Criatividade, sempre

Data de publicação: 30/08/2013

Antônio Edson



A terceira idade pode ser a fase mais criativa de nossas vidas. Para isso é preciso ter disposição e principalmente, fazer aquilo de que se gosta.

Goethe tinha 82 anos quando pôs um ponto final no seu monumental poema Fausto. Miguel Cervantes só deu por concluído o Dom Quixote aos 68. Ticiano, o pintor, produziu um de seus quadros mais notáveis, A batalha de Lepanto, aos 98. Michelangelo tinha 78 quando projetou a grande cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. José Saramago escreveu sua última obra, A viagem do elefante, entre 2006 e 2008, com mais de 84. Em 2008, aos 78, Clint Eastwood tornou-se o ator mais velho a obter um primeiro lugar nas bilheterias dos Estados Unidos com Gran Torino, filme que também dirigiu. Paul McCartney, Eric Clapton, Mick Jagger, Chico Buarque, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Roberto Carlos e Erasmo Carlos estão bem perto ou já passaram – alguns até com folga – dos 70 anos e continuam compondo, criando e atuando. Se eles podem chegar tão longe em suas atividades, nós também podemos?

Sim! Basta que, a exemplo desses profissionais, concentremos nossa proposta de longevidade ocupacional no tripé disposição, saúde e motivação. Ninguém duvida que ter isso, fazer o que se gosta e receber uma recompensa justa pelo trabalho é um passo rumo à realização. Na terceira idade, com alguns problemas materiais presumivelmente resolvidos – os filhos criados, por exemplo –, a recompensa financeira pode, eventualmente, ter um peso menor. Se esse for seu caso, a dica é pôr em ação planos que esperavam uma chance para ser realizados: um curso, uma viagem ou uma vocação de artista que passou anos sufocada. “O destino mais impróprio a dar à existência, uma vez concluído o ciclo profissional, é abrir mão dos planos pessoais” – confirma o terapeuta e bacharel em Filosofia Amélio Lapenta. “Um labor desenvolvido com gosto, artístico ou não, contribui para aumentar a concentração e a autoestima. Em alguns casos, ajuda a preservar a coordenação motora fina, importante para atividades indispensáveis, embora simples, como escovar os dentes e pentear os cabelos” – arremata.

Sempre aos sábados – A viúva e pensionista Ayako Sato, 67 anos, 6 filhos, 22 netos e 1 bisneta, aprendeu essa lição. Depois que passou a morar sozinha, preencheu a vida com diferentes atividades. Aprendeu crochê, bordado e pintura sobre tecido no Clube de Mães, que, fundado há 14 anos, funciona no Centro de Promoção Humana Irmã Tecla Merlo, no bairro do Grajaú, em São Paulo (SP). Naquele local, ela se encontra com outras 40 senhoras, a maioria com mais de 50 anos. “Venho aqui três vezes por semana e, se pudesse, viria mais. É uma boa distração e uma forma de fazer amizade. Quanto às peças que aprendi a fazer, se não são para uso próprio eu doo a um asilo” – diz Ayako, que teve entre suas professoras Adelina Machado, responsável pelo Clube de Mães. “O objetivo é proporcionar uma atividade de integração social e, se possível, alguma renda ao público da terceira idade que vive no Grajaú. As aulas e o espaço são gratuitos, mas a tinta e os demais materiais ficam por conta dos participantes” – afirma Adelina.

Um dinheirinho a mais decididamente não faz mal às mães. “Frequento o Clube há quatro anos, onde aprendi tudo sobre pintura em tecido e já peguei encomendas. Faço fronhas, lençóis, toalhas de banho, fraldas etc. Sempre é um reforço para o orçamento” – avalia Marielza Nascimento. As mães do Clube ainda fazem bonito se a necessidade é presentear. “Quando não tenho dinheiro para comprar um presente, faço um caminho de mesa caprichado ou um jogo de panos de prato personalizado. As pessoas ficam felizes” – comenta Josileide Oliveira, 53 anos. Mas a maior felicidade, sem dúvida, é quando as mães se descobrem capazes de aprender a produzir algo belo já na maturidade. “Há sete anos, não sabia segurar um pincel. Agora risco os tecidos, os pinto e o resultado é vendido” – admite a diarista Neusa Miranda, 55 anos. “Por isso, nos sábados em que falto ao Clube, parece que perdi a semana, falta alguma coisa em minha vida” – avalia Marilene Torres, 56 anos. “Passei por algumas perdas recentes e foi este trabalho que me curou de uma depressão. Aqui, espanto a tristeza” – garante Maria Matias, 49 anos.




Fonte: Família Cristã 913 - Jan/2012
Postado por: Família Cristã




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