TOD à luz da escuta de Baco

Data de publicação: 08/04/2020

Crédito: Elizete Moura dos Santos, fsp *


“O semideus que grita” – “Gritar” é o significado do nome Baco, que tem origem no latim Bacchus e no grego Bákchos, uma derivação do termo iacho. Para a mitologia grega, trata-se de um semideus, motivo que nos leva a compreender os sintomas do Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), a partir do atendimento de uma criança que luta para ser escutada e reconhecida como sujeito.

Baco tem sete anos. Está no terceiro ano do Ensino Fundamental. Reside com a mãe e um irmão mais velho. Mas foi o pai que o trouxe ao consultório, motivado não apenas pelas queixas da escola, mas, sobretudo, pelas próprias preocupações em perceber que o filho é dotado de “pouca inteligência”; considerado pela família como alguém “desatento, raivoso, hostil”, e, além disso, é uma criança que “grita, opondo-se às regras”. Quando se pergunta sobre a idade do filho, no primeiro instante, o pai se sente confuso em relação à data de nascimento de Baco, tirando do bolso um papel com as datas de mais dois filhos.


  Jovem Baco, de Giovani Bellini

A queixa da escola era de que Baco manifestava certos padrões de comportamentos que se encaixavam, sobretudo, no conjunto de sintomas estabelecidos pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), que define o TOD como sendo uma doença mais facilmente acometida por crianças/adolescentes em idade escolar, tendo como características “o padrão de humor raivoso/irritável, de comportamento questionador/desafiante ou índole vingativa com duração de pelo menos seis meses” (DSM-V, 2014). Com a indicação de que um transtorno dificilmente se manifesta sozinho, apresentando na maioria dos casos outras comorbidades. No caso de Baco, o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) era atribuído à sua “incapacidade de aprender”. Sintomas que se manifestavam concomitante aos sentimentos de raiva, irritação, hostilidade e agressividade, trazendo-lhe prejuízos no aprendizado, nas relações familiares e sociais.

Para compreender os sintomas – É preciso ter presente as controvérsias do TOD. Por se manifestar numa idade em que as crianças/adolescentes buscam manifestar e questionar os adultos, o transtorno muitas vezes pode ser diagnosticado de forma imprecisa, deixando margem para a exclusão. É preciso que a família e a escola fiquem atentas para não buscar excessivamente um diagnóstico da “doença” em si, eliminando a possibilidade de criar condições e espaços para que a palavra e o sentimento se manifestem. Ao escutar Baco, questiona-se: trata-se, de fato, de uma criança desatenta e irritada ou de um sujeito que busca insistentemente ser reconhecido, amado e desejado? Os “gritos”, ainda que fossem um recurso rudimentar, demonstravam clamor por um espaço privilegiado de escuta.

*Elizete Moura dos Santos é membro da Congregação das Irmãs Paulinas, licenciada em Filosofia, bacharel em Psicologia e especialista em adolescência e juventude.

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Fonte: Revista Família Cristã, número 1012, abril de 2020
Postado por: Família Cristã




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