Música eterna

Data de publicação: 20/08/2013

Jucelene Rocha

Artistas que embalaram multidões há décadas continuam a fazer sucesso com músicas que preservam a memória nacional e familiar
 
O Brasil de todas as raças é também o País de todos os ritmos. Das combinações culturais que hoje dão identidade ao povo brasileiro surgiram movimentos musicais que há décadas inspiram e integram a vida de muitas gerações.
Na origem de movimentos, só para citar alguns exemplos, como o Modernismo, que inspirou o aspecto nacionalista da música de Heitor Villa-Lobos, a Jovem Guarda, que fez nascer eternos ídolos populares como Erasmo e Roberto Carlos, o Tropicalismo de Gilberto Gil e Caetano Veloso, a música irreverente dos Novos Baianos, e da Bossa Nova com todo seu charme, estão histórias de jovens e adultos que encontraram na arte musical uma maneira de traduzir dos mais nobres sentimentos humanos à mais ácida ou dissimulada  contestação.

Talento e militância − Talvez por essa capacidade de traduzir artisticamente os elementos que nos identificam como pessoa que ama, sofre, sente alegria, deseja com esperança pelo que virá e jamais desiste de sonhar, esses artistas nunca deixaram de acompanhar todas as gerações que vieram depois deles.

Há 30 anos o Brasil perdeu Elis Regina, mas não perdeu o legado de seu repertório e militância artística. A Pimentinha, como carinhosamente e de maneira sintomática foi alcunhada por Tom Jobim, entrou para a história de milhares de brasileiros que viram ecoar da voz marcante de Elis o grito que era comum a todos eles, especialmente no período mais severo da Ditadura Militar.

Para a desenhista e projetista Maristela Matos de Castro e Silva, 54 anos, a cantora gaúcha ainda hoje encanta o Brasil e o mundo pela inconfundível e apaixonada interpretação que aplicava a cada canção. “A interpretação de Elis é inconfundível. Ela passa da emoção à alegria com a maior facilidade em suas músicas. Assim como impressiona a capacidade de emprestar a voz aos diversos gêneros musicais que cantou”, conta. Como fã, Maristela destacou ainda a generosidade da cantora. Ao contrário do que de modo geral acontece, “não foram as músicas que deixaram nossa pimentinha famosa, mas sim a cantora que revelou muitos compositores”. De fato, Elis Regina deu visibilidade a diversos artistas hoje consagrados, como Milton Nascimento, Renato Teixeira, João Bosco e Ivan Lins, dentre outros.

Entre os sucessos da jovem cantora, Maristela destaca como sua predileta a canção O bêbado e o equilibrista e recorda que a admiração pela artista começou a partir do sucesso e popularidade dos festivais de Música Popular Brasileira, que embalaram as gerações das décadas de 1960 a 1980. “Cresci ouvindo várias pessoas cantarem Elis, porque na época dos festivais eu era criança. Com o tempo e com o videoteipe, acredito que a maioria dos fãs de hoje se tornaram admiradores da mesma forma, fui criando uma consciência musical do que era bom e o que não era.”

Herança familiar
− O jovem músico Márcio Lugó, 28 anos, aprendeu a gostar de Música Popular Brasileira com a mãe e, na memória, trás a recordação do repertório musical das viagens da família entre São Paulo e Rio de Janeiro. “Hoje lembro que, quando tinha uns nove anos e viajávamos de carro, o repertório era pautado por minha mãe, que gosta de Chico Buarque e Caetano Veloso, e foi dessa maneira que acredito ter também selecionado o meu gosto musical. A partir dessas memórias”, conta o músico.

Como músico, Lugó destaca as mudanças que se estabeleceram no cenário musical com a grande comercialização do rádio, mas diz acreditar que ainda temos grandes intérpretes e compositores.  Segundo ele, a diferença está apenas na dificuldade que enfrentamos para garimpar talentos. “Nossa geração hoje, se realmente quer ouvir música de qualidade, tem que ir atrás, antigamente não, Elis Regina, Chico Buarque, Nara Leão tocavam no rádio pra quem quisesse ouvir, quer dizer, o acesso era mais facilitado, a indústria fonográfica ainda deixava espaço para a emergência de talentos genuínos e eles apareciam e agradavam. Hoje ficamos com a qualidade e a seleção musical que as emissoras querem oferecer”, desabafa o músico.

Opinião compartilhada pela mineira de Borda da Mata, Maristela Matos de Castro e Silva, que recordou os talentos regionais que não encontram espaço na grande mídia. “Acredito que existam muitos bons músicos, mas que ficam confinados em suas cidades ou região e não encontram espaço de expressão nas mídias tradicionais. Aqui mesmo em minha região temos excelentes músicos. Se os festivais voltarem estas expressões da música voltam a aparecer”, conta Maristela.

Novas conexões − Para o paulistano, Márcio Lugó, as novas gerações conseguem se identificar com artistas consagrados de pelo menos 30 anos atrás porque estes compositores, músicos e intérpretes produziam um conteúdo atemporal. “Grande parte do som que eles faziam ouvimos hoje e achamos supercontemporâneo. Mesmo com os limites técnicos de gravação, a qualidade da composição é insuperável não só pelas características musicais, mas, também, pela letra dessas músicas, e assim a gente consegue entrar na mesma conexão e continuar curtindo o som, que tem a idade de nossos pais ou nossos avós.”

Como forma de expressar a paixão pela música que embalou a geração de seus pais, junto com a cantora Bárbara Marques, Márcio Lugó realiza atualmente uma turnê de shows em homenagem aos 70 anos de Jorge Ben, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Admiração compartilhada − A pedagoga Tânia Milani, 49 anos, fã de Roberto Carlos desde que começou a ouvir suas canções na rádio, herdou do avô Ozório Vieira Sandes a paixão pelo rei. “Sempre via meu avô empolgado com as músicas do rádio e uma delas me chamou a atenção: era a música Agora eu sei. O Roberto é eterno porque canta sentimentos bons, a beleza humana, a natureza, o verdadeiro amor. Canta o poema da vida”, conclui.
Para comemorar o aniversário de 50 anos no dia 15 de maio, Tânia Milani, que sempre compartilhou a admiração por Roberto Carlos também com o tio Edvaldo Vieira Sandes, está preparando uma festa temática que promete muitas emoções.

Em uma época que se tornou comum a ênfase no chamado conflito de gerações, ao que tudo indica, quando o assunto é música não há conflito só gratidão, aprendizado e vontade de não perder a herança recebida pelos nossos pais.




Fonte: Família Cristã 916 - Abr/2012
Postado por: Família Cristã




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