Igreja Pan-Amazônica

Data de publicação: 09/09/2014

Rede Eclesial Pan-Amazônica

Por Osnilda Lima, fsp

 

Em Brasília (DF), Igreja da Pan-Amazônia se reúne para articular Rede Eclesial entre os países da Região  

 

“Esperamos que a inspiração e insistentes apelos do papa Francisco para consolidar um processo eclesial a serviço da defesa da Amazônia e da promoção de uma ecologia integral nos acompanhe e nos leve a promover a dignidade humana, especialmente aos mais excluídos e vulneráveis da Pan-Amazônia”. Motivados por este trecho da Carta Convocatória para o Encontro Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) participantes dos países que compõem a Amazônia: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela estão reunidos em Brasília (DF), entre os dias 9 e 13. O objetivo da reunião é, a partir do diálogo, articulação e construção de consensos sobre a missão eclesial na Amazônia lançar as bases para a criação de uma Rede Eclesial Pan-Amazônica que atue de forma articulada.

O encontro conta com a participação, orientação e apoio de instituições da Igreja Católica com maior representatividade nos territórios Pan-Amazônicos, como o Departamento de Justiça e Solidariedade da Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM DEJUSOL), a Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB), a Secretaria da América Latina e Caribe da Cáritas (SELACC), a Confederação Latino-Americana e Caribenha de Religiosos e Religiosas (CLAR), e a participação do Conselho Pontifício para a Justiça e Paz do Vaticano.

 

Pistas para o encontro − “Quero saudar a todos e todas com título maior: Irmãos, imãs! Saúdo especialmente os companheiros da mesa e dizer da alegria da CNBB em acolher este encontro”. Com essas palavras dom José Belisário da Silva (foto à esquerda), arcebispo de São Luís do Maranhão e vice-presidente da CNBB, acolheu os participantes com os votos de um encontro frutuoso.

Em seguida, o bispo trouxe à reflexão trechos do documento da CNBB A Igreja e a questão agrária brasileira no início do Século XXI. Segundo ele, esse documento pode inspirar o encontro, pois traz os clamores, os gritos dos povos da terra, das águas, da floresta.

“O documento pormenoriza os clamores dos povos indígenas, os primeiros habitantes desta Terra. Sabemos que esses povos têm carregado uma cruz muito pesada. O clamor dos quilombolas, remanescentes de pessoas negras escravizadas, que fugiram em busca de um pouco de liberdade. O clamor dos se terra e dos assentados. O clamor dos ribeirinhos e pescadores. O clamor das cidades, falando da terra, lembramos as cidades construídas em cima de solos, a qualidade de vida para a maior parte dessa população é muito precária, falta quase tudo. O clamor dos assalariados e dos trabalhadores em situação análoga a escravidão. No Brasil isso tem acontecido especialmente na Amazônia. O clamor, finalmente, da própria Terra”.

E nesse clamor, o arcebispo cita na integra o número 73 do documento: “A expansão agrícola, sob a exclusiva hegemonia do capital e do dinheiro, levou para o campo o modo industrial de produção, comum ao capitalismo e ao socialismo, substituindo os policultivos por monocultivos, que mais se parecem com desertos verdes, numa veloz destruição da fauna e da flora locais, levando à extinção diversas espécies e afetando, de forma brutal, toda a biodiversidade existente”. Dom Belisário ressalva que esses clamores precisam estar presentes no encontro, pois é obrigação conhecer melhor as causas e as razões da situação de opressão em que vivem as populações.

Por fim, dom Belisário falou da realidade do estado do Maranhão como exemplo que não se deve repetir e lembra que o estado é tido como pré Amazônia, o portal da Amazônia. “No Maranhão, num período de pouco mais de cinco décadas houve a ocupação dos vales úmidos, especialmente pelos retirantes da seca nordestina. A transformação da terra em mercadoria, trouxe a derrubada das matas, a expulsão dos posseiros, a plantação de capim para a criação de gado ou de grãos para a exportação e a plantação de eucalipto para a produção de celulose.

O resultado final não tem sido bom. A produção de commodities é para exportação e não para o consumo interno. Concentração de riqueza, a miséria urbana e dos habitantes originários, temos entre 7 ou 9 povos indígenas reduzidos à miséria e os quilombolas”, advertiu o arcebispo que ainda insistiu que no encontro não sejam esquecidos esse clamores.

 

Amazônia coração da Igreja − Dom Sérgio da Rocha, (foto à direita) arcebispo da arquidiocese de Brasília, acolheu os participantes evidenciando a integração das populações do Distrito Federal, “Aqui há a integração de pessoas de todas as partes do Brasil e do mundo, uma mistura, síntese de diversas culturas”, salientou o arcebispo e desejou que esses valores sirvam de luzes para a construção da Rede Pan-Amazônica, que é o pulmão do mundo mas que também se torne o coração da Igreja.

O núncio apostólico no Brasil, dom Giovanni d’Anielo (foto à esquerda), manifestou augúrio de que o encontro atinja sues objetivos. “Faço votos em que a construção da Rede Eclesial Pan-Amazônica alcance resultados esperados, mas sobretudo, que através de seu testemunho evangélico, possa contribuir para que se desenvolva a família humana com uma sempre maior disposição de habitar a Terra segundo a justiça. Sabendo que no concreto da criação existe muito mais que o simples convite a atenção à ecologia, mas sim ter a presença do Deus criador que deu o mundo ao homem para que seja o seu custódio, não só para si, para os outros”, concluiu o núncio.

A partir de suas experiências e expectativas, os participantes buscam nestes dias de encontro estabelecer ações em comum para a construção Rede Eclesial Pan-Amazônica que permita animar, legitimar e consolidar um processo de articulação Pan-Amazônico a curto, médio e longo prazo. Bem como, definir o objetivo da Rede, seu modo de proceder, as estratégias fundamentais, as metas e sua estrutura organizacional.

O encontro visa ainda aprofundar a problemática das mudanças climáticas e a definir propostas, como Rede, tomando do como ponto de partida a 20º Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP20) que acontece em dezembro de 2014, na cidade de Lima, Peru.

 





Fonte: Família Cristã
Postado por: Família Cristã




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