Sacrifício

Data de publicação: 25/07/2014


“Amar a Deus de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas” 


Reginaldo Carreira

 

Nada se conquista sem uma dose de sacrifício, isso já sabemos. Mas, geralmente, interpretamos esse conceito ao falarmos sobre coisas materiais: a casa que queremos, o carro, o emprego, os móveis...

Mas há que se ver a vida emocional e espiritual por esse mesmo prisma. Não se conquista o bem-estar nestas áreas, sem sacrifício, sem renúncias, sem concessões. Quem não se abre à revisão de seus conceitos e aceitação de seus erros, quem não começa um caminho de conversão, retornando àquilo que é bom e edifica, assumindo sacrifícios, para chegar ao ponto inicial e recomeçar – ou ao menos dá um novo rumo ao caminho já percorrido –, não cresce nem emocionalmente, nem espiritualmente, mas, pelo contrário: “emburrece”. Afinal, quem não está disposto ao sacrifício mínimo de se abrir ao diálogo e ouvir uma palavra contrária a seu modo de pensar, literalmente “emburrece”, não é?!

Quaresma é tempo de atenção maior com nosso caminho de conversão. Neste caminho a Igreja nos propõe algumas maneiras de darmos passos mais concretos em nosso processo de conversão. A penitência, o jejum, a caridade, a oração são meios eficazes para esse processo. São chamados exercícios quaresmais, embora possam e devam ser realizados em qualquer momento do ano. São exercícios porque nos aperfeiçoam à medida que nos ajudam no auto-domínio, na temperança, na paciência, na vivência da reconciliação e no relacionamento com Deus e os irmãos.

 

Atenção à voz de DeusHá quem diga que especialmente o jejum e a penitência são coisas do passado, que já temos penitências demais nos dias de hoje e que Deus não precisa disso.

Realmente Deus não precisa disso! Somos nós quem precisa, afinal, vale reafirmar que nada, nada mesmo, se conquista sem sacrifício. Se quisermos ser jovens novos para construir uma nova civilização, precisamos da disposição cristã para o sacrifício. Diferentemente do sofrimento do tempo presente, que não é e nunca pode ser uma escolha _ afinal, uma pessoa em sã consciência não escolhe sofrer por sofrer e pronto _, a penitência e o jejum são escolhas que fazemos em benefício de uma causa maior: nossa conversão. Esta conversão diz respeito não só à luta contra o pecado, mas envolve a abertura do nosso interior à voz de Deus, e ao seu chamado, e nos coloca em rota de proximidade e intimidade maior com o Senhor.

 A penitência, o jejum e outras formas de “sacrifício” ajudam na purificação dos nossos pensamentos, sentimentos e intenções, e podem ser direcionados em desagravo dos pecados e ofensas cometidos por nós e por outros irmãos, para alcançar uma graça específica. Ainda são sinais de arrependimento e reparação pelos nossos pecados. Só assim chegamos aos sacrifícios que agradam a Deus: um espírito quebrantado e um coração contrito (cf. Sl 51,19).

E se a cruz está pesada e o sacrifício se apresenta aparentemente maior do que você pensa que pode suportar, olhe para a cruz de Jesus, ou melhor, olhe para Jesus na cruz, pois Ele mesmo se ofereceu em sacrifício por nós, sacrifício único e definitivo pela nossa salvação (cf. Hb 9,6). E nosso sacrifício nos une ao sacrifício que Ele realizou. Mas é preciso ouvir o que Ele mesmo ensina: “Amar a Deus de todo o entendimento e de todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas” (Mc 12,33).

 

 






Fonte: FC edição 927
Postado por: Família Cristã




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