Sinusite ou rinite?

Data de publicação: 11/04/2019

Por, Carmen Maria Pulga
Como a diferença entre as duas é nebulosa, para a maior parte do público, as pessoas preferem declarar que sofrem de ambas.
Tanto a sinusite como a rinite são inflamações que afetam as mesmas regiões do corpo, as mucosas da face. Elas podem vir juntas ou uma desencadear a outra, mas há uma diferença entre elas. A rinite é uma inflamação na mucosa do nariz. Ela pode causar coriza, prurido, espirros e obstrução nasal; coceira na garganta, no céu da boca e até nos olhos, que podem ficar vermelhos e arder, porém, sempre concentrada na região do nariz.
Já a sinusite é uma inflamação dos seios paranasais, geralmente associada a um processo infeccioso. Os seios paranasais são formados por um grupo de cavidades que armazenam ar, abrindo-se do nariz para outras regiões da face. Quando a sinusite se espalha também pela mucosa nasal, então, ela é denominada de rinossinusite. Complicado? Nem tanto! Contudo é muito comum fazer confusão entre as duas. Segundo a pneumologista Fernanda Gois “rinite nada mais é do que a inflamação nas vias aéreas superiores. E a sinusite é a consequência dessa inflamação, com presença de infecção”.
Uma dica simples para distinguir uma da outra é prestar atenção à cor da secreção que o nariz ou a garganta expelem. Se o muco for transparente, limpo, é sinal de rinite; quando for esverdeado, amarelo, espesso, então é sinusite. Outra forma de identificar a sinusite é abaixar a cabeça. Se há infecção é possível sentir uma pressão interna na região abaixo dos olhos.
Sobre a rinite os profissionais da saúde costumam classificar a doença em alérgica e não alérgica. A rinite não alérgica, é causada por centenas de diferentes vírus ou bactérias e, habitualmente, vem associada a resfriados; tem curta duração e acontece em épocas mais frias do ano.  Quanto à rinite alérgica, pode ser um problema hereditário, que está na genética da pessoa. Uma doença crônica que pode aparecer em qualquer época do ano.
Nos casos de sinusite requer-se um pouco mais de cuidado, pois se trata de uma infecção. O procedimento, no entanto, é basicamente o mesmo da rinite. Baseado nos sintomas apresentados, o médico primeiro examinará o nariz, ouvidos e a garganta. Depois, ele pode realizar um rinoscopia e pedir exames de imagem da face. Quando a sinusite é crônica há uma persistência da inflamação da mucosa do nariz e cavidades paranasais. Diversos fatores contribuem para a instalação da sinusite crônica como a anatomia dos canais de drenagem dos seios paranasais, a qualidade do muco nasal, a função dos cílios da mucosa que drenam essa secreção e infecções crônicas bacterianas. Os sintomas de sinusite pioram à noite, quando a pessoa vai se deitar. A secreção pode escorrer por outras partes das fossas nasais, aumentando o mal-estar. Existe ainda um tipo de sinusite crônica que se apresenta com a formação de pólipos, ou seja, tumorações inflamatórias que obstruem de maneira severa a respiração e a drenagem dos seios paranasais.
Causas e sintomas desses incômodos – as causas podem ser tanto agentes infecciosos (bactérias, fungos e vírus), como fatores alérgicos (poeira, choque térmico, ar condicionado, cheiros e pólen). Em casos mais raros pode haver a presença de um tumor, mas muito pouco provável. As causas mais comuns são a rinite viral aguda, alergias, mudanças de clima, poluição e fumo, desvio de septo, abuso de medicamentos tópicos com vasoconstritor, cocaína, natação e mergulho. A sinusite pode trazer ulteriores complicações como bronquite, pneumonia, otite, meningite, abscesso cerebral e perda de visão. Portanto, é importante procurar atendimento médico sempre que houver as seguintes situações associadas:
•    Febre acima de 39ºC.
•    Edema ou vermelhidão na face.
•    Visão dupla ou qualquer outra alteração visual.
•    Confusão mental.
•    Dor de cabeça muito intensa.
•    Rigidez de nuca.
•    Prostração intensa.

Tratamento – tanto na rinite como na sinusite o tratamento baseia-se na tentativa de combater a inflamação ou infecção e restabelecer as funções de drenagem, ventilação, bem como corrigir possíveis fatores predisponentes. É indicado o uso de antibióticos, geralmente de dez a quatorze dias, anti-inflamatórios, descongestionantes nasais. Esses medicamentos devem ser prescritos pelos profissionais da saúde. Enquanto a sinusite aguda costuma resolver-se sozinha em alguns dias, a sinusite crônica é uma inflamação mais difícil de ser controlada, devendo ser sempre avaliada por um otorrinolaringologista. Apesar de ser de difícil cura, ela pode ser controlada com tratamento adequado.
Existem várias maneiras de prevenir a sinusite. O primeiro passo para garantir uma boa função nasal é manter as cavidades bem ventiladas, o que pode ser feito limpando bem o nariz usando um higienizador nasal com uma solução de água morna com uma pitada de sal ou soro fisiológico. Beber bastante água ajuda a manter os mucos menos densos. Descongestionantes devem ser usados com moderação, pois seu uso excessivo causa ainda mais danos às mucosas nasais. Em casos crônicos é necessário intervenção cirúrgica, para corrigir um desvio de septo, desobstruir as vias respiratórias, corrigir complicações orbitárias ou outras complicações possíveis que não possam ser solucionadas por meio da drenagem ou com uso de antialérgicos, anti-inflamatórios ou antibióticos. Como em tudo o que diz respeito a saúde a prevenção é a primeira e melhor conduta. Permita-nos, na brincadeira, concluir com um velho ditado: “Cuide de seu nariz !”




Fonte: Edição 998, fevereiro de 2019
Postado por: Família Cristã




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