Matrimônio e fé

Data de publicação: 05/08/2013

                 
Osnilda Lima, fsp                        


Após 28 anos de casados, Maria Lúcia e Eduardo, professaram os votos religiosos de pobreza, obediência e castidade no Instituto Santa Família

Às 4 horas da tarde do sábado, dia 11 de dezembro de 2010, sob uma chuva fina, familiares e amigos do casal Maria Lúcia Lima Barbosa Burin e Eduardo Mélega Burin se reuniram para uma celebração muito especial. Ela, publicitária, e ele, engenheiro civil, depois de 28 anos de união matrimonial – da qual nasceram três filhos – e de uma caminhada de cinco anos de preparação e discernimento, fizeram a profissão religiosa no Instituto Santa Família. “A graça dessa consagração é bem maior do que posso compreender. Deus completará nossa insuficiência com sua misericórdia” – enfatizou Maria Lúcia.

Para ela, a vida a dois é cultivar, construir e reconstruir-se ao outro. Maria Lúcia garante serem as diferenças o maior desafio na vida do casal. Isso porque, segundo ela, cada um vem de lares diferentes e costumes diversos, o que no início pode gerar grandes conflitos. “Quando se começa uma vida a dois, as diferenças se chocam, e, se não houver amor, respeito e consciência da importância do Sacramento do Matrimônio, do compromisso assumido e de querer caminhar em Deus, é muito complicado segurar”.

O segredo do casamento – Maria Lúcia não titubeia em afirmar que o respeito de um pelo outro é fundamental na estabilidade do casamento. “Nunca tentamos resolver nossos problemas em público ou na presença dos filhos. Se acontece algo, nós nos retiramos para o diálogo e para a busca de uma solução. Lógico que, na frente dos filhos, sai uma cara feia aqui outra ali, isso é normal. O importante nesse momento é saber silenciar” – completa.

Após três anos de casados, Maria Lúcia propôs a Eduardo começar a rezar o terço todos os dias. “Via meus pais fazerem isso e percebia que fazia muito bem a eles. É uma lembrança bonita que tenho. Então, Eduardo topou e nós também começamos. Isso nos ajudou a criar maior sintonia, sobretudo no momento de segurar as dificuldades. Claro, a graça de Deus atua. É aquela questão: ajuda muito na hora de levantar, sacudir a poeira, recomeçar de novo e a caminhar com fidelidade ao compromisso de nosso casamento” – ressalta Maria Lúcia.

“Nesse momento Eduardo e eu, praticamente concluímos nossa missão na educação dos nossos filhos, eles estão encaminhados. Sempre os orientamos para as responsabilidades, tanto nos estudos, profissão ou para a vida. Ressaltamos muito a dimensão da honestidade, nunca lesar o próximo. Aqui em casa procuramos nos respeitar. É não pegar no ponto fraco do outro, o calcanhar de aquiles, para tentar diminuí-lo enquanto pessoa. Falar a verdade acima de qualquer coisa, a mentira ela acaba vindo à tona. Não adianta esconder. E sabe, quando se começa com mentiras, a confiança se vai”,  - destaca Maria Lúcia.

Busca e persistência – A publicitária conta que o cultivo espiritual entre o casal enquanto os filhos eram pequenos foi mínimo, se resumia à participação na missa aos domingos e à atuação em pastorais. O envolvimento nas pastorais ajuda, mas para um caminho espiritual não é suficiente, segundo ela, hoje, tudo mudou: “Depois que ingressamos no Instituto Santa Família tudo começou a se transformar em nossa vida de casal, com participação diária na missa, leitura diária da Palavra e reza do terço. Mas não pensem que é tão simples assim; chegou um momento em que se tornou exigente demais, parece que não tínhamos mais tempo nem para os filhos. Questionamo-nos: e agora? Paramos, demos um tempo. Mas depois, ao avaliar, vimos que não estávamos preenchendo esse tempo com nada. Por isso, retomamos. E essa experiência tem nos trazido um ar novo, primaveril, parece até que ficamos mais apaixonados um pelo outro. Criou-se uma intimidade muito maior entre a gente”.

O casal, porém, se coloca em alerta permanente, pois tem consciência de que hoje se vive no olho do furacão do consumismo, do prazer, do individualismo. Então, diante disso, como viver os votos? “O desafio de viver a pobreza é grande, pois a felicidade hoje parece se resumir a ter isso e aquilo. A pobreza é viver com o suficiente, com dignidade e, sobretudo, sem nunca lesar o outro. Já a obediência passa muito pela abertura e pelo diálogo em sentido amplo. A castidade nos ajuda na dimensão de não instrumentalizar o outro na busca de um prazer individual, mas nos leva a um crescente amor sem condicionantes e com respeito profundo pelo outro” – revela Maria Lúcia.

Instituto Santa Família – Pertence à Família Paulina. É constituído por casais consagrados a Deus que se depõem a trabalhar a dimensão humana e espiritual da família e do sacramento do matrimônio na ajuda recíproca para o crescimento interior. Colaboram na Igreja para a construção do Reino de Deus atuando através do apostolado da comunicação social, segundo as possibilidades.


Contato 
Institutos Paulinos
Via Raposo Tavares, 18,555 – Jardim Arpoador
Caixa Postal 2534
01060-970 - São Paulo – SP
institutospaulinos@paulinos.org.br









Fonte: Família Cristã 901 - Jan/2011
Postado por: Família Cristã




Comentários


Comente





Compartilhe este conteúdo:


Veja Também

A quadrilha junina
Conheça mais sobre este estilo de dança folclórica coletiva, muito popular no Brasil
Um coreto, muitas memórias
Coreto de Poços de Caldas: um dos mais preservados e movimentados do país
Um gigante no sertão
Estátua dedicada a padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), completa meio
Um olhar que viu
Tatiana Belinky, nome importante no mundo da literatura no Brasil, celebra centenário de nascimento.
Marco Frisina no Brasil
O Brasil recebeu a visita do Monsenhor Marco Frisina, compositor e Maestro de música Sacra
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Próximo Final

Termos mais pesquisados

Busca avançada
Copyright © Pia Sociedade Filhas de São Paulo - Brasil - Direitos Reservados