Centro Dragão do Mar

Data de publicação: 16/04/2018


Por, Gizele Barbosa, fsp

Em Fortaleza, arte, cultura e democracia se encontram em só lugar, um dos pontos turístico mais visitados na capital cearense por quem procura mais do que sol e mar

 A bordo de sua jangada, que chamava de Liberdade, o homem de 42 anos, que cresceu analfabeto e aprendeu a ler aos 20 anos, liderou uma greve, e junto aos outros jangadeiros, seus companheiros, paralisou o mercado escravista no Porto de Fortaleza. Ele era Francisco José do Nascimento, então denominado de Dragão do Mar, um dos maiores heróis abolicionistas do estado do Ceará.
Chico da Matilde, um dos nomes pelos quais Francisco era conhecido por ser Matilde o nome de sua mãe, navegava pelo mar com a jangada Liberdade. Ele sonhava com a liberdade dos seus irmãos escravizados, ao mesmo tempo em que, com sua influência, participava de reuniões e assembleias para tratar dos assuntos da abolição. O que Chico nunca iria imaginar é que, por causa de suas lutas, o nome, que recebeu pela sua bravura, Dragão do Mar, seria dado em sua homenagem, à primeira organização social criada no Brasil na área da Cultura, o Instituto Dragão do Mar, e também ao maior de todos os equipamentos gerenciados pelo instituto.
Popularmente chamado de Dragão do Mar, o Dragão do Mar, Centro de Arte e Cultura é um dos pontos turísticos mais visitados da capital cearense. Há quem diga que é o “coração noturno da cidade”, o espaço preferido da juventude e daqueles que buscam, em Fortaleza, mais que sol e mar.
Localizado num dos bairros mais tradicionais, o Praia de Iracema, o centro é uma mistura de tranquilidade e agitação, um lugar amplo com espaços aconchegantes e acolhedores onde é possível sentar para conversar e reservadamente tomar um café, ou comer uma pizza ao som de música ao vivo. Não importa a preferência, o Centro Dragão do Mar é um lugar para todos os gostos.
Idealizado a partir de 1993, pelo então secretário de cultura do Estado, o jornalista e antropólogo Paulo Linhares, o centro foi inaugurado em 1999. A principal intenção era de ser justamente um lugar de encontros, para os mais variados tipos de pessoas, um lugar onde todos pudessem entrar e se sentir bem como se estivessem na própria casa, e literalmente adentrar uma casa que transpira cultura.
É um verdadeiro ninho de cultura onde se misturam a arquitetura do centro histórico de Fortaleza e a arquitetura arrojada pensada pelos profissionais Fausto Nilo e Delberg Ponce de Leon.
Geralmente, 1,5 milhão de visitantes circulam pelos 14,5 mil metros quadrados desse centro cultural, que abriga dois museus, uma multigaleria, um teatro, duas salas de cinema, um planetário, um auditório, um anfiteatro, além de praças e arenas onde se realizam eventos ao ar livre.

Museu de Arte Contemporânea – Recebe exposições de artistas nacionais e internacionais, têm uma equipe composta por arte-educadores e universitários que mediam a experiência dos visitantes com a arte em exposição.
Museu da Cultura cearense – Com 800 metros quadrados e dividido em seis salas, este é o lugar perfeito para quem deseja encontrar ou até mesmo aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura cearense. É um lugar de inclusão e de despertar para a vida e a história desse povo que, de forma criativa e diversificada, soube encontrar o seu espaço no mundo. O museu, além de exposições, oferece projetos de inclusão para pessoas com necessidades especiais e também a possibilidade da troca de experiências culturais a partir de projetos educacionais que valorizam a culinária e a arte, sendo essas iniciativas fundamentais para a promoção e conservação da cultura local
Multigaleria – Amplia os horizontes da arte à medida que oferece exposições que vão da fotografia a técnicas de pintura.
Teatro Dragão do Mar – É a casa das artes cênicas, tem capacidade para 269 lugares e oferece espetáculos de dança, teatro, música, circo, além de palestras e encontros que transpassam a parte social e cultural da sociedade cearense. São realizados espetáculos de pequeno e grande porte. O espaço tem uma política que possibilita através de pautas e avaliação de projetos, a ocupação do mesmo por artistas da capital e do interior.
Cinema do Dragão-Fundação Joaquim Nabuco – Conta com uma programação pensada segundo a realidade que a sociedade estiver vivendo, não são simples salas de cinema que têm como objetivo o lucro cinematográfico, são espaços de reflexão e formação de consciência crítica. Com preços acessíveis, as salas de cinema “do Dragão” são referência em questão de modernidade e acessibilidade.
Planetário Rubens de Azevedo – Exuberante por dentro e por fora, logo chama a atenção com sua arquitetura e a novidade dos traços arrojados e luminosos. Com tecnologia alemã, está entre os planetários mais modernos do mundo e é o único com 20 projetores multimídia capazes de reproduzir um arco-íris. Ali as possibilidades são muitas, desde observar as estrelas, planetas e galáxias a sessões explicativas diárias para um público de 90 pessoas em cada sessão.
Auditório – Localizado no piso superior no espaço mix, o auditório tem capacidade para 108 lugares. É um espaço onde se realizam conferências, encontros, congressos, além de outros eventos artísticos e shows.
Anfiteatro Sérgio Motta – Um espaço agradável, perfeito para unir comodidade e boa música. Recebe com frequência nomes nacionais e internacionais, festivais, bienais universitárias, bienais de dança e música, circuitos culturais de Música Popular Brasileira (MPB) e mostras de arte programações musicais de eventos como feiras de livros.
Biblioteca de Artes Visuais Leonilson – Espaço utilizado para pesquisas bibliográficas, pesquisas na internet, utiliza-se especificamente de material multimídia. É a única biblioteca do Estado a possibilitar acessibilidade em pesquisa nas áreas de Fotografia, Design, Museologia, História da Arte, Arquitetura e Urbanismo, Moda e Arte Contemporânea. O acesso é livre.
Praça Verde Historiador Raimundo Girão – Abriga mais de 4 mil pessoas e também shows nacionais e internacionais, em grandes apresentações. Além de ser um espaço de convivência para famílias, grupos de jovens e tribos urbanas.
  
Cultura democrática – O promotor de vendas Marcos Júnior, que mora há alguns anos em Fortaleza, costuma frequentar o espaço e se diz privilegiado. “Aqui é um dos espaços mais democráticos da nossa cidade. Seja por sua programação, seja pelos preços acessíveis dos eventos, seja pela diversidade de pessoas que circulam, sempre de forma respeitosa ao que lhes é diferente. É um local onde os jovens e adultos convivem, onde a cultura e a diversão dividem o mesmo espaço sentidas de formas extremas e diversas. O centro pode ser chamado de coração noturno da cidade, onde a liberdade pulsa e a convivência democrática se torna realidade.”
No Centro Dragão do Mar, as pessoas parecem respirar, de fato, este desejo por uma cultura democrática, até mesmo porque a programação é tão diversificada que ninguém consegue ficar de fora. A palavra democracia também é a primeira que vem à mente da jovem Catarina Maria Mesquita, estudante da Universidade Estadual do Ceará (UECE): “O Dragão do Mar tem uma programação muito atrativa, valoriza a arte local e todas as diversidades. Os espaços são bem confortáveis, acolhem todo tipo de pessoas. Gosto daqui justamente por ser um espaço democrático”.
Apesar de tudo, ainda há quem não conheça todos os ambientes e lamenta não frequentar como gostaria. Como diz a enfermeira Socorro Bezerra: “A programação é bem diversificada, para vários gostos. As pessoas costumam apreciar, e eu recomendo sempre. Gosto muito e deveria frequentar mais. Aqui há museus e exposições de todos os tipos. Já vim a lançamentos de livros. Acho que os cearenses poderiam aproveitar mais esse Centro Cultural... Eu sou uma”! (Risos).
    O Dragão do Mar, Centro de Arte e Cultura é um espaço onde a cultura possibilita a diminuição das diferenças sociais, todos são livres para produzir e aproveitar o que lhes é oferecido. É o sonho de Francisco José do Nascimento concretizado. É um desejo de liberdade que atravessou as fronteiras do tempo e deu vida ao que tanto queria o Dragão do Mar, o Chico da Matilde, o jangadeiro que não teve medo de enfrentar as barreiras das diferenças e lutar por igualdade.





Fonte: Fc edição 976, Abril de 2017
Postado por: Família Cristã




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