Quando cai um forte

Data de publicação: 15/04/2014


Maria Helena Brito Izzo*

No final de março de 2011, o Brasil se emocionou com o desfecho da luta que um homem público, com notável coragem e bom humor, travava contra o câncer. Se pudesse dizer algo a esse homem, eu diria: “Zé, você não perdeu esse jogo. Foi só Deus que resolveu encerrar a partida”. E, de fato, ninguém pode dizer que o ex-vice-presidente da República, José Alencar, perdeu para o seu corpo. Muito pelo contrário. Um homem que saiu do nada, começou a trabalhar ainda criança para se tornar um dos maiores empresários do nosso tempo e vice-presidente do Brasil pode ser tudo, menos um derrotado. Sem orgulho e com humildade, ele mesmo tinha noção da sua finitude: “Quando minha hora chegar, eu irei. Mas, enquanto Deus quiser, estarei por aqui”.

Essa não foi a primeira vez que uma personalidade pública e querida comove multidões ao falecer. Nem será a última. Foi assim particularmente com Ayrton Senna e, em um passado mais remoto, com os cantores Francisco Alves e Carmen Miranda. E pelo mundo afora a história se repete. Na Argentina, Evita Perón é idolatrada até hoje. É no campo religioso, porém, que essas demonstrações públicas de emoção melhor se manifestam. Basta ver o caso do papa João Paulo II, cuja morte foi pranteada em todo o planeta, e da madre Teresa de Calcutá. Sabiamente, a Igreja Católica trata de “imortalizar” tais figuras, transformando-as em santos, e, assim, mostra ao mundo que virtudes e bons exemplos podem e devem ser imitados por qualquer pessoa.

Vai fazer falta – A morte de personalidades arrebata tanto as multidões porque envolve pessoas de grande visibilidade na mídia e que, de alguma forma, ajudaram a alterar o rumo da História. Ou de pessoas que, no mínimo, foram modelos de bons exemplos. Acho que José Alencar se encaixa melhor no segundo caso. Ele passava a imagem de ser um homem bonachão, carismático e lutador, que amava a vida e amava viver. Sem falar que parecia ser dono de um bom humor e de um otimismo bem típico dos brasileiros: cada entrevista dada por ele, após as cirurgias – e foram 17 ao longo de 14 anos –, era um prato cheio para a imprensa e para o público. Quando se imaginava que estaria abatido, lá vinha o Zé com alguma de suas tiradas mineiras, dizendo que queria comer um torresminho ou voltar a jogar um futebol.
 
Também cativava as pessoas o fato de ele, apesar de ter sido o dono de uma das maiores empresas têxteis do Brasil, se portar como um homem despojado, sem vaidade, simples. Até se poderia dizer que José Alencar era mesmo um homem do povo. Outra qualidade que merece destaque: ele parecia ser um companheiro fiel e um aliado confiável. Em oito anos do governo Lula, José Alencar jamais se envolveu em algum atrito e nunca se soube de algum problema, favorecimento ou escândalo provocado por ele. Ora, como não demonstrar carinho e respeito por um homem público assim? Ainda mais porque é justamente na vida pública que andamos tão carentes de bons exemplos como o dele.
 
Por tudo isso, acho que José Alencar vai fazer falta e deixar muita saudade. O que nos conforta são as lições deixadas por ele. Principalmente para as gerações mais novas. A maior de todas é que podemos exercer nossas atividades com amor, de forma feliz, sem nos deixar corromper e sem deixar de viver a vida com intensidade, luta, alegria, bom humor, garra, coragem, trabalho e determinação. Até o último momento que nosso coração estiver batendo. Depois, só Deus sabe.


*Terapeuta familiar.




Fonte: Família Cristã 905 - Mai/2011
Postado por: Família Cristã




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