A infertilidade no casamento

Data de publicação: 08/11/2019

Por: Nathan Xavier

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a infertilidade atinge oito milhões de pessoas no Brasil e cerca de setenta milhões no mundo, sendo um dos maiores fatores de angústia e estresse para o casal


Já era tarde, quando João trouxe a caixinha de teste de gravidez da farmácia. Ansiosa, Maria mal deu um beijo no marido e correu para o banheiro coletar a urina. Em alguns poucos minutos, veio o resultado. Maria não estava grávida. Há um ano tentava engravidar, e a angústia e o desespero já começavam a bater. Não bastasse isso, as brincadeiras e indiretas de parentes e amigos não ajudavam em nada.

Essa é uma história fictícia, mas que reflete a realidade de muitos casais. Segundo o médico ginecologista Sergio dos Passos Ramos,   “a dificuldade de engravidar atinge aproximadamente 15% dos casais. Suas causas são diversas, tendo origem em problemas no organismo feminino, masculino, em ambos, ou até mesmo se devendo a causas desconhecidas”.

Infertilidade e esterilidade – Para a medicina, é considerado infértil o casal que mantém relações sexuais a mais de doze meses, sem que tenha engravidado no decorrer desse tempo. Segundo o doutor Sergio, os problemas mais comuns no homem são baixa qualidade e quantidade de espermatozoides; e, na mulher, doenças como endometriose, distúrbios hormonais e Síndrome do Ovário Policístico (SOP).

Porém, mesmo infértil, o casal ainda pode gerar filhos. “Infertilidade e esterilidade são coisas diferentes”, explica doutor Sergio, “apenas se pode falar em esterilidade depois que o casal for devidamente analisado e, eventualmente, submetido a tratamentos, sem que se obtenham resultados favoráveis. A esterilidade implica a noção de incapacidade absoluta de concepção”. O ginecologista explica que esses casos são muito raros, e, em grande parte, reversíveis.
Crédito: Freepik.com

Nubia Monteiro da Costa, 32 anos, foi diagnosticada com SOP. “Estava demorando para engravidar, então realizei exames para saber o motivo. Foi aí que a médica me disse que eu tinha SOP. Quando recebi a notícia, fiquei assustada, porque não conhecia essa síndrome. Depois, lendo a respeito e com a própria médica me explicando, fiquei mais tranquila. Encarei sem nenhuma angústia, sem desespero”. A Síndrome do Ovário Policístico é uma desordem caracterizada pela secreção excessiva de hormônios.

Além da presença de pequenos cistos nos ovários, a doença pode ocasionar menstruação irregular, ganho de peso excessivo e queda de cabelo. Mas Nubia precisou apenas tomar uma vitamina para fortalecer o sistema imunológico, receitado também para o marido, e, pouco tempo depois, já comemoravam o resultado positivo. Hoje Livia, filha de Nubia e Ivan, está com seis meses.

Apoio externo – Quando um dos cônjuges é diagnosticado com alguma doença que dificulta a gravidez, o apoio do outro par, além da família, é imprescindível. “A infertilidade é uma situação de vida potencialmente traumática”, explica a psicóloga Lia Dornelles. “Ela pode afetar todas as áreas da vida: a pessoal, o vínculo do casal, as relações sociais e familiares e, em alguns casos, o trabalho.”

O casal que chega numa clínica de medicina reprodutiva, geralmente, já tentou de tudo e aquela é sua última opção. Porém, Lia reconhece que, quanto mais o casal ficar ansioso, pior será a possibilidade de gravidez. “A situação vai se transformando numa bola de neve, e fica difícil de interromper sua evolução. O processo costuma ser desgastante para o casal, quando o sonho da gravidez não se concretiza no tempo desejado, e, junto com ele, chega a pressão das pessoas que estão ao redor, algo cruel, principalmente para a mulher, que sente o peso disso mais que o homem.”

A psicóloga recomenda que perguntas como: “quando virá o neném”, “estão tentando?”, “por que vocês ainda não tiveram filhos” ou “descobriram o problema?”, são desnecessárias, já que este é um assunto particular do marido e da mulher. “Ninguém tem obrigação de explicar suas atitudes e sua vida íntima para os outros”, arremata.

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Fonte: Revista Família Cristã, edição 1007, novembro de 2019
Postado por: Família Cristã




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