Dinâmica familiar

Data de publicação: 05/03/2015

Ciclos na vida

No caminho da vida, sem desanimar, se faz necessário uma pausa para adubar e enxertar fé nas novas direções a seguir


Cleusa e Alvício Thewes


Tânia, 64 anos − Sob seus cabelos brancos, há um lindo rosto e um par de olhos tentando conter gotas cristalinas de lágrimas doídas. No rosto, um sorriso discreto, oculta o choro contido. Ela tem cinco filhos nascidos de três dolorosos e instáveis relacionamentos. Perdeu dois filhos e um genro, assassinados, em consequência de uso de drogas e envolvimentos destrutivos.
Depois de talhar a dor, amadurecida e sensível, sente-se consolada pelo sorriso das violetas que cultiva.  Ao cuidá-las, cuida de si, pois percebe na serenidade das violetas a vida que sonha ter. Na escuta das violetas, Tânia descobre que nunca se escutou, jogando-se, sempre, em escolhas imaturas e inconsequentes. O sorriso das violetas desperta seu sorriso e a vontade de ser feliz.

Sônia, 56 anos − Viúva, desempregada, hipertensa, queixa-se das escolhas erradas que ainda faz, pois deixa sua vida de lado para cuidar de dois netos, cujos pais não assumem.
Não podendo trabalhar, Sônia depende dos outros para sobreviver. Às vezes ensaia uma reação, porém a impotência vence sua fraca vontade, e ela não consegue passar aos seus filhos a responsabilidade de cuidar dos netos e criá-los. Fragilizada, tem receio de adoecer. Tudo que deseja é viver. Ainda acredita que sua vida pode mudar. Sabe que a determinação e as novas escolhas farão a diferença.

O jardim da vida − Comparemos a vida com um jardim. As pessoas são os jardineiros, criaturas desenhadas e criadas pelo Sopro do Espírito com sementes, dons, enviadas para a tarefa do cuidado amoroso de si, do outro, do planeta. No âmago da semente, pulsa o desejo do infinito. As sementes que o Criador põe nas criaturas são dons divinos, dotados de inteligência e livre-arbítrio, de modo que as escolhas cabem a nós. Escolhemos amores e ideais e, com eles, percorremos o jardim da vida, onde há variados caminhos: pedregosos e arenosos; movediços e fecundos.
Os sofrimentos recorrentes da criatura decorrem do descuido com as sementes e os limites do terreno escolhido para percorrer.
O que Tânia sente hoje é o resultado do descuido com as suas sementes e de suas escolhas erradas. Ela semeou as sementes de sua vida em terras áridas. Apaixonada e imatura, seguiu o caminho dos desamores e passa a vida pagando o preço. Sempre foi mal amada e pouco se amou. Ela reconhece isso. Um dia me disse: “Fui bonita, no espelho me fixei, e hoje colho o que semeei”.

Semear nova vida − Tânia e Sônia são jardineiras maduras e resolveram  fazer uma pausa para olhar o jardim de suas vidas. Elas sabiam que o tempo para regar de compaixão o terreno árido da culpa é agora. A tarefa requeria urgência, e elas agiram. Analisaram-se e estudaram as possibilidades das sementes que ainda lhes restam.  E eis que se descobrem aptas a remover as terras infrutíferas e a transformar mágoas em sementes de perdão. Convenceram-se de que ainda têm tempo para arrancar o joio do desafeto e plantar sementes de amor.
Há docilidade na terra e fecundidade nas sementes, mas os jardineiros e as jardineiras precisam se desapegar dos seus egos, se entregar, humildes e suaves, a cuidar das sementes e do jardim com as mãos do Divino Jardineiro. Remoer maus-tratos, sofrimentos, escolhas erradas é caminho a ser abandonado.

Violetas sem flor − Há ciclos na vida que parecem violetas sem flor e sementes sem cor. Aparelhos domésticos estragam, acidentes e fracassos ocorrem em todas as partes e tempos. Façamos, sem desanimar, uma pausa para adubar e enxertar fé nas novas direções a seguir. Exercitar, como jardineiro, a capacidade da poda, ou seja, cortar do jardim da vida os inços, as ervas daninhas que não servem mais. Que cada um reveja seus velhos vícios capitais (ira, gula, luxúria, soberba...) tão arraigados em si.

O sorriso das violetas − Hoje Tânia se encanta, em cada amanhecer, com o sorriso das violetas que cultiva em casa, cujas folhas se abrem como um colo acolhedor. Nas flores violetas, Tânia vê olhinhos que a contemplam com amor. As violetas mudaram? Não. Tânia mudou. 
Cultivemos violetas assim.
Mãe, eis o jardim que o Pai nos deu e pelo qual agradecemos.  Amém!




Fonte: Familia Crista ed. 944/agos2014
Postado por: Família Cristã




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