Adolescentes e papagaios

Data de publicação: 12/12/2014

Maria Helena Brito Izzo*

“Respeitar a intimidade dos filhos, sua maneira de pensar e se comportar, é uma maneira civilizada de entender que eles agora são quase adultos.” 

Filhos precisam de, basicamente, cinco apoios que os pais, quando presentes, devem se esforçar em dar: amor, estímulo, atenção, orientação e correção. Acompanhados por adultos firmes e seguros que se empenham em seguir integralmente o desenvolvimento, eu diria com quase 100% de certeza que os filhos têm tudo para se dar bem na vida. No sentido mais positivo e humano: tornarem-se seres honrados, solidários e responsáveis. Mas essa missão exige algo mais do que simples atenção por parte dos pais: exige vigilância. Ser vigilante, no caso, não é ser xereta, bisbilhoteiro e ter o hábito de invadir sistematicamente a privacidade dos filhos para virar a vida deles pelo avesso. E vou explicar por quê.

Todos nós precisamos de um espaço para chamar de nosso. De um canto onde nos recolhemos quando queremos ficar sozinhos. Tal espaço é necessário para podermos refletir sobre, por exemplo, as decisões que precisamos tomar na vida. E para os adolescentes esse espaço é ainda mais sagrado e necessário. O quarto, às vezes, passa a ser mais importante que o mundo, porque é ali que eles se encontram consigo mesmos. A mochila, então, pode guardar tudo, menos algo que interesse aos pais. Aos pais resta a sabedoria de compreender e saber respeitar isso, pois a idade em que seus filhos vinham chorar no colo ficou no passado. Como nós, nossos filhos adolescentes também têm coisas que dizem respeito exclusivamente a eles. Respeitar a intimidade dos filhos, sua maneira de pensar e se comportar, é uma maneira civilizada de entender que eles agora são quase adultos.

Visão de raio X – Isso quer dizer que você, agora, vai ignorar tudo o que seu filho faz? Não. Sem simplificar demais a questão, comparo a educação que se dá a um filho ao ato de empinar papagaio: se o céu está limpo, o vento está bom e o papagaio estiver voando bem, damos linha. Mas caso contrário, se tiver algum problema, é melhor tomar cuidado, recolher a linha e ter o papagaio mais à mão para não correr o risco de estragá-lo ou perdê-lo. E, assim como você não precisa estar lá em cima, no céu, para saber que o papagaio está correndo algum risco – você percebe o risco pela vibração da linha, pelas condições do tempo e pelo que está vendo –,  não é necessário estar dentro da mochila ou do quarto do seu filho para saber que algo não anda bem.

Pais e – mais ainda – mães atentos que criaram bem seus filhos os conhecem a ponto de desconfiarem, através de um simples olhar, que algo não anda bem. Quando era pequeno, meu filho até dizia que as mães viam através das paredes. E é verdade, desde que as mães e os pais tenham tempo e disposição para olhar através das paredes. No sentido figurado, claro. Às vezes, basta um rubor, uma hesitação na fala, uma pequena mentira para saber que algo está errado com o filho. Que é hora de recolher um pouco a linha para não haver embaraço ou perda. Algumas perguntas discretas, e não um interrogatório acompanhado de uma blitz geral pelo quarto ou pela mochila, podem ser suficientes para se amainar as dúvidas e resolver o problema. Afinal, se os pais têm consciência de que criaram bem seus filhos, precisam ter confiança neles! Ou seja: o bom e velho diálogo entre pais e filhos é sempre preferível a qualquer atitude repressora. Outra qualidade indispensável aos pais é a tolerância: um cabelo à moda punk, a música ouvida em um volume mais alto, a bagunça do quarto e alguma rebeldia aparentemente sem causa são coisas passageiras. Mais importante que tudo isso é saber que aquele ser feito à nossa semelhança é honesto, tem caráter e está bem encaminhado.





"Terapeuta familiar.




Fonte: Família Cristã 912 - Dez/2011
Postado por: Família Cristã




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