Primavera entre os dentes

Data de publicação: 03/03/2017

Por Sérgio Esteves Jr.


Não é normal um idoso – ou ninguém – ser desdentado.
A saúde bucal, mais do que algo estético, é fundamental em qualquer idade



No início dos anos 1980, a então funcionária pública Hermínia Valentim, de São Paulo (SP), com pouco mais de 30 anos, recorda ter passado maus bocados com um abscesso dentário – complicação de cárie que resulta em infecção, acúmulo de pus, inchaço e dores latejantes – no seu molar inferior direito. E não teve dúvidas. Aconselhada por alguns amigos e familiares, chegou ao consultório dentário com a disposição de lá deixar o objeto de seu sofrimento. Ainda que orientada pela dentista a adotar um procedimento conservador, ou preservar o dente mediante um tratamento, ela insistiu pela via mais rápida. Uma de suas razões era o custo da extração ser até três vezes mais em conta do que o do tratamento conservador. Outra é que ela acreditava que um dente a mais ou a menos não faria diferença em sua vida. Mas fez. Hoje, a aposentada de 67 anos, três dentes a menos na boca, corre atrás de uma prótese ou, quem sabe, um implante para reparar os equívocos do passado. “Se pudesse voltar no tempo, não optaria pelas extrações”, afirma.
Hermínia está longe de ser exceção no Brasil. Segundo dados do Programa Brasil Sorridente, do Ministério da Saúde, hoje apenas 10% das pessoas na terceira idade – nos países em desenvolvimento, aqueles com mais de 60 anos – possuem 20 ou mais dentes, e 75% deles não possuem nenhum dente funcional ou são totalmente desdentados, sofrendo do que especialistas chamam de edentulismo ou perda dentária precoce. Precoce sim, porque embora pareça não é normal um idoso – ou ninguém – ser desdentado. A saúde bucal, mais do que algo estético, é fundamental em qualquer idade. Pois, na ausência dela, as bactérias e fungos naturais da boca tendem a atingir outros órgãos. Um estudo de 2010 realizado pela Universidade College London, no Reino Unido, e publicado no British Medical Journal, comprovou: indivíduos sem uma higiene bucal satisfatória apresentam 70% mais riscos de desenvolver, com o passar dos anos, problemas cardíacos, como infarto, em relação àqueles que escovam os dentes pelo menos duas vezes por dia.

Idade sensível  – Ter dentes saudáveis em qualquer idade requer higiene bucal adequada – escovação e fio dental após as refeições – e visitas regulares ao dentista. Na terceira idade, porém, são necessárias algumas outras atenções. Isso porque o uso contínuo de anti-hipertensivos, antidepressivos e tranquilizantes, por exemplo, pode levar à boca seca ou a uma produção insuficiente de saliva, o que os dentistas chamam de xerostomia. Independentemente do uso de medicamentos, a própria idade avançada tende também a atrofiar as glândulas produtoras de saliva e secar a boca. A consequência, geralmente, é o aparecimento de cáries, mau hálito persistente, doenças gengivais e infecções nas glândulas salivares. A falta de saliva ainda pode soltar próteses, provocar mudanças na dieta que, eventualmente, levam à desnutrição e a problemas estomacais, uma vez que ela compromete a mastigação dos alimentos. Uma solução é manter-se sempre hidratado, ingerindo água ou outra bebida sem açúcar – principalmente refrigerantes – e evitando o consumo de bebidas com álcool ou cafeína. Não sem antes, claro, consultar seu dentista para saber qual será o melhor procedimento.
Outra dica para uma dentição saudável na terceira idade é redobrar os cuidados no caso da presença de algumas doenças sistêmicas. Os portadores de diabetes, por exemplo, têm cerca de quatro vezes mais probabilidades de sofrer com inflamações nas gengivas e perdas do suporte ósseo dos dentes. Isso porque, segundo os especialistas, o aumento de glicose no sangue deixa o sistema imunológico vulnerável ao surgimento de processos infecciosos causados por bactérias e fungos, favorecendo uma maior incidência de doenças periodontais como a gengivites. De acordo com as estatísticas e não por acaso, as gengivites se tornam mais comuns em pessoas acima de 40 anos. A sensibilidade, ou dor, é outro problema que também se acentua com o passar dos anos, pois com ela aumenta a retração gengival, que expõe áreas do dente que não estão protegidas pelo esmalte dental. Essas áreas tendem a ficar doloridas quando atingidas por alimentos e bebidas quentes ou frias. Nos casos mais severos, pode ocorrer sensibilidade até mesmo com relação ao ar frio e a alimentos e líquidos doces ou amargos. Se for o seu caso, diga isso ao seu dentista. Provavelmente, ele recomendará a você o uso de um creme dental mais apropriado, com uma alta concentração de flúor para ajudar a fortalecer a superfície do dente.




Fonte: FC edição 940 - Abril 2014
Postado por: Família Cristã




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