Sacramentos da fé

Data de publicação: 28/08/2013

Frei Luiz S. Turra, ofm cap. *

Os sacramentos da vida e a vida dos sacramentos têm tudo a ver com a fé. Fazem parte das “maravilhas de Deus” no momento atual da história da salvação. Tudo o que é mais natural, além do que está ao alcance de nosso olhar, de nosso pensar, de nossos afetos e de nossas mãos, foge à nossa humana experiência. Esta preciosa realidade que nos vem como dom de Deus só pode ser alcançada pelo olhar da fé. Os sacramentos são “sacramentos da fé para a fé da Igreja”.
   
Um diálogo de fé

 
O ponto de partida dos sacramentos da fé é a certeza de que o Senhor Jesus, Crucificado-Ressuscitado, está atuando no coração de cada pessoa e no coração da história. Jesus vivo está à “direita do Pai” e age na Igreja a fim de levar ao pleno cumprimento a obra da redenção. Cada sacramento, por sua vez, ao ser celebrado, é profissão de fé da Igreja; é acolhida desta sempre viva e atuante presença do Senhor Ressuscitado. E é neste diálogo de amor gratuito e de fé que sempre acontece cada sacramento.

Os sacramentos não existem para um consumo pessoal, ou como um simples costume de tradição de família. Nem mesmo se pode admitir que o ministro que preside o faça em seu próprio nome, como quem está oferecendo um privilé­gio de simples amizade. É dentro da fé da Igreja que todos os sacramentos devem acontecer.

A começar pelo ministro é fundamental que se tenha a intenção de fazer o que a Igreja faz. Mesmo que o sacramento seja celebrado num diálogo de duas pessoas, como é o caso da Confissão, ou num pequeno grupo, tudo deve ser vivido como acontecimento da Igreja.

Creio que neste aspecto temos um grande compromisso evangelizador em nossa caminhada pastoral. Quais são as razões de se procurar o sacramento do Batismo, o do Matrimônio e mesmo dos demais sacramentos? O que significam e mostram certos aparatos de filmagens, fotografias, enfeites e músicas?

Atuando na Pastoral Paroquial e vendo o que acontece na procura dos sacramentos, consola-me o que o diz o profeta Isaías no início do capítulo 42, a respeito do Servo: “Ele não grita, nunca eleva a voz... Não quebrará o caniço rachado. Não extinguirá a mecha que ainda fumega”. Apesar de tudo, sempre é possível ajudar pastoralmente as pessoas no diálogo da fé que dá sentido aos sacramentos.

Fé do sujeito e sacramentos


Na atualização dos sacramentos, há sempre uma implicação que clama resposta consciente, livre e responsável do sujeito que busca. Se por um lado os sacramentos são acontecimentos que confirmam a iniciativa salvadora de Deus na história, por outro lado, para serem transformadores e fecundos, necessitam da adesão livre de quem se aproxima.

Mesmo que as pessoas não tenham motivação, Deus não deixa de fazer a sua parte verdadeira. Porém, quanto maior a consciência da atualidade e do valor dos sacramentos por parte do sujeito, melhores e maiores serão os seus efeitos em sua vida. Por essa razão os sacramentos não acontecem apenas na fé da Igreja, mas também na fé do sujeito. Assim sendo:    

 • Os sacramentos “supõem” a fé. Faltando a fé, os sacramentos podem aparecer como um rito ou um símbolo vazio. Desprovidos de fé, da parte de quem recebe, os sacramentos podem se tornar um ritualismo mágico. A fé que envolve o sacramento, por sua vez, favorece os efeitos de sua ação transformadora. É claro que não é o tamanho da fé do cristão que faz o sacramento. O Ressuscitado continua presente e agindo, porém, as condições humanas favoráveis são partes necessárias neste diálogo de salvação.

• Os sacramentos “fortalecem e expressam” a fé. Quanto mais se acolhe e se vive o dom de cada sacramento, maior e mais autêntica se torna a fé da pessoa e da Igreja.     Os sacramentos são sinais de fé porque a supõem. Uma vez acolhidos com fé, procuram nutri-la para que seja sempre mais autêntica e fecunda.

Conclusão

O edifício dos sacramentos da Igreja existe para edificar uma Igreja alicerçada na fé do Crucifica­do-Ressuscitado. Uma Igreja que percorre os caminhos da história humana e que deve se tornar servidora do Reino, através dos sacramentos, sempre encontra aquela seiva de vida que não a deixa envelhecer.  Esta reserva de integralidade e sociabilidade autênticas nunca faltará na História, até que a Igreja atue entre os humanos, como Jesus atuou. Os sacramentos são estes momentos de encontro, de dom e de responsabilidade da fé sempre renovada.

Frei Luiz S. Turra pertence à Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

“Os sacramentos não existem para um consumo pessoal, ou como um simples costume de tradição de família. Faltando a fé, os sacramentos podem aparecer como um rito ou um símbolo vazio.”

Perguntas
1. Qual é a relação dos sacramentos e a fé?
2. Que tipo de diálogo de fé acontece nos sacramentos?
3. Podemos ajudar as pessoas a terem verdadeiras motivações na busca dos sacramentos? Como?




Fonte: Família Cristã 906 - Jun/2013
Postado por: Família Cristã




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