Casal, gelo, sabedoria

Data de publicação: 14/04/2015

Sabedoria, os casais que a assumirem como companheira de vida encontrarão uma conselheira para o bem e conforto nas preocupações e tristezas

Por Cleusa e Alvício Thewes *

Fran e Rodrigo − O casal, a barra de gelo e a sabedoria. Embora sejam jovens, casados há apenas cinco anos e pais de uma menina, de 2, já enfrentam dificuldades no relacionamento. Ambos buscavam no casamento uma relação perfeita e se decepcionaram ao ver suas expectativas frustradas. Emocionalmente enfraquecidos, cada qual exagera nos defeitos do outro. Então discutem, ofendem-se e se magoam. Adotando atitude de frieza, literalmente gelam e se ignoram, ficando até 15 dias sem conversarem. Transformados em barras de gelo, congelam o afeto e assim fulminam todas as possibilidades de aproximação e entendimento. 
Diante dessa relação gélida, era normal que nascesse, e de fato nasceu, uma enorme resistência à parceria nas tarefas. As combinações tornaram-se impossíveis, mas as brigas não. Estas são frequentes e paralisam Fran e Rodrigo. Nelas, ambos descarregam suas amarguras, raivas e infelicidades, chegando mesmo a ponto de romperem, ficando separados por várias semanas.
O que mais aparece e se acentua nas queixas é a razão de cada um.
A prática do perdão e a espiritualidade conjugal, ingredientes tão importantes e necessários no Matrimônio, ficaram no altar, no dia do sim, esquecidos.

Gustavo e Ângela − Estão casados há sete anos e são pais de Bruna, de 4. O casal participou do curso para noivos na Igreja Católica. Gustavo e Ângela têm suas diferenças, tanto de personalidade quanto comportamentais. Ele é mais calmo; e ela, mais acelerada. No início do casamento, as cobranças principais recaíam sobre o jeito de ser de cada um.   O respeito mútuo veio com o tempo, na medida em que compreenderam e ajustaram as diferenças de personalidade. Também aprenderam a diluir o gelo relacional. Isso possibilitou a construção de uma parceria nas lidas da casa, na educação da Bruna e nas questões financeiras. O diálogo e as combinações foram fundamentais nessa mudança.
O casal também aprendeu a se perdoar. Praticam o perdão e rezam diariamente. Leves, dormem em paz. No pacote de seus planos, eles incluíram a intenção de envelhecerem juntos.

Casal barrinhas de gelo − Há pessoas que carregam em si o funcionamento emocional de hibernar. Elas se fecham diante das disputas conjugais. Passam dias em estado sólido, gelificados, emburrados, carregando sentimentos de raiva, tristeza, mágoa, comportamento que também fere a parceira ou o parceiro. É a forma que encontram para se proteger dos ataques conjugais. Nessa fase, os cônjuges se distanciam, vivem para si, congelam afetos e adiam decisões.  A vida conjugal esfria, o lar doce lar vira inverno conjugal, cinzento e frio.
Alto lá. Ninguém casa para viver assim. Não é mesmo? Ou você é a exceção à regra? Duvido. Ou ele ou ela tem que esquentar as emoções, aumentar a temperatura, modificar o relacionamento e usar o bom-senso. Em tais ocasiões, é imprescindível o resgate do caloroso amor, pois somente esse sentimento, tem a capacidade de descongelar a soberba e a ira, aquecer a humildade e o perdão. O casamento não é pista de patinação no gelo, nem montanha de gelo a ser escalada. Você casaria para viver como esquimó? Não? Então se toque, antes que seu casamento arruíne.
O casamento é a morada do amor  e do compromisso conjugal. Constituir família, ser feliz e fazer o outro feliz. Eis a missão conjugal. 

Casal sábio − Os relacionamentos conjugais passam por maturações e mudanças. Isso é inegável. Na medida em que a idade avança, novas situações se criam e provocam transformações na psique humana. As faixas etárias tendem a moldar a psique de acordo com as novas exigências da idade e do corpo. Isso tem uma implicação muito grande no casamento.  Conviver não é simplesmente o casal estar junto. Conviver pressupõe polir a própria personalidade para não ferir a do outro; adaptar-se às inevitáveis mudanças comportamentais e psíquicas; respeitar o jeito de ser do outro. Já perdi a conta do número de casais que acompanhei em terapia e que conseguiram esse pequeno milagre. Bonito de ver quando o casal procura e até clama por manutenção. E mais bonito ainda é ver como se adapta e mantém a união saudável. Isso é difícil? Nem tanto. Digo nem tanto porque nem é necessário ler tratados de Psicologia para manter o casamento. Basta ler a Bíblia. Nela encontramos a Psicologia necessária para uma união saudável. Entre os ensinamentos bíblicos encontramos o de pedir ao Pai o dom da Sabedoria, assim como o fez o rei Salomão.  Dom que o tornou hábil o suficiente para liderar o povo de Deus.
A Sabedoria, segundo a Bíblia, será dada a quem a deseja. “O princípio da Sabedoria é o mais sincero desejo da instrução; a preocupação pela instrução é o amor” (Sb 6,17).
A Sabedoria é divina e concede ao esposo e à esposa o bom-senso e a segurança necessários ao casamento. Ela traz aos corações as virtudes da temperança, da justiça, da prudência, da fortaleza.
Os casais que assumirem a Sabedoria como companheira de vida encontrarão nela uma “conselheira para o bem e conforto nas preocupações e na tristeza (cf. Sb 8,9).
Maria Mãe, que a Sabedoria seja nossa conselheira, hoje e sempre.  Amém!
     
* Cleusa e Alvício Thewes são casados há 28 anos e têm dois filhos. Ela é terapeuta famíliar e especialista em Orientação familiar. Ele, advogado e especialista em família.




Fonte: Familia Crista ed. 951/março2015
Postado por: Família Cristã




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