Primeiros Passos

Data de publicação: 06/12/2013

Por Sergio Esteves

Uma geração de Marias missionárias foi uma das primeiras divulgadoras da REVISTA FAMÍLIA CRISTÃ pelo País

Aos 88 anos, a catarinense Iverilda Lopes, nascida no município de Lages, utiliza um andador para se locomover pelos corredores e aposentos da comunidade religiosa onde mora, a Cidade Regina, uma das primeiras casas das Irmãs Paulinas do País, localizada no quilômetro 19 da rodovia Raposo Tavares, em São Paulo (SP). Ali, entre outras 30 irmãs, Iverilda é chamada de Maria Vicentina, nome adotado aos 21 anos, quando fez sua primeira profissão religiosa. Na ocasião, 17 de fevereiro de 1946, ela e outras sete adolescentes deram início à chamada Geração das Marias, surgida por uma iniciativa dos fundadores da Congregação da Pia Sociedade Filhas de São Paulo, o bem-aventurado padre Tiago Alberione e a irmã Tecla Merlo, primeira superiora geral da Congregação. Na primeira vez em que ambos estiveram no Brasil, eles participaram da celebração em que as oito jovens receberam os distintivos de irmãs – uma Bíblia em forma de cruz – e se tornaram oficialmente, e para sempre, Filhas de São Paulo, ou Irmãs Paulinas.

A história em comum dessas Marias, na verdade, começou a ser escrita na primeira metade dos anos 1940, quando as oito meninas, guiadas pelas primeiras missionárias paulinas que visitavam suas cidades, chegaram a São Paulo, vindas de diferentes cantos do País e determinadas a seguir uma mesma vocação religiosa. Assim, com Maria Vicentina, vieram Maria Atília Meneguzzi, 87 anos, de Antônio Prado (RS); Maria Edwiges Nuremberg e Maria Angélica Michels, ambas de 87 anos e de São Bento Baixo (SC); Maria Filipina Gigliotti, 89 anos, de São Carlos (SP); Maria Ana Santi, 86 anos, de Cambará (PR); e Maria do Carmo Bueno, 89 anos, de Fartura (SP), além de Maria Pedrina Camargo Pires, falecida em 2011, aos 87 anos. Marias demais? Não o suficiente para satisfazer a necessidade de agradecer a Deus do padre Alberione. “Ele quis que todas nós tivéssemos o nome da mãe de Jesus como forma de agradecimento pelas comunidades da Congregação, na Europa, não terem sofrido danos em consequência da Guerra Mundial que então tinha terminado recentemente”, recorda a memória afiada de irmã Maria Vicentina.

Como os apóstolos – Coincidência ou não, todas as Marias entraram na Congregação quando o conflito não dava sinais de terminar. Maria Atília, por exemplo, nascida como Rosa Meneguzzi, ingressou em 25 de março de 1942, ano em que o Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) e teve pelo menos 18 navios mercantes e de passageiros torpedeados pelas forças inimigas. “Não tinha ainda completado 16 anos quando as irmãs Cristina Leonardi e Priscila Zuchetto chegaram em casa e eu disse a meus pais que queria ser missionária. O que não demorou. Fui embora com elas e antes de chegar a Porto Alegre levamos 30 dias fazendo missão pelas cidades do interior, que consistia em oferecer Bíblias, livros, assinaturas da Revista Família Cristã e arrebanhar vocações. Fizemos isso por 40 anos e com muito amor”, lembra irmã Maria Atília, hoje vivendo na mesma comunidade – Curitiba (PR) – de sua contemporânea, irmã Maria Angélica, e da irmã Priscila Zuchetto, a mesma que a trouxe para a Congregação.

Seja no norte ou no sul do País, a rotina daquelas missionárias Marias não era muito diferente: caminhar, viajar, divulgar e voltar para casa. E, após um breve período de oração e descanso, ganhar novamente a estrada. Em duplas, como os apóstolos faziam nos tempos bíblicos, elas se hospedavam em colégios de freiras ou casas de família onde o vigário ou o pároco da cidade indicasse. A primeira regra, aliás, era se apresentar a eles e obter a permissão para visitar as famílias. “A gente saía de manhã, por volta das 8 horas, e voltava no fim da tarde, às 5 horas. Era tempo suficiente para visitarmos cerca de 40 casas. Nossa prioridade era levar a Revista Família Cristã, já naquele tempo o nosso cartão de visitas. Em comparação com a publicação de hoje, era uma revista pequenina e pobre, com apenas duas cores e poucas páginas. Apesar disso, era quase impossível voltar para casa sem fazer várias assinaturas”, relembra a irmã Maria Edwiges.

Aprendizes – “Com algumas exceções, éramos bem recebidas tanto em casas de gente humilde como em casas de gente rica. De modo geral, as famílias nos recebiam com atenção, como se fôssemos o próprio Jesus Cristo entrando na casa delas. Até porque em muitas dessas casas éramos as primeiras religiosas que entravam e isso, o fato de freiras estarem no meio do povo, encantava as pessoas”, afirma a irmã Maria Filipina. E algumas lembranças, por exemplo, ficam gravadas para sempre. “Certa vez, em uma cidade do interior, uma senhora japonesa nos recebeu muito bem e com muita alegria. Pediu que entrássemos e nos apontou um pequeno altar, dizendo que não era católica, mas budista. Para ela, no entanto, isso não tinha importância alguma, pois ela tinha um filho padre. Essas coisas a gente leva pelo resto da vida”, recorda a irmã Maria Atília. “Isso acontecia muito porque quando entrávamos na casa de alguém não íamos com a intenção de ensinar, mas também de conhecer o povo. Em todos esses anos divulgando a Revista Família Cristã, nós aprendemos muito com ele e ainda temos muito a aprender”, avalia irmã Maria Edwirges.




Fonte: Família Cristã 936 - Dez/2013
Postado por: Família Cristã




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