Expectativas e diferenças

Data de publicação: 11/12/2014

Famílias com exagerado padrão de expectativas correm o risco de grandes frustrações, pois não realizam a idealização dos pais nem dos filhos

Cleusa e Alvício Thewes


Raul e Isa – Depois de 20 anos de casamento e mãe de três filhos, Isa está impaciente e decepcionada com Raul. Ele parou os estudos no Ensino Fundamental. Isa, mesmo depois de casada, continuou estudando, formou-se na faculdade e agora é uma profissional de sucesso na área da Informática. Já Raul é apenas um trabalhador braçal, instável e malsucedido. Raul afirma: “Nunca gostei de estudar”. Isa reclama que está sobrecarregada com as despesas da casa e queixa-se do pouco empenho do marido. Ela gostaria de vê-lo também realizado para poder se orgulhar dele. Ela diz: “Raul não tem garra profissional, mas é um grande companheiro”.

Lenira – Ela tem dois filhos adultos, casados. Mãe exemplar, mulher de fé, Lenira transmitiu aos filhos os valores cristãos que recebeu de casa. Mas os filhos estão brigados há três meses e não conversam entre si nem se perdoam. Para não se encontrarem na casa materna, eles passaram a visitar a mãe em dias diferentes. Lenira conversou com os filhos, mas ambos são irredutíveis, cada qual tem sua razão. Inconformada, ela sofre, chora muito e se deprimiu. Ela diz: “Ensinei-os a se perdoarem, quando crianças, mas hoje não fazem o que aprenderam”.

Lidando com expectativas – A expectativa é a espera de um acontecimento. As crianças esperam o passeio; os pais, o amadurecimento dos filhos; os casais, a felicidade, o amor eterno, a casa própria... Já Lenira tem a expectativa da união dos filhos, e Isa cansou de aguardar o sucesso profissional do marido. As expectativas se caracterizam pela tardança daquilo que almejam. Todos nós temos expectativas, quer em relação a nós mesmos, quer em relação a outros. É importante saber dosar as expectativas. O excesso pode levar à ansiedade e até causar sofrimento. Eis a fala de uma avó sábia: “Eu quisera saber, quando moça, o que hoje sei, que tudo na vida acontece no tempo certo”.

Expectativas não faladas – O que são expectativas não faladas? São desejos secretos que não se verbalizam, esperando que os outros os adivinhem. Isa esperou 20 anos que Raul estudasse e se tornasse um profissional respeitável, do qual pudesse se orgulhar. Isso não aconteceu, e Isa se desencantou. Na expectativa não falada, corre-se o risco de cultivar esperanças irreais e elevadas. São aqueles sonhos que estão além do nosso alcance e da nossa capacidade. Tais expectativas, quando não se realizam, causam grande frustração aos envolvidos.
Poucos filhos realizam as expectativas que os pais têm deles. O inverso também é verdadeiro. Há poucos pais ideais. A palavra escrita e falada é a ferramenta por excelência para verbalizar expectativas. Validemos a importância de realizar as próprias expectativas. O olhar sobre si mesmo amplia o horizonte. Famílias com exagerado padrão de expectativas correm o risco de grandes frustrações, pois não realizam a idealização dos pais nem dos filhos.

Diferenças somam ou dividem – Na diferença, aparece a identidade individual: fisionomia, tom de voz, cor de olhos, desenho do nariz e, principalmente, a forma de pensar, os valores, as atitudes e as preferências. O jeito próprio de cada um não é motivo para dividir nem para excluir, mas para somar, construir e colorir a convivência. Lembre-se: cada um de nós é uma beleza ímpar no cenário da vida. Lenira queria filhos iguais a ela, maduros na arte de perdoar. Ao perceber a resistência dos filhos ao perdão, isto é, ao ver sua expectativa frustrada, sofre. Isa estudou, e Raul não gosta de estudar. Tal diferença criou expectativas diferentes, as quais ferem, dividem e adoecem o relacionamento.
Às vezes, na trilha das expectativas, é bom diminuir a idealização, o inalcançável, aterrissar em terra firme, pôr o pé no presente, na realidade, e avaliar as possibilidades. São gritantes as diferenças nas expectativas das gerações. Os pais tiveram, ou ainda têm, expectativas correspondentes às suas épocas. O mesmo acontece com os filhos. Daí a importância de reconhecer e acolher o dom e a preciosidade que vêm para somar, pois somos desprovidos do poder e do direito de mudar o destino. Permaneçamos saudáveis e confiantes, pois cada qual tem seu tempo debaixo do céu.
Maria, olhai por nós. Amém!

*Cleusa e Alvício Thewes são casados há 28 anos e têm dois filhos. Ela é terapeuta familiar e especialista em Orientação Familiar. Ele, advogado e especialista em Família.




Fonte: Familia Crista ed. 945
Postado por: Família Cristã




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