Pais na Bíblia

Data de publicação: 29/08/2013

A Sagrada Escritura apresenta-nos pais que deixaram como herança aos filhos o exemplo de vida, de caráter, de conduta e de fidelidade à Aliança
Padre Edson Adolfo Deretti *

Todos queremos a presença de um bom pai. Junto a um bom pai, o filho é iniciado na arte de ser um bom pai. Com esperança e realismo é preciso abraçar a realidade: muitos filhos, por crescerem distantes do pai ou na presença de um pai “fraco”, têm dificuldade em ser bons pais. Tornam-se apenas pais. Não precisamos apenas de pais. O que nossos filhos e nós desejamos é, ao lado de nossa mãe, um pai “forte”, de coragem e de ternura, de presença e de caráter, justo e misericordioso. Exemplos de pais assim não faltam. Mas, deveriam existir mais.

Nas Sagradas Escrituras encontramos grandes mestres, homens que foram bons esposos e pais. Desde Abraão até São José, a lista é imensa. Com certeza, continuam sendo referenciais para os homens de hoje, chamados a serem, como os homens de ontem, pais à imagem e semelhança do Pai celeste.

Pai de fé – Em primeiro lugar, Abraão, o pai da fé. Junto com sua esposa, Sara, por muito tempo fizeram a experiência da esterilidade. Mas, quando acolheram os “enviados” do Senhor, tornaram-se fecundos. Em idade avançada, tornaram-se pais e peregrinos. O filho da promessa foi Isaac, acolhido como um grande dom do Senhor. Na idade de avós, Abraão e Sara foram pais, porque acreditaram na promessa. Aparentemente, não tinham muito no que acreditar, pois, pela natureza humana, um filho seria impossível. Quando, porém, o Senhor os visita, Abraão é aquele que toma a iniciativa e acolhe aqueles que vêm em nome do Senhor. Só então Abraão – ainda Abrão –, idoso e estéril e, por isso, considerado esquecido pelo Senhor, torna-se pai. O filho foi único. Mas este trouxe a alegria que uma infinidade de filhos não traria aos seus pais. Um filho quando tudo já indicava que este nunca viria. A paternidade quando tudo demonstrava que seria impossível. Fico a imaginar o primeiro abraço de Abraão em seu filho, Isaac. O sonho de décadas concretizado já quase no final da vida.

Não sei por quantos anos Abraão pôde acompanhar os passos de seu filho, não sei se alguém sabe. O que posso afirmar é que, poucos ou muitos, foram anos vividos com tanta intensidade que para sempre Abraão será chamado de o “nosso pai Abraão, nosso grande pai na fé”. Ah, se todos os filhos e filhas fossem desejados por seus pais como o foi o pequeno Isaac...

Enquanto Abraão teve um único filho, Jacó foi presenteado com 12. Como lhe custou a educação destes 12! Esta, contudo, não poderia ser confiada a um outro. Filhos com pais vivos precisam ser educados por estes. Isso era muito claro e indiscutível. Quem educava os filhos eram os pais, desde o ventre materno. Após o nascimento, as Escrituras narram-nos a iniciação dos filhos na fé judaica, através do rito da circuncisão. Todo filho que nasce, presente de Deus, a Ele é consagrado, e na comunidade de fé é introduzido através dos ritos de iniciação. Não havia essa de deixar o ensino religioso para mais tarde. Uma educação integral desde o ventre materno, por toda a vida. Mesmo assim, as Escrituras narram que entre os 12 irmãos as dificuldades de relacionamento eram grandes, a ponto de desejarem a morte de um deles, José. Contudo, quando se fala dos sentimentos dos filhos para com Jacó, estes são os melhores possíveis, pois Jacó era um grande pai. Inclusive, numa situação de desolação, seca e fome, ele é descrito como alguém que tem discernimento e esperança: aceita a velhice e a fraqueza, aceita-se limitado, doente e com poucas forças e delega aos filhos – neles confia – a missão de encontrar o necessário para o sustento da família.

Pai profeta – Já Oséias, séculos depois dos pais Abraão e Jacó, durante sua missão profética, casou-se e teve filhos. Dividiu seu tempo com a profecia e o casamento. Seus filhos cresceram vendo o pai se dedicar às Coisas do Alto. Com certeza, ouviram de Oséias as várias denúncias de injustiças e os vários anúncios de como o Senhor esperava que seu povo se comportasse. Aprenderam, pois, desde pequenos, a justiça e o direito, a serem honestos, transparentes, como Oséias, profeta, esposo e pai.

Avançando um pouco na história, chegamos a São José, esposo de Maria e pai adotivo de Jesus. Depois de Deus, nosso Pai celeste, nenhum outro pai foi tão bem estudado e imitado como São José. Basta olhar as estatísticas para se perceber quantos carregam o seu nome: José! Pai providente, pai amoroso, pai trabalhador, pai educador. Um homem, pai e esposo sem defeitos. Esse é o nosso São José. Maria não poderia ter feito escolha melhor! Respeitando o tempo e os costumes, conheceram-se, namoraram e se casaram. E ambos foram fiéis um ao outro por toda a vida, principalmente no respeito à sacralidade do corpo um do outro. Foram castos e puros de coração por toda a vida.

A Sagrada Escritura apresenta-nos grandes pais. Pais fortes, de presença, de coragem, de testemunho, de comprometimento, de ousadia, de fidelidade, de amor à esposa e aos filhos. Pais que marcaram presença, que deram colo, carinho, educação, limites e ensinamentos. A herança que deixaram aos seus filhos foi seu exemplo de vida, de caráter, de conduta, de fidelidade ao Senhor e à Aliança. Herança que passou de geração em geração, que hoje precisa ser resgatada.

Perfeito é o nosso Pai celeste. Nossos pais terrestres são limitados; porém, todos podem se superar, todos podem ir além. Amemos nossos pais, perdoemos seus erros e limitações. Nós precisamos deles. Biológicos ou adotivos, a figura do pai é essencial, como a da mãe. Numa sociedade cada vez mais indiferente ao pai, a partir das Sagradas Escrituras, clamamos pela defesa da família: pai, mãe e filhos. E você, pai, seja um bom pai, o melhor pai do mundo para seus filhos! Intercessores e bons exemplos não nos faltam.

* Padre Edson Adolfo Deretti é vigário paroquial na Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, em Joinville (SC).




Fonte: Família Cristã
Postado por: Família Cristã




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