Sim, nós podemos!

Data de publicação: 11/02/2014

Maria H. Brito Izzo*

Ver uma mulher na Presidência da República traz para nós, brasileiros, a sensação de que vivemos em um país justo e com oportunidades para todos. Mas nem sempre foi assim. Outro dia, assistindo a um documentário sobre a compositora Chiquinha Gonzaga, primeira brasileira a reger uma orquestra no século 19, pude relembrar um pouco da nossa evolução. Foi lenta! Mas chegamos lá. Hoje ninguém se surpreende mais quando é cuidado por uma médica, vê uma engenheira em um canteiro de obras, à frente de uma empresa e mesmo dirigindo um trator. Ou ocupando postos importantes na administração do País. Temos executivas, cientistas, empresárias, juízas, vereadoras, prefeitas, governadoras e, claro, uma presidente. Estamos mandando bem até no futebol, esporte que já foi uma exclusividade masculina. Uma brasileira, Marta, é reconhecidamente a melhor jogadora do planeta; e Patrícia Amorim é a presidente do time de maior torcida do País, o Flamengo.
 
O caso de Dilma Rousseff, no entanto, tem contornos emblemáticos. A exemplo de sua colega Michelle Bachelet, médica e socialista que presidiu o Chile entre 2006 e 2010 e cujo pai morreu sob tortura dos militares, Dilma também tem uma história de vida marcada por perseguições políticas e reviravoltas. Ex-integrante de grupos que lutavam contra a ditadura militar, ela permaneceu presa por quase três anos no começo dos anos 1970 e passou por várias sessões de tortura nos temíveis calabouços do Dops (Departamento Estadual de Ordem Política e Social), de onde nem todos saíram vivos ou sãos. Libertada, e com a redemocratização do País, Dilma teve chance de recomeçar sua vida dentro da legalidade política.

Multifuncionais – Não sou comentarista da área política para me atrever a fazer uma análise do governo de Dilma Rousseff, nem tenho bola de cristal para saber como será o dia de amanhã. Mas admito que estou gostando da postura pública da presidente, marcada pela dignidade e pela seriedade. E, cá entre nós, ninguém chega onde ela está sem ter capacidade e gabarito. Para ser sincera, não esperava menos de uma mulher brasileira no posto de presidente da República. A mulher tem uma capacidade, talvez intrínseca à sua condição feminina, de trabalhar bem em várias frentes e de forma simultânea. É só olharmos em volta. As mulheres do mundo estão por aí trabalhando fora, cuidando da casa e dando conta de cuidar dos filhos e do marido. E ainda há aquelas que, depois de um dia inteiro de trabalho, estudam à noite para dar um futuro melhor não só a si mesmas, mas também a suas famílias. Para usar uma palavra muito em voga hoje em dia, somos multifuncionais.
 
Portanto, nesse 8 de março, Dia Internacional da Mulher, é importante as meninas, as adolescentes, as jovens, as mulheres adultas e também aquelas que estão na maturidade terem a consciência de que elas são pessoas especiais e valiosas. Assim como a Dilma que está em Brasília, milhões de outras Dilmas, Marias, Beneditas, Martas, Chiquinhas, Júlias, Veras, Anas etc. também estão ajudando a escrever com suas vidas a história de um país que ainda tem muito a crescer e a melhorar. E que não pode abrir mão do caráter, da inteligência e da suavidade de suas mulheres.

 *É terapeuta familiar.
                                  




Fonte: Família Cristã 903 - Mar/2011
Postado por: Família Cristã




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