O tempo nos escapa

Data de publicação: 23/07/2014

 

 

 

 Aprendi que não é Deus quem vai embora, somos nós que vamos embora d’Ele. Se quisermos ser felizes, teremos que saber voltar porque Ele não se foi de nós


Falo de intensidade. Tempus fugit do latim, é aviso de que o tempo nos escapa ao controle. A vida humana é breve. Árvores e monumentos duram muito mais... Nossa fé garante que viveremos depois da morte. Mas a Bíblia o diz e os antigos hebreus cantavam a brevidade da vida e, por isso, a esperança de um depois (cf. Ecl 6,3); (Jó 7,7); (Sl 118,11). Como já vivi sete décadas, fico imaginando que não viverei nove; poucas pessoas passam deste prazo. A verdade é que viemos ao mundo com prazo de curta permanência. Ainda ontem éramos jovens. As fotos o dizem. O espelho de agora diz que nosso rosto envelheceu e que em breve teremos que partir.

Meu tempo está indo a ocaso. Se for forte, terei uma década a mais, tempo de armazenar alguma sabedoria extra, porque espero, um dia, no céu, fazer uso do que armazenei. Não sei como é o céu, mas pretendo ir para lá como sábio e não como tolo. Nasci para saber mais e espero ir querendo saber ainda mais porque imagino que a eternidade continue reveladora. Do verbo credere, “dar o coração”, aprendo que crer em Deus é dar a Ele e às pessoas um voto de confiança. Se for traído pelos humanos, terei que perdoar e me proteger melhor, mas ainda assim devo perdoar, porque meu tempo e o deles é breve. Não vale a pena cultivar mágoas.

 

Deus permanece Já atingi milhões de pessoas pelas mais diversas mídias; já fui muito mais conhecido do que sou hoje. Outros nunca ouviram falar nem de mim nem das minhas canções, nem dos meus livros, nem das minhas falas, o que acho perfeitamente natural. Mas sei que estou passando, já passei e passarei. Só Deus permanece. Jesus diz que tudo passará, mas suas palavras não passarão (cf.Mt 24,35). E sua palavra me diz que haverá um depois (cf.Jo 14,3).

Aprendi que não é Deus quem vai embora, somos nós que vamos embora d’Ele. Se quisermos ser felizes, teremos que saber voltar porque Ele não se foi de nós. Olho, pois, estas sete décadas e sei das coisas maravilhosas que presenciei e que me aconteceram; olho-as como penitente e sei das coisas que não foram como deveriam ter sido; olho os mais velhos do que eu, com 80 e 90 anos, e vejo neles a sabedoria de quem viveu o bastante para saber o suficiente. Leio o Santo Livro e encho-me de esperança.

Talvez seja este o caminho da felicidade: descobrir o bastante e o suficiente e, mesmo não sendo plenos, buscar profundidade e plenitude. Conheço milhares de homens e mulheres mais profundos do que eu. Fazem-me bem.  Servem-me de modelo. Mesmo os superficiais me ensinam algo. Examino-me com frequência para saber se não estou sendo óbvio, superficial, chulo ou vulgar quando falo de Deus e do ser humano. O ideal é que a cada fala ou atitude acrescentemos alguma coisa em alguma vida. Por esta e por outras razões é que oro a cada novo ano para aprender a buscar e a dizer a palavra certa, do jeito certo e na hora certa para as pessoas certas. O verbo é aprender para não passar por passar!



Por Padre Zezinho, scj

 

 





Fonte: FC edição 927
Postado por: Família Cristã




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