A Amizade

Data de publicação: 14/02/2017


A amizade é uma das mais comuns relações que os seres humanos experimentam.
Em tema de livros, canções, ela expressa a dimensão mais profunda de se ter um coração aberto para o outro



Por: Fernando Geronazzo
Imagens: Divulgação

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Essa afirmação é mundialmente conhecida e certamente será bastante compartilhada em mensagens e cartões em 20 de julho, Dia Internacional da Amizade. Da obra O Pequeno Príncipe, do escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, cujos 70 anos de seu falecimento são lembrados também neste mês de julho, no dia 31, a frase é tirada do diálogo entre o Principezinho e a Raposa, que lhe ensina um novo valor. “Existe uma flor… eu creio que ela me cativou…”, diz o príncipe, depois de entender que não importava que existissem outras rosas como a de seu planeta.
A amizade é uma realidade que permeia todas as fases da vida. Na juventude, período especial da vida humana, marcado por escolhas, amadurecimento afetivo, a emancipação e a descoberta das vantagens e desafios da liberdade, ter amigos ganha uma importância profunda. Como conta diz Milton Nascimento, na Canção da América,  “Amigo é coisa para se guardar, no lado esquerdo do peito, dentro do coração”.

Estudos – Mais que um sentimento, a amizade também é objeto de muitas pesquisas e estudos que buscam compreender melhor o ser humano em suas relações. “As pessoas buscam relacionamentos motivadas por necessidades e preocupações vigentes em cada estágio da vida”, afirma Luciana Karine de Souza, doutora em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, em um artigo intitulado “Relacionamentos pessoais: amizades em adultos”.
“A maioria das pesquisas aborda adultos jovens, geralmente estudantes universitários entre 18 e 30 anos. Essa tendência não decorre apenas da facilidade para coletar dados nas universidades, mas também do fato de que, nessa etapa, as amizades são mais evidentes. Na adolescência, a amizade amadurece, passa a envolver confiança, lealdade e intimidade. Na adultez jovem, torna-se mais importante no contraste com o restante da vida adulta, que a restringe com demandas profissionais, românticas e familiares”, explica a doutora. 
Ao estudar a amizade em três momentos da vida adulta, a psicóloga Regina Erbolato, em sua tese de doutorado pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP), investigou as relações de amizade em 12 adultos jovens, 12 adultos em meia-idade e 12  idosos. A amizade foi relacionada a aspectos comuns às três faixas etárias: satisfação de necessidades emocionais, troca de recursos e de comunicação, “estar presente”, semelhanças, e facilidade de interação com o mundo.
Especificamente com respeito aos adultos jovens, seis homens e seis mulheres de 25 a 35 anos de idade, inseridos no mercado de trabalho, o amigo foi definido através das seguintes características: segurança e proteção (40% das respostas), por exemplo, saber ouvir e dizer coisas positivas, estar disponível para ajudar; seletividade e hierarquia, destaca-se das outras pessoas, há diferentes amigos conforme o nível  de intimidade; e personalidade e autoconceito como  afinidades, amor e cuidado. A amizade foi apontada como importante porque responde a necessidades emocionais (70% das respostas), é um relacionamento especial e faz parte da natureza humana.
Durante a adolescência, as pessoas passam quase 30% do tempo com amigos. A partir daí, a vida vai mudando, novas obrigações vão surgindo – até que passam a dedicar menos de 10% do tempo aos amigos.
A estudante Bruna Alves, 28 anos, de São Paulo (SP), reconhece que a rotina muitas vezes a impede de estar sempre com os amigos, mas garante que isso não diminui o valor da amizade. “É aquela que mesmo na correria cotidiana ou na distância permanece sempre ali aquecendo o coração. Eu tenho amigos que, por conta desses detalhes, não consigo manter o contato que gostaria, mas quando nos encontramos é como se nunca tivéssemos nos separado.”

Em tempos de rede – Diante das novas tecnologias, nas quais os jovens estão bastante imersos, os relacionamentos têm ganhado novas feições.
A professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Livia Godinho Nery Gomes, explica que os estudos iniciais sobre o assunto sempre apontavam a internet como algo negativo, capaz de levar à depressão e até ao isolamento. Entretanto, suas pesquisas de mestrado mostram que o avanço das redes sociais, a exemplo do Twitter e Facebook, serve para fortalecer a comunicação e as relações entre as pessoas.
Sobre as relações mediadas pela internet, é comum denominá-las “virtuais”, contudo a professora Lívia afirma que tal expressão não passa de um equívoco. “A expressão ‘virtual’ se opõe ao conceito de ‘real’. A relação que existe entre duas pessoas através da internet não é inexistente. Só pelo fato de haver dois corpos ali envolvidos, há trocas afetivas”, afirma a professora em matéria publicada pela UFS.
Para o estudante Lucas Monteiro, 22 anos, de São Luís (MA), as novas tecnologias diminuem a distância para manter viva a amizade com pessoas distantes fisicamente. “Para mim, amizade é escrever às 23 horas para o amigo cansado do trabalho, quando estamos passando mal, e ler em resposta palavras de consolo e compaixão.”




Fonte: 943 - FC julho 2014
Postado por: Família Cristã




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