Histórico

Em dezembro de 1934 é lançada no Brasil a Revista Família Cristã pela Paulinas Editora, uma publicação voltada para a família brasileira

Há 80 anos, a Revista Família Cristã, publicada pela Paulinas Editora, segue a missão de dialogar com as famílias brasileiras, formar e informar, sempre atenta à realidade em que vivem. Conheça a trajetória da Família Cristã.

A irmã Dolores Baldi (1910-1999) foi a primeira a chegar a São Paulo (SP), no dia 21 de outubro de 1931; logo após, em 28 de dezembro do mesmo ano, chegou irmã Stefanina Cillario (1912-2006). Vindas da Itália, elas iniciaram a Congregação das Irmãs Paulinas no Brasil com a missão de trabalhar com a comunicação. Assim, as duas jovens paulinas iniciaram a missão no País, possuidoras do carisma e da herança que as lançaram ao encontro dos maiores desafios da modernidade.

Obedecendo à premissa de nascer na simplicidade e na pobreza, depois de três anos da chegada das primeiras Paulinas ao Brasil, nasce a Família Cristã. Irmã Stefanina Cillario percebeu que uma revista seria um ótimo meio de evangelizar a família brasileira, seguindo a intuição carismática do fundador Tiago Alberione a exemplo da Famiglia Cristiana lançada na Itália.

O primeiro número de Família Cristã foi publicado em dezembro de 1934, no formato de 22 cm x 15 cm, papel-jornal, 16 páginas, preto e branco. A capa mostrava a família de Nazaré: São José trabalhando, ao seu lado, Jesus adolescente sob os olhares de Maria.

Como diretora oficial, figurava o nome de Baldi Tersilla. E no primeiro editorial a Família Cristã era apresentada assim: “Não achareis nela erudição, nem elegância de veste tipográfica, mas uma boa palavra para o bem de vossas almas, instruções para o desembaraço das vossas ocupações diárias”.

Década de 1930 - Vencendo as primeiras dificuldades

Dezembro de 1934. Da pobreza de Nazaré, ou praticamente do nada e com pouquíssimos recursos, foi impressa, no Brasil, a primeira edição em português da revista Família Cristã, sob a orientação do padre italiano Tiago Alberione, fundador da Família Paulina e apóstolo das comunicações. Contava com 16 páginas em preto e branco e uma tiragem de 600 exemplares impressos em papel-jornal e em um equipamento usado. O que faltava em recursos sobrava em determinação. “Algumas pessoas diziam que a gente não ia dar conta, mas eu confiei nas palavras do padre Alberione. Já que a revista era classificada como boletim, tínhamos dificuldade para importar o papel. Foi preciso que eu fosse até o Rio de Janeiro a fim de falar com alguém do governo para reclassificar Família Cristã como revista. A partir daí ficou mais fácil”, recorda a irmã Stefanina Cillario, primeira editora da publicação.

Os primeiros tempos foram difíceis. “Família Cristã era um folheto simples, sem colorido algum, mas chamou-me muito a atenção”, revelou Palmira De Marinis Vasconcelos, uma de suas primeiras assinantes, na edição de janeiro de 1984. Palmira teve papel decisivo para a publicação. Em passagem pelo Brasil, a irmã Tecla Merlo, cofundadora das Irmãs Paulinas, havia decidido suspender a publicação devido às inúmeras dificuldades. Mas voltou atrás após ouvir o depoimento entusiasmado de algumas pessoas e, em particular, de Palmira.
 
Década de 1940 – Em busca de uma vocação

A década de 1940 começou com um planeta prestes a mergulhar em um conflito que se tornaria, mais tarde, generalizado: a 2ª Guerra Mundial. Sob a Era Vargas, um Brasil ainda agrário começava a se urbanizar de forma acelerada e dar os primeiros passos para ingressar na era industrial. Um sinal disso foi a criação, em maio de 1940, do salário mínimo.

A revista Família Cristã já tinha um formato um pouco maior (18 cm x 27 cm), mais adequado a uma revista e se tornou mais atraente, com impressão em duas cores. Inclusive na capa. A publicação deu os primeiros sinais de uma vocação jornalística voltada a atender às diferentes necessidades dos membros das famílias, com seções para crianças, jovens e pais. Em seu interior, as ilustrações ganham espaço e se tornam um recurso gráfico mais artístico e informativo do que, meramente, para preencher um espaço.

Década de 1950 – Qualificando a evangelização

A década começou com uma decepção (derrota para o Uruguai na Copa do Mundo realizada no Brasil), passou por um desgosto (o suicídio de Getúlio Vargas) e terminou em clima otimista. No governo Juscelino Kubitschek, o País ingressou na era industrial, viveu um rápido crescimento econômico e construiu Brasília. Os “anos dourados”, no período do pós-guerra, foram marcados pelo início da influência da cultura estado-unidense (American Way of Life) sobre os brasileiros. O rádio, a TV (recém-inaugurada), o cinema e a imprensa consolidavam-se como meios de comunicação e de difusão da cultura entre a classe média. Neste País em construção, a Igreja organiza-se: em 1952, fundou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Rio de Janeiro.

Com a revista Família Cristã não foi diferente. Já estabilizada, em 1954, deixou de ser produzida de forma artesanal e passou a ser rodada na Gráfica Ambrosiana. “Foi neste ano que o padre Alberione, vendo que a revista era predominantemente feminina, insistiu para que ela se dirigisse a toda a família, fazendo jus ao seu nome. Disse, expressamente, que deveria atender todos os membros da família, indo ao encontro das necessidades de cada um, segundo as circunstâncias em que vivem. Disse ainda que era bom dedicar uma ou duas páginas às crianças”, lembra irmã Stefanina.

Em 1955, a novidade foi a apresentação do título feito a mão, que deu à publicação um rosto mais jovem. A tiragem já chegava a 75 mil. “Encontramos na revista tudo o que pode vir a fazê-la uma das melhores do gênero. Fotografias sugestivas e ilustrações de gosto a enriquecem, o que a faz querida”, dizia uma carta de uma leitora, publicada em uma edição de 1952. Mas, apesar dos avanços, os fotolitos para a capa ainda vinham da Itália.

Aos 25 anos da revista, em 1959, ela passou a ter 28 páginas divididas em dois cadernos: um impresso em preto e branco e outro a quatro cores. O número de assinantes não parava de crescer, chegando a 130 mil. As seções mais lidas eram: Confia-me seu problema, Explicação do Evangelho, Utilidades práticas, Páginas da Bíblia, Carta do mês e Fotonovela.

Os anos 1960 foram tudo e mais um pouco – O mesmo, nunca mais

Revoluções sexual (feminismo e popularização da pílula anticoncepcional) e dos costumes (movimento hippie), agitações políticas e sociais (consolidação da Revolução Cubana, Revolução de Maio de 1968 na França), emancipação das minorias (luta pelos direitos civis nos Estados Unidos), auge da Guerra Fria (mísseis soviéticos em Cuba apontados para os Estados Unidos), contestação às guerras (o slogan “faça amor, não faça a guerra”) e aos regimes totalitários (luta armada na América do Sul). A juventude pensando em mudar o mundo com a música (festivais de Woodstock e Monterey) e o ser humano pisando na Lua. Em meio à efervescência, a Igreja inseria-se no mundo moderno com o Concílio Ecumênico Vaticano 2º. Os anos 1960 foram tudo e mais um pouco...

No Brasil, a democracia entra  em crise. Em 1964, o presidente João Goulart foi derrubado por militares e começou uma ditadura que se aprofundaria em 1968 com o Ato Institucional nº 5 (AI-5), lei de exceção que deu ao regime poderes absolutos como o de cassar direitos políticos. A supressão das liberdades é acompanhada por um excepcional desenvolvimento econômico (Milagre Econômico). O resultado, porém, é a concentração de renda e o crescimento da pobreza, que infla a insatisfação de oposicionistas. A Guerrilha do Araguaia opõe Exército ao braço armado do Partido Comunista Brasileiro. Mas a censura imposta à imprensa (e às artes, ao cinema, rádio, TV e a todas as formas de manifestação artística e cultural) impede que a população saiba dos fatos.

A revista Família Cristã não fugia à regra. Como a maioria dos veículos ligados à Igreja Católica, a exemplo do jornal O São Paulo, da Arquidiocese de São Paulo (SP), muitas de suas matérias precisavam ser previamente avaliadas. Em 1962, sua tiragem já era de 130 mil exemplares.

Década de 1970 – Brasil: nunca mais

“O sonho acabou.” O verso de John Lennon na canção God, de 1970, traduzia o desencanto com o período. O esgotamento dos movimentos pacifistas desaguou na subcultura Skinhead. Em 1973, países reunidos em torno da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em retaliação ao apoio dos Estados Unidos a Israel durante a Guerra do Yom Kippur, aumentaram em 300% o preço do produto. O mundo caiu em si que esse recurso era finito e começou a repensar sua matriz energética. Pela porta dessa crise, a ecologia entra na pauta. Em pouco mais de um mês, três papas: Paulo VI, falecido em agosto de 1978, é substituído por João Paulo I, morto em setembro. Em seu lugar chega o polonês João Paulo II, primeiro sucessor não italiano de Pedro desde 1522.

No Brasil, a repressão chega ao clímax. Segundo Direito à memória e à verdade, volume publicado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, 475 pessoas morreram ou desapareceram por motivos políticos. Um deles foi o jornalista Vladimir Herzog, encontrado morto nas dependências do 2º Exército, em São Paulo (SP). A memória do jornalista foi homenageada em um culto ecumênico realizado na Catedral da Sé, em São Paulo, por dom Paulo Evaristo Arns, o rabino Henry Sobel e o pastor Jaime Wright, os mesmos que desenvolveriam o projeto Brasil: Nunca Mais. Na vanguarda dos movimentos pela redemocratização do País, destacava-se a CNBB com os seus presidentes dom Aloísio Lorscheider e dom Ivo Lorscheiter.

A revista Família Cristã dava saltos de qualidade. A tiragem de 130 mil exemplares no começo da década passada ultrapassava a casa dos 200 mil exemplares em 1978. Com 68 páginas e contando com colaboradores leigos, como no projeto inicial idealizado pelo fundador Tiago Alberione, sua produção passou a ser totalmente realizada no Brasil, dispensando materiais (inclusive fotolitos) vindos da Europa. Madura do ponto de vista editorial e abordando cada vez mais a realidade brasileira (até onde a censura permitia), a revista passou a ser impressa na gráfica da Editora Abril.

Década de 1980 – O começo de uma era


Dois acontecimentos surgidos, respectivamente, no início e final da década marcariam o mundo. Em 1981, no Centro de Controle de Doenças de Atlanta, nos Estados Unidos, médicos descobriram, em cinco homossexuais, uma pneumonia que só afetava pessoas com o sistema imunológico debilitado: começava a pandemia da Aids, que já vitimou mais de 2 milhões de pessoas. E, em 1989, surgia, na Organização Europeia para a Investigação Nuclear chefiada pelo físico britânico Tim Robert Lee, a World Wide Web, ou a internet, o que dava início, historicamente, à era digital ou da informática.
O mundo conheceu de perto o neoliberalismo, a começar pelo Chile do general Augusto Pinochet e a Inglaterra de Margaret Thatcher, que revogou direitos sociais e trabalhistas e privatizou estatais. O encolhimento do estado em vários países ajudou, ideológica e economicamente, a derrubar a enfraquecida União Soviética e o muro de Berlim (junto com o socialismo), que caiu em 9 de novembro de 1989, com as bênçãos do papa João Paulo II, polonês egresso da cortina de ferro.

No Brasil, o regime ditatorial expirava em 1985 com o general João Figueiredo deixando o poder para José Sarney, político ligado às oligarquias nordestinas. Ele tomou posse na Presidência como vice da chapa encabeçada pelo conservador Tancredo Neves, falecido pouco após ser eleito. A redemocratização leva à Assembleia Constituinte, que produz, em 1988, a Constituição Cidadã.

Consolidada como uma publicação de alcance nacional, a revista Família Cristã ganhava densidade jornalística e chegou ao auge de sua maior tiragem: 217 mil assinantes. Em 1988, a matéria “Crianças prostituídas”, produzida pela irmã Rogéria Botasso, conquistou o prêmio Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Década de 1990 – Um mundo descentralizado

Na África do Sul, chegava ao fim o apartheid com a eleição, em 1994, de um presidente negro, Nelson Mandela. O Brasil elegia, em 1990, seu primeiro presidente pela via direta desde 1961: Fernando Collor, que renunciaria em 1992, devido a denúncias de corrupção. Uma economia instável (inflação de 1200% ao ano e a perda de 920 mil postos de trabalho) forçava a implantação de vários planos econômicos.

Desfeito o muro entre o Primeiro Mundo (Capitalismo Ocidental) e o Segundo Mundo (Bloco Socialista), a Europa ingressou, nos anos 1990, em um período de reunificação e de redefinição geopolítica (novos países se formaram e outros desapareceram). Surge a União Europeia e a globalização, recebida com reservas por trabalhadores, produtores e empresários, que passaram a viver a concorrência, muitas vezes em desvantagem, de produtos e serviços estrangeiros. Muitos desses, porém, se tornaram mais baratos. A queda do custo com a tecnologia facilitou o acesso a computadores de uso pessoal e o crescimento da internet.

Essas inovações da informática resultariam em novas formas de se fazer jornais e revistas. A revista Família Cristã, por exemplo, aderiu, com pioneirismo, à editoração eletrônica. Uma das primeiras revistas do País a substituir o processo manual de produção gráfica com o uso de programas de computador, seus textos, leiautes, gráficos, ilustrações e fotografias, além da paginação, deixaram de ser produzidos por processos manuais e passaram a utilizar recursos informatizados. E preparando seus leitores para a evangelização no terceiro milênio, a revista lança o suplemento Rumo ao Terceiro Milênio, que terminaria só na virada do século.

Década de 2000 – Um outro mundo é possível

Dois marcos importantes dividiram os milênios. O primeiro: a versão popular da globalização. Em janeiro de 2001, acontecia a primeira edição do Fórum Social Mundial (FSM), em Porto Alegre (RS), organizado por movimentos sociais de diferentes continentes, com o objetivo de propor novas alternativas de desenvolvimento. O FSM se repetiria anualmente ao longo da década na Ásia, África e América Latina. O segundo: o ataque de 11 de Setembro a Nova Iorque, Estados Unidos, promovido pela Al-Qaeda, organização fundamentalista islâmica, motivado pelo apoio dos EUA a Israel, sua presença na Arábia Saudita e as sanções contra o Iraque. O saldo: 3 mil mortos e mais a Guerra ao Terror, resposta norte-americana.

No Brasil, em 2003, tomava posse seu primeiro presidente de origem popular: Luiz Inácio Lula da Silva, que seria reeleito em 2008. Já em Roma, depois de longa agonia, terminava, em 2005, o pontificado do papa João Paulo II, o terceiro mais longo da história da Igreja (mais de 26 anos), sendo substituído pelo papa Bento XVI (o cardeal alemão Joseph Ratzinger).

A revista Família Cristã viveria anos de avanços e reconhecimentos. Em 2002, foi lançada a edição on-line da publicação, que no seu primeiro ano ganhou o Prêmio Dom Helder Câmara, oferecido pela CNBB. Outra criação da publicação foi bem recebida: a revista Super+. Lançada como suplemento infantojuvenil, ela ganhou vida própria em 2007, quando também conquistou o Prêmio Dom Helder, seguindo os passos de sua predecessora, a Família Cristã, que recebera o mesmo prêmio em 2004 e 2006 e voltaria a fazê-lo em 2010.

Década de 2010 – Tempos pós-modernos

A década começa com desastres naturais. No Haiti, um terremoto mata 230 mil pessoas, dentre elas a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança. Em março de 2011, no Japão, um terremoto seguido por tsunami deixa um rastro de 13 mil mortos, 16 mil desaparecidos e uma série de acidentes em usinas nucleares. Ficaram sem energia elétrica 4,4 milhões de japoneses e 1,4 milhão sem água.
Europa e Estados Unidos mergulham em uma grave crise econômica, e o mundo se volta para os países em desenvolvimento do chamado Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e, também, África do Sul). A China ruma para se tornar a maior potência econômica do planeta.

No Brasil, em 2011 termina o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que faz sua sucessora. Dilma Rousseff torna-se a primeira mulher presidente do Brasil. Enquanto em Roma, João Paulo II era beatificado em um tempo recorde.

A revista Família Cristã, que volta a ganhar o Prêmio Dom Helder Câmara em 2012, trilha novos caminhos e novas linguagens: entra no ar o blog, com possibilidade de acesso por aplicativos para tablets e smartphones, o site, página no Facebook e perfil no Twitter.

Em 2013, completou 80 anos, com edição especial, trazendo na capa a reprodução da primeira edição e a chamada – 80 anos 936 edições e uma missão – caminhar ao lado do povo de Deus.

A reportagem “História de um refúgio”, publicada na edição de novembro de 2013 da revista Família Cristã, foi vencedora do prêmio Dom Helder Câmara de Imprensa – 2014, concedido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Em março de 2014, a edição 939 da Família Cristã, inaugurou seu novo projeto editorial. 
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