Proteção tem limites

Data de publicação: 03/04/2014

Rosangela Barboza


Pais preocupados com seus filhos, com o bem-estar físico e emocional, é natural, mas qual a linha que separa o proteger do superproteger? Superproteção, o resultado não é nada positivo

Você esteriliza chupetas e mamadeiras do bebê a todo momento? Telefona para o pediatra por qualquer motivo? Não permite que seu filho faça trabalhos escolares na casa dos amigos ou que vá às festas próprias para a sua idade? E, por mais que cuide dele, sempre acha que alguma coisa ruim pode acontecer? Cuidado! Atitudes como essas, mesmo que muito bem-intencionadas, significam superproteção. É natural que os pais queiram proteger seus filhos, afinal vivemos numa realidade onde não faltam notícias sobre acidentes, crimes ou uso de drogas e álcool, envolvendo a infância e a juventude.

Proteger a prole é um ato comum a todas as espécies da natureza. No entanto, há pais que vão muito além do cuidado necessário e acabam colocando os filhos dentro de uma redoma. O resultado não é nada positivo: a superproteção é capaz de sufocar a personalidade da criança e inibir o seu desenvolvimento. “A criança precisa de constantes cuidados, de acordo com a faixa etária e com suas características pessoais. Mas é importante entender que esse amparo, mais frequente, deve ser retirado gradativamente à medida que a criança se torna mais capaz e amadurecida. Isso é importante para que ela cresça com autonomia” − esclarece a psicopedagoga Maria Irene Maluf, especialista em Educação Especial. “O amor está justamente nessa tarefa diária de criar os filhos para serem fortes e serenos perante as dificuldades, e cada vez mais independentes na medida de seu crescimento físico e emocional. Afinal, um dia terão de tomar conta de si próprios e da família que constituírem” – explica Maria Irene.
 
É comum que os pais confundam proteção com superproteção. “Proteger é supervisionar sempre a criança, mas deixá-la fazer escolhas e responsabilizá-la pelas consequências. É apoiá-la e motivá-la para que cresça” − afirma a psicopedagoga. Já uma educação superprotetora é bem diferente; pais que superprotegem costumam tirar os obstáculos do caminho dos filhos. Maria Irene lembra que superproteger é como manter uma muda de árvore num vaso pequeno durante todo o seu crescimento, dificultando-lhe o desenvolvimento e impedindo-a de viver a sua vida. Assim, os pais passam a tolher o potencial de seus filhos, acreditando que, sem passarem por situações difíceis, eles crescerão felizes. No entanto, não é isso o que acontece.
 
A criança crescerá frágil e presa fácil de pessoas e situações inadequadas ou perigosas, já que a superproteção tira sua capacidade de defesa e decisão. “Com o passar dos anos, os pais vão perceber que criaram uma pessoa com baixa autoestima e dificuldades para crescer e ser autônoma” − alerta Maria Irene.
 
Filhos superprotegidos também crescem sem conhecer limites e têm o ego inflado, ou seja, acreditam ser o centro de tudo e nada vai atingi-los. O convívio social, principalmente na escola, faz com que eles percebam que não é bem assim. E passam a enfrentar os primeiros problemas de relacionamento, já que não foram preparados para viver longe dos cuidados dos pais. “Esses filhos podem se revoltar ou se tornarem tristes, acabrunhados e antissociais” − alerta a educadora. Jovens que foram superprotegidos na infância ou na adolescência, segundo os especialistas, demoram mais para começar a trabalhar, sair da casa dos pais e formar a própria família. Quando profissionais, têm dificuldades de lidar com as exigências do trabalho e se sentem incompreendidos e até frustrados.

Superpais – Em geral, pais superprotetores são pais de filhos únicos, de caçulas temporões ou de crianças nascidas prematuras. Pais com mais idade ou que se sintam culpados por não estarem constantemente junto aos filhos também são mais propensos a agir de forma superprotetora. São pessoas inseguras e ansiosas que, com medo de que seus filhos deixem de amá-los, se desdobram para não fracassar em sua educação. A superproteção pode começar quando os filhos ainda estão no berço. “Excesso de zelo, higiene e cuidados são sinais de que, no futuro, os pais se tornarão cada vez mais protetores, pois evidentemente a exposição da criança ao mundo vai aumentar com a idade” − lembra Maria Irene.
 
Há pais que negam ser superprotetores. “Muitos deles precisam de ajuda profissional para compreender suas atitudes e mudar esse comportamento. No fundo, refletem uma questão pessoal deles, em prejuízo do crescimento e autonomia dos filhos” − orienta a psicopedagoga.
 
Um passo inicial e que todos os pais devem se esforçar para reconhecer é entender a diferença entre proteção e superproteção. “Sempre que possível, os pais devem orientar seus filhos e esperar para ver como eles se comportam e se defendem diante de determinada situação. Trata-se também de uma questão de respeito aos filhos, que afinal são uma outra pessoa e não parte do corpo ou cópia de seus pais” – esclarece a educadora.

Os males da superproteção

O filho tende a ser...

Medroso – Com frequência tem receio de se machucar, dormir sozinho, experimentar coisas novas.
Dependente – Não sabe lidar com imprevistos, tem dificuldades em resolver problemas.
Manhoso – No convívio familiar, costuma ser o centro das atenções. Longe dos pais, apresenta-se birrento. Tem dificuldades em aceitar contrariedades.
Impaciente – Sempre espera resposta imediata aos seus pedidos e satisfação instantânea dos desejos e necessidades.
Inseguro – Por ser, com frequência, supervisionado pelos pais, o filho não conhece seus limites e capacidades. Ao tomar atitudes ou realizar atividades, sem aprovação, demonstra insegurança e indecisão.

Quando adulto, pode se tornar...

Egoísta – Ao crescer sem saber negociar, não aceita dividir nem se colocar no lugar do outro.
“Dono do mundo” – Não sabe ceder nem colaborar.
Inseguro nas escolhas – Enxerga as escolhas como perdas.




Fonte: Família Cristã 907 - Jul/2011
Postado por: Família Cristã




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