Mundo digital

Data de publicação: 06/02/2014

Osnilda Lima, fsp

As novas tecnologias fascinam a geração digital, mas escondem perigos. Como acompanhar de forma adequada os filhos? Rosane Silva, mãe de um filho, e Anilson Lima, pai de três filhos, contam suas experiências.

Cedo ou tarde eles terão acesso ao mundo da tecnologia. Como preparar e educar as crianças para essa fascinante e atraente realidade inevitável? Como costumamos dizer, “as crianças hoje parecem nascer com um chip”, dadas a facilidade e a rapidez que lidam com essa tecnologia, e cada vez mais cedo. Não há como pensar a formação, a educação e a cultura contemporâneas sem a dimensão da tecnologia. Quem nasceu antes da década de 1990 é um imigrante digital, e muitas vezes este mundo gera medo. Dessa forma, pais e professores são sempre impelidos a fazer uso dos mesmos recursos tecnológicos utilizados pelos filhos para poder acompanhá-los.

A Revista Família Cristã conversou com Rosane Silva, mãe de Pedro Otávio (12 anos), e com Anilson Lima, pai de Alisson (14 anos), Frederico (7 anos) e Augusto (2 anos), para saber como eles procuram educar e formar os filhos na era da tecnologia e quais suas apreensões. Tanto Rosane como Anilson foram unânimes em afirmar que a preocupação é educar e orientar os filhos para a vida, nos valores, e não somente para situações específicas, como, no caso, o uso das tecnologias.

Negociar a autonomia – “Não posso permitir que um quadrado, no caso a telinha do computador, delimite a educação do meu filho” – enfatiza Rosane. Por isso, procura orientar o filho: “Não privo ele de usar a tecnologia, mas existe um limite. Por exemplo: o acesso à internet não está liberado geral, há senha que delimita até onde ele pode navegar. Negociamos, e ficou definido que ele usa uma hora por dia, até porque em casa temos normas estabelecidas. Ele não ganha mesada, mas recebe pelas tarefas que faz, como arrumar a própria cama, organizar o quarto, tirar o lixo... Ele precisa ter responsabilidades” – diz a mãe.

Rosane conta que o tempo de Pedro Otávio é organizado de forma a ficar preenchido com outras atividades. “À noite, quando eu e o Nilson, meu esposo, chegamos do trabalho, dedicamos um tempo para nós três juntos. Nós não assistimos as novelas, até porque há programas na televisão cujo conteúdo uma criança na idade do Pedro não tem capacidade de filtrar,” – pondera. Ela e o marido incentivam o filho, desde pequeno, a brincar com joguinhos, quebra-cabeça. “Ele gosta muito de jogar Lego. Mas também não compro sempre ou quando ele quer. É um brinquedo caro. Então ele já administra o dinheiro que recebe e vai juntando para comprar” – conta. Esses dias o garoto queria um notebook. E o que fez? “Juntou dinheiro e comprou um a prestação. Ainda está pagando. Comprei em meu nome, mas é ele quem cuida. Quando chega a fatura, ele pega na caixa do correio e me passa já com o dinheiro para eu efetuar o pagamento. Assim vou educando e formando meu filho.” Rosane conta que ela e o marido às vezes “derrapam” na educação do Pedro, mas que, diante dos erros ou quando discordam em algo em relação à educação a ser dada, sempre procuram resolver as discordâncias na ausência do filho.

Entre erros e acertos – Anilson Lima, pai de Alisson, Frederico e Augusto, conta que no nascimento do seu terceiro filho, enquanto aguardava ansioso na entrada da sala de parto, teve tempo de contemplar um quadro com a imagem de uma criança com a seguinte frase: “Quem não tem tempo para os filhos perde os filhos com o tempo”. Ele conta que a frase continua ecoando dentro dele: “Quando vejo meus filhos, que são verdadeiras dádivas, clamando por atenção, com gestos, brincadeiras, mentiras, birras, percebo que é hora de intervir. Preciso aproveitar essas situações para educá-los e formá-los nos valores. Nossos filhos precisam de diálogos sinceros, orientações claras. Luciana, minha esposa, e eu procuramos educá-los com afeto, respeito, honestidade, fé e justiça. Se acertamos? Não sei. Só o tempo vai dizer” – pondera.

Na família de Anilson, as “regras” são sempre criadas em conjunto. “Nem por isso eu e a Luciana perdemos a autoridade. Tentamos educar de forma carinhosa, com palavras de reforço positivo, porém também com cobranças, chamadas de atenção, correção, mas sem agressividade. É o tipo ‘olho no olho’. Sentamos para ficar de igual para igual, nada de falar de cima para baixo ou ouvir de baixo para cima” – garante. Outra atitude positiva, segundo ele, é sempre promover o diálogo, falando em um tom de voz moderado.

Falar de igual para igual, porém, não significa abrir mão da autoridade. “Sempre confronto meus filhos quando percebo que estão mentindo, sem humilhá-los. Tento fazer das confusões, conflitos e dores vividos em nossa família momentos de aprendizado. E dos acertos e conquistas momentos de elogios e celebração” – afirma. Para Anilson, educar e formar um filho exigem desprendimento, renúncia, paciência, persistência e, acima de tudo, tempo. “E, mesmo assim, quantas vezes a gente erra na educação” – constata o pai.

Como se vê pelos depoimentos, a educação e a formação dos filhos vão além de situações específicas. E a tecnologia pode ser usada para criar maior cumplicidade e interação entre pais e filhos na troca de lembretes, músicas, fotos, vídeos prediletos, porém não exclui a necessidade de presença constante dos pais na vida dos filhos. Não há motivos para o medo, mesmo porque, como diz o título desta matéria, para o mundo digital não há necessidade de passaporte. No entanto, é preciso acompanhar em que mundo os filhos estão navegando.




Fonte: Família Cristã 902 - Fev/2011
Postado por: Família Cristã




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