Combate ao HPV

Data de publicação: 30/01/2014

Por Fernando Geronazzo


Após o Ministério da Saúde anunciar que irá oferecer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a vacina contra o papilomavírus (HPV) para meninas, a atenção da sociedade se volta para este vírus, que, embora seja popularmente associado aos homens, traz muitos danos às mulheres, sendo um grande causador de câncer no colo do útero.

Segundo dados do próprio Ministério da Saúde, são registrados, em média, 685,4 mil casos de HPV por ano. O Brasil estima que, em 2013, ocorram 17,5 mil novos casos de câncer de colo do útero, que causa 4,8 mil mortes, em média, por ano. Só de janeiro a março de 2013, foram feitas 5,6 mil internações por câncer nessa região.

O que é – O HPV é um vírus que se instala na pele ou em mucosas e afeta tanto homens quanto mulheres.
Na maioria dos casos, não apresenta sintomas e é eliminado pelo organismo espontaneamente. Entretanto, entre os mais de 100 tipos diferentes de HPV existentes, 30 a 40 podem afetar as áreas genitais de ambos os sexos, provocando diversas doenças, como as verrugas genitais, os cânceres de colo do útero. Além disso, provocam tumores na parte interna da boca e na garganta (orofaringe), tanto benignos quanto malignos.

Para esclarecer as dúvidas da população sobre o vírus, o Instituto do HPV, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (SP), publicou o Guia do HPV, com todas as informações sobre o papilomavírus.

Contágio – A transmissão ocorre por contato direto com a pele infectada. O HPV é altamente contagioso, sendo possível se contaminar com uma única exposição. Toda pessoa que tenha qualquer tipo de atividade sexual, incluindo o contato genital, está propensa a contrair o HPV. Embora seja raro, o vírus pode propagar-se também por meio do contato com mão, pele, objetos, toalhas, roupas íntimas e até pelo vaso sanitário. Como muitas pessoas portadoras do HPV não apresentam nenhum sinal ou sintoma, elas não sabem que são portadoras do vírus, mas podem transmiti-lo.
Segundo o infectologista e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Edson Moreira, mesmo o uso de preservativo não evita totalmente o contágio pelo HPV, que pode ocorrer sem o ato sexual em si, porque o vírus também está na pele da região genital. Calcula-se que o uso do preservativo consiga barrar apenas entre 70% e 80% das transmissões do HPV. “Dessa forma, é muito importante que as pessoas tenham acesso a informações sobre o vírus, fatores de risco e formas de prevenção, tais como a realização dos exames periódicos e vacinas”, explica.

“Em todo o mundo, cerca de 10% das mulheres têm HPV. Entre elas, de 30% a 50% são menores de 25 anos. No Brasil, estima-se que 9 a 10 milhões de pessoas sejam portadoras do vírus e que se registrem 700 mil novos casos a cada ano. Entre a população sexualmente ativa, estima-se que 80% vão contrair HPV durante a vida, causando doenças significativas”, informa a pesquisadora e coordenadora do Instituto do HPV, Luisa Lina Villa.

Diagnóstico e prevenção – A infecção por HPV pode ser detectada por meio de vários exames. O papanicolaou, exame ginecológico preventivo mais comum, detecta as alterações que o HPV pode causar nas células e um possível câncer, mas não é capaz de diagnosticar a presença do vírus. Considerado o melhor método para detectar câncer de colo do útero, identifica entre 80% e 95% dos casos da doença, inclusive nos estágios iniciais. De modo geral recomenda-se que as mulheres realizem o exame anualmente a partir dos 25 anos. Tendo dois resultados negativos, a periodicidade do exame passa a ser a cada três anos.

Existem dois tipos de vacinas contra HPV, aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa. A vacina bivalente protege contra o HPV dos tipos 16 e 18; e a vacina quadrivalente, que será oferecida pelo SUS, protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18.

Como as mulheres, os homens, principais vetores de contágio por HPV, serão infectados durante a vida. A maioria também poderá eliminar o vírus espontaneamente, mas não existe uma forma de se prever quais pacientes o eliminarão ou não. A única vacina indicada para eles é a quadrivalente.

De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina estará disponível em cerca de 5 mil postos, entre escolas públicas e particulares (em forma de campanha) e unidades de saúde, de maneira permanente. A administração será feita segundo a autorização dos pais.

É importante que as adolescentes recebam esquema completo (três doses) da vacina contra o HPV o mais precocemente possível. Contudo, as mulheres em qualquer faixa etária podem se beneficiar com a vacinação, pois elas serão protegidas contra outros tipos de HPV contidos na vacina, uma vez que há o risco de reinfecção com o mesmo tipo de vírus em outros momentos da vida, já que a imunidade natural não é muito eficaz. A vacina oferece imunidade duradoura, protegendo as mulheres da recontaminação.

Tratamento – Não há um tratamento totalmente satisfatório para o HPV. As verrugas genitais externas podem ser removidas por laser, crioterapia (congelamento) ou cirurgia com uso de anestésicos locais. Há tratamentos com substâncias químicas que podem ser diretamente aplicadas nas verrugas. Além disso, existem compostos que estimulam o sistema imune quando aplicados topicamente, com relativo sucesso no tratamento de verrugas.

Luisa Lina Villa, alerta no Guia do HPV, que, mesmo existindo opções de tratamento para os problemas causados pelo vírus, a prevenção é o caminho mais indicado, além de apresentar uma melhor relação custo-benefício. “As verrugas genitais, por exemplo, geram desconforto muito grande e exigem tratamentos prolongados, às vezes dolorosos, além das questões de cunho psicológico, como vergonha e culpa”, diz a especialista. “Ainda mais importante: o tratamento das lesões precursoras de câncer é agressivo e, se feito repetidamente, interfere na fertilidade da mulher. No caso do câncer de colo do útero, pode levá-la até a morte.”

A introdução da vacina quadrivalente contra o HPV no quadro de vacinas oferecidas pelo SUS assinala mais um importante marco na prevenção do câncer do colo de útero, que ao longo dos anos vêm diminuindo, graças às novas técnicas de rastreamento e aos avanços no entendimento, na prevenção e no tratamento da doença.

O Guia do HPV pode ser acessado pelo site www.incthpv.org.br




Fonte: Família Cristã 933 - Ago/2013
Postado por: Família Cristã




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