Sacramento do Batismo

Data de publicação: 10/02/2014


Frei Luiz S. Turra, ofm cap. *

No imaginário do nosso povo, o Batismo é um fato de fundamental importância. Mesmo sem um suporte teológico, ou litúrgico, o fato em si carrega uma força cultural acentuada, quase identificada com o ser brasileiro. Em algumas regiões mais, outras menos, é frequente a realização do Batismo “em casa”, antes do Batismo na Igreja ou na comunidade. Esse rito familiar se reveste de um forte senso de proteção da criança recém-nascida. Sabe-se que a frágil formação cristã não se preocupa tanto com o mistério oferecido, mas com o circunstancial do viver humano.
Hoje, continua a procura da celebração do Batismo na Igreja por muitas razões: há quem batize para afugentar os males da criança; outros querem batizar para acalmar e dar segurança psicológica para o filho ou a filha; existem casais que batizam para seguir uma tradição familiar, ou um costume social e até mesmo por conveniência política.

Aumenta o número daqueles que não encontram nenhuma razão para batizar e deixam o tempo passar, levando muitos jovens e adultos a procurarem depois um caminho pessoal de iniciação. Na prática pastoral, não podemos desconhecer ou menosprezar nenhuma situação e nenhum caso. A realidade que nos cerca é o terreno fecundo em que os sinais da passagem de Deus apontam e garantem uma vida nova e uma nova história.

Batismo, uma necessidade − Pelo que a história humana confirma, o Batismo não é um rito que se impõe somente pela fé, mas também pela própria experiência humana. A vida que nasce e a presença de um ser humano que começa a fazer parte de uma família, grupo ou comunidade necessitam ser acolhidas com algum rito inicial. O Batismo responde à vontade de Deus e também à realidade antropológica. Praticamente, em todas as religiões existem momentos rituais de iniciação que utilizam a água com banhos, imersões etc.
Esse ritual envolvendo água, gestos e palavras deseja confirmar o começo de algo novo, nova vida e até um novo começo de um convertido. Tal necessidade antropológica, em geral, é vivida pelos pais, ou responsáveis, no desejo de engrandecer uma vida que merece ser significativa e valorizada. Se humanamente brota o desejo de celebrar a vida que vem, para não reduzi-la à vulgaridade, tanto mais de modo cristão se faz necessário o ritual do Batismo na vida da pessoa.

Batismo, acontecimento humano – Neste caso nos referimos especificamente às crianças. O Batismo responde a uma situação antropológica e fundamental para a existência humana: o nascimento natural, a chegada ao mundo familiar e social. A criança, em sua fase de total dependência, não pensa nem decide, apenas vive a situação passivamente. Quem busca tornar o nascimento um acontecimento a ser enaltecido e celebrado são os pais.

Para os pais, o nascimento de um filho ou uma filha vem trazendo a garantia da continuidade da vida, mas também as perguntas e as preocupações de uma criatura que cresce diante de um futuro desconhecido e de uma liberdade que poderá surpreender tanto positiva como negativamente. Cada vida é um potencial de contradições. No fato do nascimento, não estão ausentes os sentimentos de admiração e contentamento, como também as angústias e os temores, a experiência da vida e da morte.

Essas intensas e diversas reações diante do nascimento, em todas as épocas e culturas, levam as pessoas a ritualizar e conferir valor à vida que nasce. Os ritos sociais e religiosos visam iniciar o recém-nascido na ordem social e religiosa do grupo; reforçar as esperanças de um bom futuro; libertar a criança dos males, perigos e ameaças à vida.

Batismo, acontecimento para salvação − Extraímos o sentido verdadeiro do Batismo, quando o reduzimos a um rito. A partir da fé, o Batismo faz parte da história da salvação. Então se atualiza o amor gratuito de Deus a esta pessoa e, por ela, a toda a Igreja. As primeiras comunidades cristãs têm plena consciência da importância do sinal da água, mas sabem que a originalidade do Batismo acontece porque se dá em nome de Cristo e em virtude do Espírito Santo. “Em verdade, em verdade, vos digo: quem não nasce da água e do Espírito Santo não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5).

O Batismo é um verdadeiro acontecimento salvífico porque, por ele, participamos da história da salvação que Deus oferece aos homens. Cristo nos comunica seu Espírito e somos iniciados na vida e na missão da Igreja, povo salvo por Deus.

Conclusão − Por estarmos abrindo o estudo sobre o Batismo, a conclusão que faço deste passo inicial, se traduz num convite a percebermos a amplidão do sacramento em questão e as implicâncias que tocam todo o viver cristão no mundo, a caminho do Reino definitivo. O nascimento é o maior dom natural concedido aos humanos, mas é também a maior responsabilidade colocada em nossas mãos.

Perguntas
1. Em geral, o que motiva as pessoas a buscar a celebração do Batismo?
2. Por que o Batismo é uma necessidade humana?
3. Há razões que nos motivam a aprofundar o estudo do Batismo? Quais são?

* Frei Luiz S. Turra pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.




Fonte: Família Cristã 909 - Set/2011
Postado por: Família Cristã




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