Sofrimento, não aceito

Data de publicação: 06/08/2013

Padre Zezinho, scj

Milhões de pessoas aceitam o sofrimento. E se espelham na vida dos mártires que os precederam, principalmente em Jesus de Nazaré, que para os cristãos é o mártir dos mártires. Para eles, Jesus explica a dor. Foram capazes de aceitá-la em virtude do testemunho e da força de Jesus. Mas não acontece com todos. Muitos não conseguem resolver a sua perplexidade diante da dor e da cruz de algum ente querido. É o que levou muitas mães, muitas filhas, muitos filhos e muitos pais a perderem a fé ou a mudarem de religião. Não aceitaram a explicação dada para o sofrimento que tiveram de enfrentar. Nenhuma palavra os confortou.

Uma jovem de 28 anos dizia:

“De agora em diante é Deus lá, onde e se Ele existir, e eu aqui. Porque Ele não fez nada por meu pai. Deixou-o morrer com câncer. Saiba que estou de mal com o seu Deus e para sempre! Já nem me importo se um dia vou vê-lo, ou não. Ele me arrasou juntamente com meu pai. Se era para eu passar por isso preferia não ter nascido”.

Um pai que perdeu a filha por estupro e violência disse a mesma coisa. Não aceitaria mais nenhuma religião na sua vida. Que os pregadores ficassem nas suas Igrejas e o deixassem em paz. Disse que me aceitaria como amigo, mas, por favor, que eu não dissesse baboseiras porque romperia comigo. Deixou claro que o assunto da morte da filha é coisa entre ele e Deus. Garantiu que me ouviria se eu dissesse coisas inteligentes. Falei com ele três semanas depois. Continuamos amigos, mas mandou-me dizer a Deus que há um pai muito zangado com Ele aqui neste planeta!...

Corações feridos – Não adianta brigar ou argumentar, as pessoas têm reação intelectual, afetiva, ou emocional diante da própria dor ou diante das dores do mundo. E, como foram ensinadas que Deus se importa, evidentemente para eles, Deus não se importou.

Se Deus que é poderoso não fez nada, quando poderia fazer, então Deus é omisso. Não querem saber do plano de Deus ou do lado bom de qualquer dor. Não aceitam o discurso. Para eles, a dor está por toda a parte e é algo ruim.
Nessas horas, o melhor que podemos fazer é estar presentes, evitar palavras ingênuas e ser solidários.  Num outro momento talvez eles mesmos queiram falar. Mas a pior alter-ajuda que se pode oferecer a um desses corações feridos são os clichês de sempre. Cuidado com o “Deus quis”, “Deus sabe o que faz”. 

A melhor expressão, usou-a uma senhora idosa no velório da jovem filha de uma parenta sua. Disse ela: “Não vou arriscar nenhuma palavra para consolar a sua dor. Mas, se você me aceitar aqui perto e chorando junto, eu fico! Do meu jeito pequeno, eu vou rezar por ela que partiu e por você que fica! 

Ganhou um beijo e deu dois!

“No sofrimento, o melhor que podemos fazer é estar presentes, evitar palavras ingênuas e ser solidários.”

*Escritor, compositor e cantor.




Fonte: Família Cristã 903 - Mar/2011
Postado por: Família Cristã




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