Aos amigos do bolso

Data de publicação: 21/07/2014



Ser honesto é, também, não abusar da generosidade do próximo, sendo ele amigo, irmão, pai ou filho

 


Eu não tenho dúvida: nesta vida, quanto mais a gente dá mais a gente recebe. Quando fiz o vestido de noiva da minha filha, por exemplo, disse a ela que nós, depois do casamento dela, o emprestaríamos para quem precisasse. E ela concordou com isso. Assim, por várias vezes, o vestido foi e voltou. Sempre, obviamente, com uma escala no tintureiro para pô-lo em dia e, digamos, prepará-lo para a próxima viagem. Na oitava vez em que ele saiu da caixa, sentimos que era a hora de aposentá-lo. Uma pena, pois até gostaríamos de continuá-lo emprestando. Pois, da mesma forma que aquele vestido de noiva trouxe felicidade para minha filha, tenho certeza que ele também levou felicidade a outras moças e famílias. E eu me senti recompensada por ter iniciado esse ciclo do bem. Nesse caso, creio que minha filha e eu ajudamos a dar um pouco de felicidade às pessoas e, em troca, recebemos muita satisfação e alegria. Temos, em casa, um vestido de noiva com muitas histórias boas para contar.

Da mesma forma que nos sentimos de bem com a vida ao fazer o bem, é preciso dizer que a gente, também, se sente um pouco frustrada quando alguém se aproveita de nossa boa-fé e abusa de nossa generosidade. Não me refiro, claro, às oito noivas que usaram o vestido de minha filha, mas àquelas pessoas “amigas”, que, de vez em quando, aparecem em nossas vidas para pedir algo emprestado e... não devolvem! Oh coisinha desagradável, não? Infelizmente, nesta vida, tem mesmo um tipo de gente folgada, cara de pau ou com “problemas de memória” que nunca mais se lembra de que deve a você alguma coisa. Nesses casos, também não tenho dúvida: quanto menos a gente emprestar mais preservada a gente fica. Não perde o “amigo” e, tampouco, o dinheiro.

 


Sem abusos – Vale deixar claro que ninguém está livre de, em um momento de sufoco, se ver em uma situação desprotegida e precisar recorrer a um amigo ou parente. Mas isso, é certo, em situações absolutamente excepcionais que confirmam a honestidade de quem necessita. Nessas situações, por que não se antecipar ao pedido e organizar uma vaquinha com o pessoal da Igreja, do serviço, da vizinhança? Mais do que oferecer ajuda material isso é uma forma de as pessoas demonstrarem solidariedade umas com as outras em um momento difícil. De dizer que todos, da forma mais generosa possível, estão ao lado de quem precisa. Nessas situações, eu concordo, não se deve esperar nada em troca, a não ser que o melhor aconteça: a pessoa necessitada se recupere, se restabeleça e siga sua vida. Um apoio coletivo é melhor do que um apoio isolado e, por isso, fica mais difícil negá-lo.

Mas é preciso dizer não quando nos sentimos explorados e usados – coisa que ninguém gosta, claro. Se uma pessoa pede dinheiro emprestado uma vez e não devolve, principalmente quando você sabe que ela recuperou sua condição econômica, um sonoro não está mais do que justificado caso ela tenha a desfaçatez de vir pedir emprestado uma segunda vez. Nesse caso, se você emprestar, o risco é todo seu. E não diga que não avisei! Ao emprestar, você pode pecar por excesso de ingenuidade e a outra pessoa incorrer no erro da leviandade ou mesmo da falta de honestidade. Desonestidade, sim! Porque falando claramente, leitor, não existe gente mais ou menos honesta. Ou a pessoa é honesta por inteira ou não é. E ser honesto é, também, não abusar da generosidade do próximo, sendo ele amigo, irmão, pai ou filho. Para encerrar o assunto, eu diria: uma coisa é a gente ter um amigo do peito e outra coisa é a gente ter um amigo do bolso. Desse último, eu quero distância!

 

Por Maria Helena Brito Izzo , terapeuta familiar





Fonte: FC edição 929
Postado por: Família Cristã




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