Brincar para crescer

Data de publicação: 05/06/2014

Rosangela Barboza

Brincadeira é coisa séria, nela a criança desenvolve suas potencialidades e nas etapas de crescimento. Inventar brincadeira pode ser mais interessante que oferecer brinquedos.


Criança, brinquedos e brin­ca­deiras. Aí está uma combinação divertida e fundamental para o desenvolvimento dos peque­nos. É tão importante que até se tornou um direito, assegurado inclusive na Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia das Nações Unidas, em 1953, e ratificada pelo Brasil: “A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se”. Brincando, a criança aprende e se desenvolve. “O desenvolvimento da criança é considerado o desempenho das suas funções mentais, como a memória, a atenção, o raciocínio, a solução de problemas e a linguagem. E a criança só se desenvolve nesses aspectos e avança para outras etapas porque ela brinca” − explica a pedagoga Maria Ângela Barbato Carneiro, coordenadora do Núcleo de Cultura e Pesquisa do Brincar e da Educação Infantil, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo (SP).
 
E brincar com quê? Ao contrário do que muitos adultos acreditam, uma criança não precisa de um brinquedo de última geração para ser feliz. Afinal, esclarecem os especialistas, o importante é o brincar e não o  brinquedo. Assim, uma simples caixa de papelão, por exemplo, dá asas à imaginação infantil. “Nem sempre o brinquedo mais caro é aquele de melhor qualidade ou aquele que faz a criança brincar. Quanto mais possibilidade ela tem de criar com o brinquedo, mais interessante ele se- rá ” – diz Maria Ângela. Em outras  palavras: para a criança, um brinque­do caro e que faz tudo sozinho não é tão atraente quanto os adultos costumam supor.
 
Desnecessário também é comprar diversos brinquedos, impulso que muitos pais cedem devido aos apelos do consumismo. “Melhor dar um só, com o qual ela possa recriar” − lembra Maria Ângela. E os limites também valem para os brinquedos. “Há casos em que os pais tentam substituir a ausência ou a qualidade da relação com o filho dando a ele vários brinquedos caros, como uma compensação” − analisa a pedagoga. Mas isso não funciona, pois, além de não substituir a presença dos pais, a criança vai ficar habituada ao consumo. “Porém, se os pais colocarem limites e não oferecerem tudo o que a criança deseja, ela vai se habituar a ter realmente aquilo que lhe parece prioritário” – destaca a pedagoga.

Pais e filhos − Brincadeiras entre pais e filhos são muito enrique­cedoras para toda a família. Além de fortalecer os laços e conhecer melhor seus filhos, os pais se divertem e voltam ao tempo da infância. E ainda ensinam seus pequenos a brincar. O fato de os pais terem pouco tempo para brin­car com seus filhos, devido ao trabalho do dia a dia, também não precisa ser motivo de culpa. “Se o  pai tem apenas 15 minutos por dia para brincar com o filho, pode aproveitar este tempo com muita qualidade” − salienta Maria Ângela. E mesmo com os brinquedos mais modernos à disposição, os pais não devem se esquecer de que existem inúmeras brincadei­ras e brinquedos antigos que fa­zem parte da cultura popular, das crenças e do folclore. “Recuperar alguma brincadeira da infância com as crianças pode ser mais interessante do que oferecer muitos brinquedos a elas” − suge­re.  Uma dica é contar histórias infantis em que pais e filhos encenem os personagens. E para os pais que não têm repertório, basta pesquisar em sites disponíveis na internet brincadeiras que poderão ser feitas com seus filhos.
 
Outra recomendação na hora de comprar brinquedos é respeitar a idade da criança. “Brinquedos eletrônicos também são importantes, mas não adianta comprá-los para crianças menores, que só vão apertar os botões e até quebrá-los” − salienta a especialista. “Na verdade, não é a criança que não soube brincar, mas o fato de o brinquedo ser inadequado à sua idade” –  destaca Maria Ângela. Lembrar de dar brinquedos de diferentes materiais e tipos é uma boa ideia. E os pais não precisam se preocupar se os meninos estão brincando com bonecas e as meninas com carrinhos. “Meninos de 5 ou 6 anos costumam brincar de boneca, mas como uma forma de representarem papéis na realidade em que  vivem, pois muitos deles veem seus pais lidando com os irmãozinhos menores ou outras crianças” − explicou Maria Ângela, lembrando  que, atualmente, muitos pais têm tarefas que antes eram só das mães, como dar  mamadeira, papinhas ou  banho em seus filhos.

Saiba mais:
Laboratório de Brinquedos - Núcleo de Cultura e Pesquisas do Brincar
A Brinquedoteca
Museu dos Brinquedos
Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos




Fonte: Família Cristã 910 - Out/2011
Postado por: Família Cristã




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