Juventude ressuscitada

Data de publicação: 15/08/2014

Reginaldo Carreira


 Só uma juventude verdadeiramente ressuscitada, livre da cultura de morte gerada pelos vícios e pela violência, é que pode levar Cristo ressuscitado aos seus, e assim transformar o mundo

Celebrar a Páscoa da Ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre toda forma de morte. Assim como os discípulos e como Maria Madalena, na manhã da Ressurreição, podemos dizer a cada Páscoa que vimos e vemos o Senhor.

Na juventude, que foi o centro da nossa reflexão nesta Quaresma e o será até a Jornada Mundial da Juventude especialmente, temos motivos de sobra para festejar a vitória da vida sobre a morte, a vitória de Jesus Cristo, como Senhor. Não estou dizendo isso baseado nas estatísticas dos resultados da Campanha da Fraternidade 2013, que ainda nem foram vistos, é claro, mas fundamentado no que temos visto e ouvido: há uma juventude nova se levantando, como sentinelas da manhã, para levar a esperança, que é Jesus, ao mundo. É uma juventude realmente ressuscitada, cheia da vida nova dada por Deus, em Jesus, pelo Espírito Santo!

Ressurreição é voltar à vida, é ter a vida de volta, portanto, implica também em um processo de conversão vitorioso, a começar pelos frutos de uma mente transformada pela força do Espírito Santo, em um coração perdoado e perdoador por querer seguir a Palavra e a Vida do Mestre, que sem limites perdoou, a ponto de perdoar até na cruz, vencendo o egoísmo e a vitimização em vista da libertação da humanidade.

Esse processo de conversão vitorioso se realiza de diversas formas, e aconteceu de forma evidente na manifestação de amor pela Igreja durante as circunstâncias da renúncia e da escolha do novo papa. Homens e mulheres do mundo todo se sentiram perseguidos com a Igreja, diante das duras (e muitas vezes absurdas) críticas direcionadas ao sumo pontífice e à própria Igreja, e saíram em defesa da sua fé e da instituição que tem sido sua fiel guardiã há dois milênios. Neste contexto, milhares de jovens, do mundo todo, também se manifestaram com sua oração, reflexão e ousadia própria de sua natureza, com a certeza de que as portas do inferno jamais prevalecerão contra a Igreja (cf. Mt 16,18).

 

A renúncia − Um texto a que tive acesso por e-mail, atribuído a um jovem de 23 anos, chamado Daniel*, me impressionou e emocionou. Ele falou sobre a renúncia de Bento XVI com uma argumentação refinada e potente, com uma visão madura e ao mesmo tempo apaixonada pela fé. Ele diz: “Hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos ‘por quê?’. Por que renuncia senhor, Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou porque é o que ele fez a sua vida inteira. Simples assim. O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa. Renunciou ter filhos. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo. Renunciou ser só mais um padre. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar de seu país. Renunciou sua vaidade. Renunciou defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renúncia. E, hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um papa sábio. Nada é maior que a Igreja. Nem o papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela”.

A Igreja precisa de jovens assim, o mundo precisa de pessoas assim, que saibam o valor da fé e que a conheçam de forma apaixonada, mas não “romântica”...; profunda, e não apenas racional. Só uma juventude verdadeiramente ressuscitada, livre da cultura de morte gerada pelos vícios e pela violência, é que pode levar Cristo ressuscitado aos seus, e assim transformar o mundo. Isso é ter fé, isso é ser Igreja, isso é ressurreição.

 

* Artigo postado em http://oehd.wordpress.com/2013/02/12/siempre-renuncias-benedicto/

 

 

Destaque:

 

Só uma juventude verdadeiramente ressuscitada, livre da cultura de morte gerada pelos vícios e pela violência, é que pode levar Cristo ressuscitado aos seus, e assim transformar o mundo





Fonte: FC edição 928
Postado por: Família Cristã




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