O bebê diferente

Data de publicação: 11/05/2017

Por Padre Zezinho, scj

Oremos por todas as crianças que vieram com defeitos físicos, mas não com defeito moral. Amém!


A concha de formato diferente, que estava entre as outras conchas parecidas entre si, era uma concha. Não deixou de ser concha só porque era diferente.
Não foi preciso dizer àquela mãe de 21 anos que o seu bebê era diferente. Ela notou nos olhos, no jeito dele olhar e na pequena fenda nos seus lábios que o seu bebê nascera com síndrome de Down e uma deformação física, que com o tempo seria mental. Chorou muito, quase 15 dias, depois enxugou as lágrimas, consolou-se, ela e o jovem marido, e procuraram um padre, e o padre era eu.
Sentimos juntos, conversamos, vi o bebê, batizei-o, conversamos muito com os avós, com os outros familiares, e eles decidiram de uma vez por todas que assumiriam a criança. E foi muito bonita e sábia a frase da Debie, a mãe da criança, falando de sua filhinha, a quem deu o nome de Hebe, sobre o futuro dela:
– Pois é, toda mãe fica mãe por toda a eternidade. Eu vou ter uma criança que dependerá de mim a vida inteira.
E prosseguiu: 
– Eu pedi a Deus que eu fosse mãe e não especifiquei.  Deus está me dando uma maternidade que vai durar mais tempo do que a das outras, mas sou mulher e eu vou ser capaz de criá-la.
Seu marido lhe deu um beijo e disse:
– Eu também.
Já faz tempo isso. Tiveram mais dois filhos sem os limites da Hebe. Cresceram tranquilos, solidários com a irmã. A família hoje é muito mais madura. Hebe já tem 22 anos e fala com bastante normalidade. Apresenta um perceptível atraso mental e algumas dificuldades, mas é muito amada no bairro, comporta-se de maneira maravilhosa, é uma presença constante na vida da mãe. Quando olho pra trás e para a frente, aprendo com eles.
Hebe não é uma jovem doente, é apenas um ser humano diferenciado. A aparência engana muito. A Hebe é um poço de ternura. Seu beijo na testa é terno e sem malícia. Quando nos dá sua testa para que a beijemos, há gratidão e carinho. Sua família inteira ficou mais terna por causa dela.
No fundo, no fundo, somos todos nós um pouco como a Hebe, portadores da síndrome de Down espiritual, às vezes com enorme atraso afetivo e espiritual. Oremos por todas as crianças que vieram com defeitos físicos, mas não com defeito moral. Amém!




Fonte: FC edição 964 - Abril 2016
Postado por: Família Cristã




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