Namoro no Alpendre

Data de publicação: 09/03/2017

Por Padre Zezinho, SCJ


Perdemos a noção de distância e de proximidade, assim como perdemos a de disciplina e educação.
Nossas mães tinham razão quando controlavam sem controlar!




Ainda me lembro de como minhas irmãs namoravam. No alpendre, sob os olhos amigos, mas vigilantes, de minha mãe, que vinha oferecer um bolinho de polvilho e uns pastéis a cada dez minutos... E que ela vigiava! Fazia da pedagogia e da sabedoria de mães que deixam livre sem deixar. Ainda me lembro das brincadeiras de família ao redor do fogão, ou na sala de estar, que era mais varanda do que sala.
Ainda me lembro dos vizinhos e de como as crianças eram como filhos de todos, tal o cuidado que a vizinhança tinha com todas elas.  Não sou contra a televisão e o rádio, mas eles acabaram com isso. Agora, a família se enclausura na sala e nos quartos, cada qual vendo seu apresentador preferido e seus artistas mais bonitos e admirado, e quase ninguém conversa, nem em família, nem entre vizinhos. 
A janela e o portão faziam mais bem à comunidade do que hoje a televisão com seus maus exemplos de violência e costumes estranhos, importados da cidade grande ou de outro país. Tudo em nome da liberdade de expressão. É a mesma expressão que emporcalham nossas cidades e ninguém faz nada contra.
Não sabem a diferença em pintar e desenhar e emporcalhar. Tudo vira liberdade de expressão e é tido como arte. E quem luta por qualidade e pede que a cidade seja limpa é chamado de repressor. E é porque os pais não reprimem com amor que a polícia tem que reprimir com gás e com cassetetes. Perdeu-se a noção do limite, como consequência permite-se demais e reprime-se demais.
As partidas de futebol dão uma boa ideia do comportamento de nossos tempos. Ainda não chutam os árbitros, mas, como já chutam as professoras, virá dia em que os árbitros serão espancados porque um deles apitou falta!

Controle sem controlar − Criamos uma geração que não aceita perder, odeia regras nas quais não vencem! Há adolescentes batendo a porta na cara dos pais! E não aceitam ser punidos! Alguém ensinou essa pseudopedagogia que está muito longe de ser pedagogia.
Pior de tudo é que quem decide o que o povo deve ver são uns poucos cidadãos. Uns cinco ou dez homens e mulheres em cada canal decidem o que o povo deve ou não deve ver. A televisão parece, mas não é nada democrática. Estão impondo seus costumes ao povo, e este não aprendeu ainda a conviver com a televisão. Ela tem poder, mas nós temos o controle remoto, que raramente usamos!
Perdemos a noção de distância e de proximidade, assim como perdemos a de disciplina e educação. Nossas mães tinham razão quando controlavam sem controlar! Os governos parece que perderam esta sabedoria! Olhem nossas ruas!




Fonte: FC edição 942 - Junho 2014
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

Revista Família Cristã
Edição 1.004 da revista Família Cristã – Agosto de 2019
Das ondas ao altar
Se pregava, era de todo coração; se surfava, era para encarar as maiores ondas.
Caldos, sopas e consumês
Neste inverno, além dos cuidados com a pele, é importante se preocupar com a alimentação.
O Anjo Bom do Brasil
Irmã Dulce,a religiosa que conquistou o coração do povo brasileiro será canonizada.
Revista Família Cristã
A edição 1.003 da revista Família Cristã, com conteúdo de qualidade para você e sua família.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados