Algo fora do lugar

Data de publicação: 22/11/2018

Por, Jorge Gimenez
Algo fora do lugar

A endometriose é a responsável por até 45% das causas de infertilidade feminina. E esse é apenas um dos sintomas da doença

Para até 10% das mulheres em idade reprodutiva, o período menstrual é um martírio e as cólicas não se limitam a ele. Após seu término, as dores persistem e não cedem com uma medicação convencional. E essas são apenas algumas aflições que acometem as portadoras de endometriose, doença de causa ainda desconhecida que se caracteriza por uma inflamação crônica no interior do abdômen devido à presença do endométrio – mucosa que reveste a parede interna do útero – fora desse órgão, geralmente nos ovários, trompas, intestino e bexiga. Os outros sintomas são, em maior ou menor intensidade, infertilidade, dor ao urinar, desconforto pélvico crônico e sangue na urina. Como se não bastasse, o problema ainda traz prejuízos para a vida íntima a dois, pois as lesões causadas pela aderência entre os órgãos pélvicos, como resultado da presença deslocada do endométrio, torna muitas vezes dolorosa a relação sexual, prejudicando a vida de um casal.
A funcionária pública Dalva Maria do Rosário, de 43 anos, casada há cinco anos e mãe de Gabriela, de 3 anos, sabe bem o que é isso. Se hoje ela consegue levar uma vida normal, com visitas periódicas ao ginecologista, isso não acontecia antes. “Tinha muitas cólicas antes da menstruação e elas perduravam durante o sangramento. Também sentia dores durante as relações e havia dificuldade para engravidar. Na visita ao médico, foi levantada a hipótese de um problema só confirmado através de uma laparoscopia. Era endometriose”, recorda ela. No caso de Dalva, a videolaparoscopia, exame endoscópico que permite ao médico ver através de uma tela o interior da cavidade abdominal, foi importante, pois possibilitou não só identificar o problema, como ajudar no tratamento e no planejamento da desejada gravidez. 

Diagnóstico preciso – Mas nem todas têm a mesma sorte de Dalva. A falta de informação hoje existente faz algumas mulheres ainda acharem normal o desconforto provocado pela endometriose e não procurar um tratamento adequado. “A visita anual ao ginecologista é indispensável para toda mulher com mais de 21 anos e que tenha se relacionado sexualmente”, afirma o ginecologista e obstetra Alexandre Pupo, do Hospital Sírio Libanês, de São Paulo (SP). Segundo ele, o melhor exame para se suspeitar da doença é a consulta médica completa com conversa, exame ginecológico e, inclusive, o toque vaginal. “Nela, o médico consegue definir onde dói, a consistência dos órgãos e se há relação com os sintomas relatados pela paciente. Complementar a isto, ultrassonografia de pelve e ressonância magnética podem ser usadas para se chegar ao diagnóstico definitivo”, confirma.
Um diagnóstico preciso e um bom tratamento são fundamentais para a mulher voltar a ter chance de engravidar, pois a endometriose está presente em até 45% das causas de infertilidade feminina – a inflamação agride ovários, óvulo e espermatozoides, além de alterar o endométrio, local onde, afinal, o embrião se estabelece e se desenvolve. Um tratamento à base de hormônios ou através de uma cirurgia que remove todas as lesões deixadas pela endometriose pode restabelecer a fertilidade. Segundo os especialistas, não é raro uma paciente engravidar, principalmente se o grau da doença for leve. Quanto aos riscos de um aborto espontâneo, esses são os mesmos de uma gravidez normal.
Em 30% dos casos existe a possibilidade de o problema voltar mesmo após um tratamento cirúrgico, o que reforça a necessidade da mulher nunca deixar de fazer consultas periódicas ao ginecologista. A chance do desaparecimento do problema é mais certa no chamado climatério, quando cessam os períodos menstruais. “Após a menopausa, os níveis hormonais sexuais femininos caem e, consequentemente, a endometriose perde sustentação hormonal, vindo a melhorar e eventualmente desaparecer”, confirma o dr. Alexandre Pupo.

1. ENDOMÉTRIO − Tecido vascularizado que reveste a parede interna do útero, rico em vasos sanguíneos e glândulas especializadas, são formados e destruídos no período menstrual, em
resposta às alterações hormonais.

2. ENDOMETRIOSe – Em algumas mulheres parte do sangue da menstruação com as celulas do endométrio, volta e entra pelas trompas, para na cavidade abdominal e não consegue sair e caracteriza uma inflação crônica.

3. ORGÃOS AFETADOS −  Represadas no abdomem essas celulas se multiplicame afetam os ovários as trompas e áreas externas do útero como bexiga e entestino.

4. VIDA ÍNTIMA − O problema ainda traz prejuízos para a vida íntima a dois, pois as lesões causadas pela aderência entre os órgãos pélvicos, como resultado da presença deslocada do endométrio, torna muitas vezes dolorosa a relação sexual, prejudicando a vida de um casal.

5. SINTOMAS − Os outros sintomas são, em maior ou menor intensidade, infertilidade, dor ao urinar, desconforto pélvico crônico e sangue na urina.






Fonte: FC maio de 2012
Postado por: Família Cristã




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