Bioética e água (I)

Data de publicação: 15/07/2014


Padre Léo Pessini
                                                            

Existe um grito mundial para que não se privatize a água. Ela é um direito humano e com acesso universal 


           

A água é um recurso precioso, indispensável para a conservação da vida e para o desenvolvimento do meio ambiente, porém limitado e vulnerável. A água é a própria essência da vida. Ela flui pelo corpo humano e pelo corpo da terra. A terra é chamada de Planeta Azul, uma vez que 75% de sua superfície é recoberta de água. No entanto, a maior parte desta é composta de água salgada e salobra, gelo e neve. Menos de 4% da água da terra se compõe de água doce corrente, potável, e essas fontes estão ameaçadas pelo desperdício do uso e pela poluição.

Necessitamos de uma mudança radical para proteger nossas águas e devolver-lhes um bom estado ecológico.  Quase 1 bilhão de pessoas no mundo não dispõe de água potável limpa e mais de 2 bilhões não têm acesso à água tratada.

Apenas 10% do consumo mundial de água acontece no uso doméstico. A maior parte do consumo de água, com mais de 70%, ocorre na produção de alimentos na agricultura, seguido pela indústria com aproximadamente 20% do consumo.  Por exemplo, para gerar 1 litro de leite, são necessários 1.000 litros de água – envolvendo o crescimento das plantações de forragem, para a própria vaca, para o empreendimento agrícola e para o processamento do leite. São necessários mais de 1.300 litros de água para produzir 1 quilograma de pão.

A escassez de água aumenta, sobretudo através de sua demanda crescente em virtude do aumento da população, o crescente processo de urbanização e o crescimento econômico. As mudanças climáticas ocasionadas pelo aumento de dióxido de carbono e a emissão de outros gases modificam fundamentalmente o circuito global da água. 

Quanto mais escassa se torna a água pura, tanto mais valorizada se torna. Os negócios relacionados com água têm provocado conflitos pelo mundo afora (“guerras por água”). Nesses conflitos, temos os que defendem a taxação da água e uma privatização de seu fornecimento, e aqueles que, apesar de apoiarem parcialmente a taxação da água (princípio de cobrir os custos), se manifestam a favor de um fornecimento público e de acesso universal à mesma. 

 

Um grito pela água − Existe um grito mundial para que não se privatize a água e a considere como uma simples mercadoria, mas como um direito humano e com acesso universal. Em julho de 2010, o direito de acesso à água pura foi acolhido na Declaração Geral dos Direitos Humanos.

Nos Objetivos do Milênio sobre a  ecológica, os Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000 se comprometeram que até o ano de 2014 diminuiram pela metade a falta de acesso das pessoas à água potável.  Na Cúpula do Rio+10, em Johannesburgo (2002), essa meta foi ampliada, incluindo também implementação de instalações sanitárias. Dificilmente estas metas serão atingidas.

O direito humano à água é muito mais amplo, uma vez que prevê acesso universal. A água é um bem natural e uma necessidade básica da existência humana. Sem água a vida não se desenvolve e muito menos sustenta. Impera a morte. O que ontem era símbolo de purificação e vida tornou-se hoje para muitos uma mera mercadoria indisponível e um símbolo de poluição e morte.  Esta crise global da água se configura numa questão de justiça social. Necessitamos urgentemente de mudanças individuais, estruturais e globais, para garantirmos o futuro da vida no querido Planeta Azul!





Fonte: FC edição 926
Postado por: Família Cristã




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