Evangelho na Comunidade

Data de publicação: 14/03/2014

Ano A – 16 de março de 2014
2º Domingo da Quaresma

Cônego Celso Pedro da Silva*
Arte: Sergio Ricciuto Conte

Gn 12,1-4a – Vocação de Abraão, pai do povo de Deus.
Sl 32 (33) – Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça.
2Tm 1,8b-10 – Deus nos chama e ilumina.
Mt 17,1-9 – O seu rosto brilhou como sol.

Olhando para o monte Tabor, vemos a pessoa de Jesus com o seu corpo transfigurado. Não é o brilho da divindade se manifestando pelo corpo de Jesus. É a humanidade de Jesus que, depois de experimentar a situação de vulnerabilidade no deserto, se mostra em todo o seu esplendor. Os apóstolos vão vê-lo no extremo da vulnerabilidade quando estiver pregado na cruz. É preciso, pois, que saibam com antecedência que também o nosso corpo humilhado será transfigurado por Jesus Cristo, que o conformará ao seu corpo glorioso (Fl 3,21).

Abraão, nosso pai, saiu de um país de origem, transitou por terras provisórias até chegar ao seu destino. Ele carregava consigo uma bênção para todas as famílias da terra. É o pai da nossa fé e da nossa esperança. “Farei de ti um grande povo, abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”, foi-lhe dito.

Sua passagem de uma terra para outra foi resposta ao chamado de Deus e não resultado da violência de um tráfico. Mas o próprio Deus previu que alguém poderia amaldiçoar Abraão em seus caminhos. Há sempre alguém procurando “obter o consentimento de uma pessoa que tem autoridade sobre outra para fins de exploração”. A autoridade de Abraão é serviço de bênção e não exploração de cobiça. Sua bênção manifesta nos mais fracos, que se tornam vítimas do tráfico humano, o que eles já são.

Quando Jesus se manifestar, “eles serão semelhantes a Ele, porque o verão assim como Ele é” (1Jo 3,2). A fé que possuímos nos faz ver o invisível. A luz da fé é mais forte que a luz da inteligência e nos prepara para a luz da glória, quando veremos Jesus face a face. O Evangelho, no qual acreditamos, nos faz ver desde já a graça revelada por Jesus Cristo, que destruiu a morte e fez brilhar a vida e a imortalidade. Não desanimamos diante do mal organizado. O pecado do mundo é forte e age nos fazendo sofrer. Sofremos, porém, com Paulo, pelo Evangelho, fortificados pelo poder de Deus. As vítimas do tráfico são seres humanos, cujos direitos devem ser plenamente respeitados. Protegê-las e ajudá-las é tarefa de todos os que se empenharão em prevenir, reprimir e punir os traficantes. É preciso atingir a causa para que desapareça o efeito.

Quaresma é tempo de conversão para que a morte seja vencida na Páscoa da ressurreição. Pesquisadores interessados no combate ao tráfico humano afirmam que, entre nós, “o tráfico de pessoas ainda é um crime invisível. O que ocorre atualmente é uma autêntica impunidade”.

Priva-se muita gente de sua dignidade. Não é fácil descobrir o crime porque muita gente aceita voluntariamente a proposta exploradora. Temos que trabalhar de forma mais eficaz para que esses crimes sejam condenados e sem demora. “O crime de tráfico humano fere a dignidade humana, a mão de obra escrava nega a personalidade do indivíduo e converte a vítima em uma mercadoria.”
Não foi para isso que Deus nos criou. Jesus transfigurado revela-nos a beleza do ser humano criado à imagem de Deus. Não se pode desfigurá-lo. O vaso de barro contém um tesouro (cf. 2Cor 4,7). Para quem não o vê, é sempre atual “não fazer ao outro o que não quero que se faça a mim”.

*Sacerdote e professor de Sagrada Escritura




Fonte: Família Cristã 937 - Jan/2014
Postado por: Família Cristã




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