Palavras a um casal em crise

Data de publicação: 20/08/2014

 

A carta dizia


“...Chegamos ao ponto do rompimento. É a segunda vez. Ainda nos amamos, mas está difícil continuar. Temperamentos opostos. Nossos interesses e motivações parecem os de remadores remando ao contrário. Um quer demais o que outro quer de menos. Uma palavra sua talvez ajude. Nós pensamos muito em tudo o que você fala! Às vezes, até choramos abraçados depois de ouvir alguma de suas canções.  Se religião pode salvar um casamento, então ore por nós. Nunca pensamos que seria tão difícil.                                                                     

 Giba e Lu

Giba e Lu, graça e paz!

Pela foto vocês parecem um lindo casal. São muito bonitos e seu filhinho é uma graça.  Mas confessam que seu casamento ficou difícil. Ponham difícil nisso! O casamento não é fácil para ninguém, mas é um peso agradável de levar, quando os dois se realizam com a presença um do outro. Uso da expressão de vocês: remar não é fácil quando se tem uma correnteza para atravessar, mas muita gente consegue quando rema ao mesmo compasso e com a mesma coragem. Mas há barcos que a corrente leva, porque não têm piloto, ou porque têm rombos no casco, e, ainda, porque os remadores brigam demais e remam, um ao contrário do outro.

Não falo em culpa. Ninguém entra num carro pensando que vai se acidentar. Todo mundo começa a viagem esperando chegar. Há os que chegam sãos, salvos e bem-dispostos, os que chegam mortos de cansados, os que chegam achando a viagem horrorosa, e os que não chegam porque aconteceu o acidente.

 

Ceder para salvar o casamento − Ninguém se casa para se descasar. Não é procedimento de pessoa coerente. Segundo as leis da Igreja e de muitos países, casar-se com intenção de separar-se torna inválida a união. Gente normal não faz isso. Mas gente normal às vezes foge à norma...

Não sei o que vocês farão do carro defeituoso que está se tornando seu casamento. Ou seria o defeito dos motoristas? O fato é que duas vezes vocês já acabaram no acostamento, e quase lá embaixo. Amavam-se? Pelo visto, sim! Tinham sonhos? É claro que tinham!  Era bonito? Era! Valeu a pena por cinco anos. De repente começou a desandar. Vocês são pessoas queridas? Parece que são! Nenhum queria a tristeza ou o mal do outro. Então, por que, de repente, começaram a se fechar, discutir, usar palavras duras, sentir desejo de ficar longe? Culpa de quem? Não vai adiantar um culpar o outro. Isso não melhora as coisas. Aí, entra a religião serena e inteligente, sem frases prontas e feitas.

E possível perdoar? Ainda se amam suficientemente para os dois cederem o bastante? Um dos dois seria capaz de ceder mais para salvar o casamento? Os dois seriam? Quem faria mais sacrifício neste momento? E valeria a pena? São respostas que vocês precisam se dar, se acham que Deus esteve com vocês desde o começo e se os dois acreditavam que era um dom do céu. Se parece que deixou de ser, é porque faltou fé um no outro e está faltando fé no Grande Outro, que São João diz que é a fonte do amor. Diz ele que Deus é amor e não que Deus tem amor (cf.1Jo 4,8). Talvez esteja acontecendo isso com vocês: tiveram amor um pelo outro mas não conseguiram ser um o amor do outro. Seriam capazes de recuperar ou descobrir esse sentimento?

Reconheço que palavras não resolvem uma dor do tamanho da sua, mas há pomadas que diminuem a dor e o paciente até consegue andar de novo. Orei e pedi que orassem por vocês. Não sou casado e não sei nem imaginar o quanto dói sentir que um casamento está acabando. Mas sei de inúmeros casamentos que se firmaram, depois de algumas crises. Hoje andam aos beijos e abraços e dá gosto vê-los reencontrados.

Sacramento é isso. Não apenas faz: também refaz. Já voei em muitos aviões que tinham tido pane no motor. Consertaram o motor e ele voou de novo. Vocês têm conserto. São dois briguentos temperamentais, mas são gente boa e querida. Tirem a pimenta e saboreiem o chocolate como ele é!



Por Padre Zezinho, scj

 





Fonte: FC edição 933
Postado por: Família Cristã




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