Evangelho na comunidade

Data de publicação: 13/06/2014

Cônego Celso Pedro da Silva*
Arte: Sergio Ricciuto Conte

Ano A - 15 de junho de 2014

Solenidade da Santíssima Trindade

Ex 34,4b-6.8-9 – Acolhe-nos como propriedade tua, Senhor.
Cânt.: Dn 3,52-56 – A vós louvor, honra e glória permanente.
2Cor 13,11-13 – O Deus do amor e da paz estará convosco.
Jo 3,16-18 – Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único.

Olhe para o lado. Provavelmente você verá alguém. Há alguém do seu lado. Você e o outro. Eu e você. Há entre nós uma reciprocidade. Estamos em relação. A partir desta relação, podemos compreender todas as outras, ou ao menos ter alguma ideia sobre o que constitui nossa existência. O outro e a relação com o outro estão no centro da nossa existência. Todos os estudiosos de qualquer ciência concordam em considerar a importância da relação na vida humana. Filósofos e psicólogos sentem-se muito à vontade dentro desse tema. Martin Buber, pensador judeu, é conhecido como o filósofo da relação. E como ele, outros nos levam à comunicação, à simpatia, às intencionalidades. Todos estão convencidos da importância da reflexão sobre o outro. O rosto, face a face, o encontro. “Quando, seguindo um caminho, encontramos alguém que vinha ao nosso encontro seguindo seu próprio caminho, conhecemos somente o nosso pedaço do caminho, não o dele; conheceremos o pedaço do caminho do outro somente no encontro.”

Foi assim que Deus desceu na nuvem e permaneceu com Moisés. E Moisés lhe pediu que caminhasse com seu povo. Deus veio ao encontro de Moisés e de seu povo estabelecendo uma relação entre aquele que é misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel, e um povo de cabeça dura. Entre eles, um mediador, intercessor e defensor: Moisés, que pede “caminha com teu povo”. A resposta de Deus a Moisés está no Evangelho hoje proclamado: “Deus amou tanto o mundo que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que n’Ele crer, mas tenha a vida eterna. Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele”. A resposta se verifica numa relação, e relação de amor, estabelecida pelo Único Gerado, o Unigênito. Gerado, não criado, gerado desde sempre, sempre existindo em sua relação com o Pai.

A afirmação de Deus Uno e Trino está no coração da fé cristã. Nossa fé não é confusa. Não acreditamos em qualquer coisa, ou em qualquer ideia de Deus. Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, no Espírito Santo, Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho. Damos graças a Deus Pai todo-poderoso e afirmamos que, com o seu Filho único e o Espírito Santo, Ele é um só Deus e um só Senhor. Ele se revela a nós no encontro e nós o vemos em suas relações.

Santo Tomás ensina que em Deus a relação é subsistente, isto é, Deus existe como relação. Nós nos relacionamos. Deus é a relação e sempre relação de amor. A Trindade é um mistério de relação. Nossa felicidade ou infelicidade dependem em grande medida da qualidade das nossas relações. Com facilidade queremos dominar, possuir, instrumentalizar. As relações em Deus são perfeitas porque Ele é em primeiro lugar amor e não poder. O amor se doa, o poder domina. Relação feita à imagem e semelhança de Deus é reciprocidade, encontro, eu e tu. Daí a nossa necessidade de superar, não o que distingue, mas o que separa, isola e exclui.

A Bíblia não usa a palavra “Trindade” para se referir a Deus, mas fala de “Pai, Filho e Espírito Santo”, palavras que indicam relações, comunhão de amor entre Três Pessoas que têm a mesma natureza divina. Na qualidade das nossas relações, procuramos ser no mundo sinal da comunhão trinitária.

*Sacerdote e professor de Sagrada Escritura




Fonte: Família Cristã 941 - Mai/2014
Postado por: Família Cristã




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