Menos mães perfeitas

Data de publicação: 24/03/2015


Quero viver em um mundo com mães reais, cheias de dúvidas, questionamentos, dificuldades, mas sempre com uma mão estendida para ajudar

Melina Pockrandt*



Por um mundo com menos mães digitais! “Que horror!”,  foi esse o comentário que recebi de uma seguidora quando falei no Instagram, que, quando minha filha está muito desobediente e pede que eu a deixe ir à casa da avó, eu fico em dúvida se não deixo ir para ficar de castigo ou se mando de uma vez para eu ter um pouco de paz. Mas a maior parte dos  comentários foram de mães que entendem bem o que eu falei e que, assim como eu, muitas vezes mandam para a casa da avó, sim!
O horror da seguidora não é um julgamento sem fundamento. É, na verdade, o susto de ver alguém falando sobre as dificuldades da maternidade em uma sociedade cheia de mães perfeitas. Mães que guardam para as redes sociais as poses e conquistas dos filhos, os beijos e abraços, a ajuda que recebem dos amigos e parentes, o amor incondicional e sacrifical intrínseco à maternidade. Mas deixam para fora da tela as birras e malcriações, as dúvidas e questionamentos, a assadura que apareceu no bumbum do bebê ou a vez que ela pensou seriamente em parar de amamentar por causa do cansaço.
Em um mundo de mães perfeitas, pelo menos aparentemente, a verdade da maternidade às vezes parece não tem vez. E a falta de verdade cria uma grande ilusão que engana as mulheres sem filhos. Ao engravidarem, muitas vão se lembrar dos momentos de prazer intenso que “aquela grávida do blog” sentia, não importando a temperatura ou qualquer sintoma que estivesse sentindo. Aliás, “aquela grávida do blog” não deve ter tido enjoo, nem calor, muito menos pés inchados iguais ao meu. “Será que há algo errado comigo?”

Mundo de mães reais − Lá na maternidade, quando o bebê vier mamar, a expectativa será de um lindo momento a dois, como “aquela mãe de recém-nascido do Facebook” contou outro dia. E, quando o neném não mamar, a dor aparecer e a mulher tiver vontade de correr na farmácia para comprar mamadeira, aquele pensamento voltará: “Será que há algo errado comigo?”.
E o mesmo vai acontecer na primeira crise de birra, algo que o “filho daquela moça do Instagram” nunca teve, ou com notas baixas na escola, o que é impensável para “a blogueira mãe dos filhos gênios”. “Será que há algo errado comigo?”
A maternidade é linda? Sim. Os bons momentos superam os ruins? Sim. Mas também às vezes toda mãe quer sair correndo para achar um ombro em que chorar. Em um mundo de mães perfeitas, julgamento, comparação e ostentação imperam, e não há espaço para desabafos, cumplicidade e companheirismo. É por isso que eu quero um mundo com menos mães das que a gente vê nas redes sociais, perfeitas e de filhos impecáveis. Quero viver em um mundo com mães reais, cheias de dúvidas, questionamentos, dificuldades, mas sempre com uma mão estendida para ajudar!

* Melina Pockrandt é jornalista e criadora do blog Maternidade www.maternidadesimples.com.br




Fonte: FC ediçao 951-Março 2015
Postado por: Família Cristã




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