Viver bem dentro de casa

Data de publicação: 19/02/2019

Por,  Esmeralda Bonito
Uma família unida enfrenta e supera os desafios da vida com maior facilidade. Mas, para isso, é preciso que cada familiar contribua. Todos idealizam a família ideal, sem discussões ou conflitos, mas a realidade nem sempre é assim. Afinal, como dizem, “família perfeita só existe em porta-retratos”. Claro que existem grupos familiares que vivem em muita harmonia e, com isso, ficam fortalecidos e conseguem superar ou amenizar suas dificuldades e dramas mais facilmente. Para isso, no entanto, é preciso que cada um dê o seu melhor. Relações familiares são complexas e é natural que seja assim, pois cada familiar possui um temperamento, uma forma de ser e agir, além de ter objetivos diferentes. Para a família se manter unida e forte e vencer ou conviver com os desafios que surgem, é necessário buscar soluções para equacionar suas diferenças. “É fantasioso demais acreditar que pessoas diferentes, com desejos e aspirações diferentes, muitas vezes de gerações diferentes, não gerem conflitos ao se posicionarem, independentemente do quanto se amam. Negar esse fato, em busca de imagem de família perfeita, pode se tornar negligência na resolução dos conflitos”, explica o psicoterapeuta Luciano Passianotto, de São Paulo. Isso porque, explica ele, no ambiente familiar o “espaço individual” muitas vezes coincide com o “espaço coletivo”, e nesses casos as pessoas têm que fazer uma opção. E, seja qual opção for, trará consequências e impactos na vida dos envolvidos: quem pensa sempre na família vive em meio a frustrações e incompletude, e quem pensa sempre em si, torna-se um estorvo. “Portanto, é necessário haver um balanço”, observa Passianotto. Problemas existem em todas as famílias, porém, há atitudes dos familiares que podem piorá-los ou, ainda, gerar mais conflitos, como a desvalorização da família, o desrespeito à individualidade, a falta de empatia, de autocontrole e de abertura ao diálogo (veja box). “Embora os membros não concordem em tudo, deve haver um sentimento de unidade, mesmo durante conflitos”, explica Passianotto, referindo-se à importância de valorizar a família. Os desafios que surgiram na vida do casal Léia Vizioli José e Antonio Inácio José, junto há 32 anos, foram e são superados dia a dia, nos momentos em que discordâncias e conflitos são resolvidos ou amenizados. O fato de ter um filho portador de deficiência mental mudou radicalmente a rotina do casal, que precisou adaptar-se a uma nova fase. Marco Antônio completou 25 anos, não se locomove e sempre foi dependente dos cuidados da família. A mãe parou de trabalhar para se dedicar exclusivamente a ele e o pai também sempre foi muito presente. Além de Marco Antônio, há ainda os filhos Lucas, de 30 anos, e Bruno, de 10. O hobby dos pais sempre foi viajar. “Em casa, tudo está preparado para ele, mas, quando viajamos, surgem muitas situações adversas. Sempre passeamos de carro e o levamos, porém, na hora de viajar, há lugares em que é muito difícil levá-lo”, conta Léia. Por conta disso, na maioria das vezes, ela e o marido se revezam nas viagens que surgem com a família: um vai e o outro fica cuidando do filho. “É difícil a gente sair juntos, quase não saímos e, na hora de decidir quem vai ou fica, sempre surge alguma divergência”, conta ela, lembrando que o caçula, Bruno, de 10 anos, também não aceita muito a situação de não sair com o pai e a mãe juntos. “Mas resolvemos as coisas com muito amor, visando sempre ao bem-estar dele e com muito amor, e, então, conseguimos racionalizar e concordamos em achar uma saída”, afirma ela, acrescentando que as soluções não costumam contemplar a vontade de todos os familiares. “Mas tudo é exposto e conversado, até que chegamos num ponto em comum.”
Diálogo é essencial – Os momentos adversos na família, em que tudo parece sair do controle, requer mesmo entendimento. “É preciso conversar e ter a noção de que, se jogarmos tudo para o alto, as coisas não vão caminhar”, conta Léia, por experiência própria. “Na hora em que a situação fica difícil, o caminho é se unir para não piorar a situação. É o que a gente faz até hoje e sempre deu certo.” O diálogo é um caminho imprescindível para contornar os conflitos familiares e fortalecer os laços. “É importante, pois a única forma de resolver conflitos é através de concessões balanceadas e, para se atingir esse objetivo, a comunicação tem um papel fundamental”, ressalta o psicoterapeuta.
Os jornalistas Luciana de Sena e Claudio Joaquim Augusto são casados há 34 anos. O filho, André, tem 22 anos. Ela conta que, como todas as famílias, a sua já vivenciou muitas dificuldades e divergências, que foram superadas a partir da firme vontade do casal de manter-se unido. “Quando percebemos que o outro tem o desejo de continuar junto e seguir em frente, então isso ajuda muito”, afirma. Juntos, os jornalistas aprenderam muitas lições, como tolerar, expor os sentimentos e dialogar. “A paciência foi fundamental, assim como a empatia, que faz com que nos coloquemos no lugar do outro”, lembra ela. “Temos o interesse individual, mas precisamos chegar a algum acordo. Se um não quer, não adianta.” Para ela, é muito importante seguir em frente e não desistir frente aos obstáculos, em prol de um bem maior. “É quando percebemos que existe amor e que se trata da nossa família, filhos e dos nossos sonhos”, finaliza ela, que também se apoia nos amigos, na religiosidade e na fé em Deus, para superar os desafios em família.
Quando a família não faz um esforço para superar as divergências, os laços familiares se fragilizam, tornando as relações cada vez mais problemáticas. “A tendência é a de que essa família se acostume com esse ambiente e seus membros criem defesas psicológicas para lidar com essas situações”, ressalta Passianotto. “Outra tendência é a criação de ‘tabus’, onde determinada questão vai se tornando impossível de ser abordada, continuando em conflito”, assinala ele.
É importante que todos compreendam que precisam trabalhar juntos na resolução do problema, pois raramente uma mudança de comportamento ou posicionamento individual faz a diferença. Todos precisam participar, independentemente do problema. “Caso isso não seja possível, a família deve buscar ajuda profissional para evitar o pior”, aconselha o psicoterapeuta. A terapia familiar pode ajudar a encontrar saídas tanto para questões coletivas, como, por exemplo, relacionamentos conturbados, dificuldades de comunicação ou dificuldades conjugais, como também para problemas de um familiar, mas que afetam a todos, como alcoolismo, drogas, dificuldades de aprendizagem, transtornos psicológicos, depressão e outros.
Em casa
Abaixo, as atitudes positivas para uma boa convivência familiar
Respeito à individualidade: regras familiares devem ser flexíveis, a ponto de diferenças individuais de pensamento, opção e posicionamento não afetarem o convívio.
Empatia: Compreender como o outro se sente, ajuda a balizar os comportamentos, tornando a convivência mais harmoniosa.
Autocontrole: Saber se posicionar de forma adequada e equilibrada, controlando sentimentos negativos, diminui conflitos e facilita suas resoluções.
Abertura: É preciso criar um ambiente de acolhimento, onde os membros da família se sintam confortáveis para se posicionar, sem medo de represálias.
Assertividade: Saber demonstrar desagrado e resistir à pressão, ao conversar com familiares que tenham autoridade, sem perder o respeito, torna as relações mais maduras.




Fonte: Edição 998, fevereiro de 2019 Postado por: Família Cristã
Postado por: Família Cristã




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