coração de Jesus nos diz de importante?

* Pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

 




Fonte: Família Cristã 901- Jan/2011
Postado por: Família Cristã




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