Medo do doutor?

Data de publicação: 15/10/2019

Por: Fernando Geronazzo

Como ajudar as crianças a superarem o receio de consultas médicas e odontológicas

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Seu filho tem medo de ir ao dentista ou passar por uma consulta médica? Calma! É bastante comum que isso aconteça. No entanto, é algo que precisa ser trabalhado para que não se transforme em um trauma mais sério.
Esse medo é característico das fases de desenvolvimento da criança. Geralmente, está associado à imagem que se tem do ambiente clínico e hospitalar, com injeções doloridas, remédios amargos e procedimentos incômodos, ou mesmo ao simples fato de a criança desconhecer o que pode acontecer com ela nesses locais.
O medo também pode estar ligado ao que a criança ouve no ambiente onde vive. “As crianças captam muito do que é dito e ouvido por parte dos pais, amiguinhos e parentes mais próximos. Portanto, acho muito importante a conduta dos pais, pois, a partir das primeiras informações que a criança recebe, isso irá refletir no momento de ela ser atendida na cadeira do dentista”, explicou a odontopediatra Larissa Martins Tarantelli, que tem 24 anos de experiência na área.
A dentista acrescentou que cada criança reage de uma forma em uma consulta odontológica. “Basicamente, procuro lidar com a confiança e fazer ela acreditar que estou do lado dela, sempre buscando o melhor para o tratamento.”

Arquivo Pessoal
Confiança – João Paulo, 3 anos, passou pela segunda consulta odontológica com Larissa. Foi tudo tranquilo. Enquanto ela o examinava, ele segurava um espelho em formato de dente e acompanhava atentamente cada detalhe. À medida que examinava, Larissa explicava ao paciente tudo o que estava fazendo.
No final da consulta, o menino ganhou um par de luvas, uma máscara e um canudo para aspiração da boca, entregues pela doutora para que ele repita o procedimento com os pais em casa.
Enquanto isso, o irmão mais novo, Guilherme, de 1 ano, acompanhava atentamente a consulta no colo da mãe, a designer Rejane Guimarães. Embora ainda não seja o momento de ele realizar sua primeira consulta odontológica, a mãe considera importante que já se familiarize com o ambiente observando o irmão passando em consulta.
“Desde pequeno, o Guilherme tem pavor de consultas médicas e exames. É sempre um transtorno quando é preciso examiná-lo”, relatou Rejane, explicando que isso também se deve ao fato de o filho ter passado por uma cirurgia cardíaca com apenas 8 meses de vida, vivendo intensamente uma rotina de exames e procedimentos invasivos que justificam o receio de jalecos brancos.
Contudo, ao final da consulta de João Paulo, Guilherme já se mostrava bem mais à vontade. Tanto que a dentista sugeriu que Rejane sentasse com Guilherme na cadeira para ver sua reação e ele ficou tranquilo.
“Por meio da explicação de tudo que vou fazer, passo a passo, a criança e os pais ficam confiantes e entendem o que vai ser realizado. Às vezes, precisamos de algumas consultas, antes de chegar a essa relação de total confiança”, explicou Larissa.  A dentista orientou, ainda, que os pais podem, por exemplo, ir ao dentista primeiro, para algum procedimento simples, como uma limpeza, e levarem seus filhos apenas para acompanhá-los. Também é importante buscar um profissional que tenha mais experiência no atendimento a crianças, mais facilidade no vínculo com elas. 
Doutora amiga – A bancária Camilla Oliveira Alves levava sua filha, Bianca, de 6 anos, a um médico pediatra desde os primeiros dias de vida. “Enquanto era bebezinha, ficava tranquila. A partir do momento em que começou a ter mais consciência das coisas, não queria ir mais. Precisávamos segurá-la para deitá-la na maca e ser examinada”, contou.
À medida que foi crescendo, Bianca foi desenvolvendo maior rejeição. “A consulta era um terror. Às vezes, eu precisava deitar em cima dela para que fosse examinada. Ela se debatia, tinha verdadeiro pavor”, relatou a mãe.
Camilla decidiu procurar outro profissional para ver se aquela situação mudava. Foi, então, que ela conheceu a pediatra Mariliza Marante. Na primeira consulta, Bianca entrou no consultório desconfiada, e a mãe cochichou para a médica sobre o medo da filha.
Já no primeiro contato com Bianca, a pediatra se referiu a si mesma como “tia” ou “amiga”, aproximou-se com calma e ofereceu-lhe uma das bonecas que havia no consultório. “Antes de atender efetivamente a minha filha, a médica começou examinando a boneca e, depois, pediu que a Bianca fizesse o mesmo”, narrou a mãe.
De repente, a médica pediu para Bianca deitar na maca e ela o fez tranquilamente. Depois, Mariliza colocou a boneca ao lado da criança e começou a examinar as duas. “Meus olhos se encheram de lágrimas”, recordou Camilla.
A partir de então, Bianca perdeu o receio de consultas médicas não apenas com pediatra, mas com qualquer outro profissional da área médica.
Paciência e segurança – Com 28 anos de experiência no atendimento a crianças, Mariliza explicou que esse tipo de reação faz parte do desenvolvimento infantil. Segundo ela, esse comportamento começa a surgir entre os 6 e 8 meses de vida e persiste até por volta de 2 anos e meio.
Nesses casos, é preciso ter paciência e, independentemente do choro, examinar corretamente. A médica destacou que, em muitos casos, a insegurança das crianças é causada pela tensão dos pais no momento da consulta.
Uma dica da pediatra é comprar aqueles kits de instrumentos médicos de brinquedo, para estimular a criança, de forma lúdica, a se familiarizar com os equipamentos, simulando consultas e exames.
Mariliza enfatizou que é importante que os pais falem para as crianças sobre os aspectos positivos de ir ao médico, como o cuidado da saúde e o desenvolvimento. Nunca se deve referir ao médico como algo negativo ou como algum tipo de ameaça, quando a criança não estiver comportando-se bem, por exemplo.
Tanto a pediatra como a odontopediatra salientaram a importância de os pais nunca mentirem para as crianças. Desde cedo, Rejane busca dizer a verdade aos filhos. “Sempre digo a verdade a eles, e reforço que é para o bem deles e que estarei sempre junto, segurando sua mão. Se eu mentir, eles perderão a confiança”, afirmou.
Em casos anormais, em que a criança apresenta um medo extremo desses profissionais, é importante buscar o auxílio de um profissional da área de psicologia para fazer uma avaliação mais detalhada e verificar se há alguma causa mais séria, como algum trauma ou patologia. Porém, para a grande maioria dos casos, basta paciência e bastante diálogo.

Créditos: Arquivo Pessoal e FREEPIK.COM





Fonte: Revista Família Cristã, outubro 2019
Postado por: Família Cristã




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