A beleza de Caçandoca

Data de publicação: 14/02/2014

Osnilda Lima, fsp
Fotos: Rejane Souza



Em meio às montanhas, à beira mar, vive um povo que há gerações vem lutando para construir sua própria história com perseverança e fortaleza no resgate de sua cultura.


Entre Caraguatatuba e Ubatuba, litoral norte do estado de São Paulo, na Rodovia BR-101, próximo à praia da Maranduba, fica a entrada, com uma estrada de terra, que a 4 quilômetros dá acesso à comunidade remanescente do Quilombo da Caçandoca.Ubatuba, de acordo com os moradores de Caçandoca, servia de porto para o desembarque clandestino dos escravos vindos da África para o trabalho local, no Vale do Paraíba e Minas Gerais. O técnico em Turismo e guia cultural, Ezequiel dos Santos, conta que o crescimento da mão de obra escrava aumentou a partir de 1830 entre os donos de fazendas da Vila Ubatuba. E os escravos vieram da região centro-ocidental do continente africano, como Angola, Congo, Gabão, Zaire e Moçambique.

“Nossa história aqui no Caçandoca começa em 1858, quando José Antunes de Sá comprou esta fazenda, era de café, mas outros tipos de alimento eram produzidos também” – conta a artesã Neide Antunes de Sá, moradora da comunidade. Segundo Neide, o fazendeiro teve três filhos, Egídio, Sinfrônio e Marcolino Antunes de Sá, e estes tiveram filhos com mulheres negras. Com o passar do tempo, a fazenda foi dividida em três núcleos, um para cada filho. Caçandoca, Saco da Raposa e Saco da Banana. Hoje, cerca de 50 famílias vivem no quilombo.

Na história da comunidade houve grandes conflitos a partir da década de 70, essas famílias vinham sendo vítimas da especulação imobiliária e de grileiros. “Tivemos nossas casas queimadas, destruídas, fomos tirados à força sem saber para onde ir” – conta a artesã. “Várias foram as ocorrências policiais, as ações judiciais e os recursos administrativos que envolveram a comunidade, grileiros e empresas imobiliárias” – conta Ezequiel. “Boa parte das pessoas não sabia ler nem escrever e foram enganadas por grileiros, que usaram de má-fé para expulsar as famílias” − conta Neide.

Em setembro de 2006, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o decreto de desapropriação da propriedade incidente nas terras do quilombo. A desapropriação garantiu a titulação da área em nome da comunidade.

Neide Antunes de Sá é uma das mulheres que vêm procurando resgatar a africanidade da comunidade. “Muitos dos trabalhos que faço aprendi com meus pais, que aprenderam com os deles e assim por diante” – conta Neide, que também está construindo a casa no modelo de seus ancestrais, de taipa. “Eu me sinto orgulhosa de ser quilombola!” – afirma, feliz, Neide. No entanto, não esconde uma certa tristeza no olhar quando diz: “Gostaria muito que os jovens permanecessem aqui, mas sabe, é o sonho das crianças completar 14 anos para irem embora, por isso procuro fazer com elas um trabalho de resgate de nossa cultura, nossa história”.

Azul Marinho

Ingredientes
1 kg de peixe (anchova, sororoca)
5 bananas-nanicas bem verdes
100 g de cebola ralada ou picada
3 dentes de alho espremidos ou picados
250 g de tomate
2 colheres (sopa) de azeite
¼ de xícara (chá) de farinha de mandioca
2 colheres (sopa) de coentro picado
Tempero a gosto: sal, pimenta-malagueta ou calabresa esmagada, salsinha, manjericão e hortelã

Modo de preparar
Corte o peixe em postas e reserve. Refogue no azeite a cebola, o alho e o tomate picado. Acrescente 1 litro de água. Inclua salsinha, manjericão, hortelã, sal e as bananas. Quando cozidas, retire um  copo do caldo e reserve. Acrescente as postas de peixe e deixe cozinhar. Retire as bananas e o peixe. Reserve. Acrescente ao caldo a farinha de mandioca e as bananas bem amassadas, mexendo até dar o ponto de pirão. Retire do fogo e, se necessário, acrescente mais sal. Coloque o pirão no fundo de um prato e sobre ele as postas de peixe com o caldo do cozimento que foi reservado. Sirva acompanhado de pimenta-malagueta.




Fonte: Família Cristã 911 - Nov/2011
Postado por: Família Cristã




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